O que nossa galera pensa sobre política, redes sociais e eleições em 2026

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rande parte da nossa galera vai às urnas pela primeira vez neste domingo (4). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabiliza três milhões e quinhentos mil novos eleitores com 16 a 18 anos. Apesar de o voto ser facultativo para menores de 18 anos, muitos jovens estão na expectativa para votar para presidente da República, governador, senador e para deputados federais, estaduais ou distritais.

É o caso da Madu Vilar, da Galera CAPRICHO 2026, que tem 17 anos e já faz questão de exercitar sua cidadania. Afinal, ela sabe que “política está em tudo” e “pode mudar a realidade de muitas pessoas”. “É importante que nós, jovens, estudemos e tenhamos nossas próprias conclusões. De alguma forma, somos o futuro da política”, defende.

Aos 16 anos, Natchi Coelho exalta “a importância do primeiro voto, da não banalização da responsabilidade como cidadão e, principalmente, do letramento político”. “Se você não conhece quais são as regras, qual é o sistema e quem te representa no seu próprio país, como decidir em quem você vai depositar sua confiança?”, questiona.

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“A população que não teve acesso à instrução sobre política é ludibriada todos os dias, seja por acreditar em algo que é literalmente impossível de se realizar ou por uma lacuna de conhecimento, levando a pessoa, em certos casos, a tomar uma decisão sem saber o total significado daquela ação”, acrescenta.

Assim como Natchi, Maria Júlia Brasileiro diz que não tem como falar de política sem olhar para a polarização. “Nunca estivemos em um Brasil — e, quiçá, em um mundo — tão polarizado quanto o dos dias atuais”, aponta a jovem, que está estudando nos EUA atualmente. Segundo ela, a intolerância e o extremo fanatismo fazem com que a população brasileira esteja cada vez mais buscando extremos, sem a oportunidade para que terceiras vias, novas bandeiras e lideranças ascendam no cenário político.

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Para a juventude dessa geração, crescer num Brasil tão polarizado impede que possamos construir um pensamento crítico político próprio, sem a pressão social de se posicionar e se identificar em um desses extremos.

Maria Júlia Brasileiro

A jovem enxerga uma espécie de “maniqueísmo na política”: “se você está de um lado X, vê um mal absoluto no lado Y, e vice-versa, retirando de nós a capacidade crítica de julgar, questionar, cobrar, concordar e também discordar”.

Endy Leme, de 16 anos, acrescenta que é importante que sua geração pare de colocar a esquerda e a direita como se fossem um candidato ou outro e passe a olhá-las como orientações do espectro político. “Precisamos pesquisar mais sobre o tema e se aprofundar para entender os diferentes pensamentos, em vez de só achar que esquerda é só sobre Lula e direita, Bolsonaro”, explica.

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Não é à toa que, para Júlia Passos, de 18 anos, a primeira coisa que vem à sua cabeça quando fala a palavra “política” é: “debate, briga e discussão por causa de candidatos”. “O que mais me incomoda é quando alguém concorda cegamente com o político de estimação, sem pensar duas vezes”, reclama.

As redes sociais ajudam ou atrapalham?

Quando questionados sobre a relação entre política e redes sociais, a opinião foi unânime. Os jovens da Galera CAPRICHO acreditam que o algoritmo das plataformas influencia, sim, a maneira como os jovens enxergam a política. “A forma como nos relacionamos com os conteúdos apresentados tem forte influência nas nossas decisões e visões políticas, especialmente porque crescemos digitalizados e as redes sociais tornaram-se nosso principal meio de expressão”, responde Lívya Nascimento.

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A jovem de 18 anos diz que o período eleitoral é um momento em que ela se mantém mais informada e, ao mesmo tempo, “cansada de tanta poluição sonora, quantidade de campanhas”. “Sem contar com a preocupação com os resultados e o futuro”, acrescenta. Para decidir se pode confiar ou não em um conteúdo que aparece no seu feed, Lívya costuma conferir a fonte da informação, se é gerado ou não por IA, se tem linguagem sensacionalista ou informação sendo repassada pela metade para não dar engajamento ou ficar mal informada.

A dinâmica veloz das redes sociais também pressiona os jovens. “Existe uma pressão pra tomar um partido (seja posição ou partido político mesmo) de maneira muito rápida, mesmo que nós não tenhamos averiguado mais sobre o assunto e entendido de fato”, aponta Pablo Zanoto, de 18 anos. Ao mesmo tempo que a internet aumentou o acesso à informação e ao conhecimento, ela também passou a exigir ainda mais senso crítico.

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“A educação é um ponto muito importante, principalmente na era digital em que vivemos”, diz Pablo. “É muito importante escolher candidatos que tenham projetos sólidos para educação, pois ela é a base de qualquer pessoa. E educar propriamente os mais jovens fará com que sejam adultos mais capazes e conscientes”, completa.

Juventude e política combinam, sim (e muito)

Luiza Salles já tem 18 anos, mas, desde muito nova, a política fez parte da sua vida. “Vem de berço. Cresci em um ambiente onde sempre foi normalizado levantar essas pautas, discutir, questionar e entender, principalmente após assistir ao jornal. Sinto que isso influencia muito a maneira de lidar com algo tão polêmico”, conta. 

Ela enxerga, no entanto, que alguns adultos desmerecem a relação dos adolescentes com a política, descrevendo o posicionamento como um  discurso de “adolescente rebelde”. “Óbvio que um jovem de 15 não terá a maturidade de um adulto de 40, mas nem por isso somos os mais avulsos e desinformados”, retruca. 

É extremamente necessário que sejamos questionadores na esfera política, mesmo que exagerando às vezes, porque somos a geração futura do país.

Luiza Salles

Aos 18 anos, Giulliana Milani sente que ela e a maioria dos jovens estão entrando na vida adulta em um momento de muitas possibilidades, mas também de muitas incertezas. “A gente vive cercado de informação, redes sociais, inteligência artificial e novas tecnologias, enquanto ainda tenta descobrir como estudar, trabalhar, ter independência financeira e construir um futuro”, explica.

“Acho que existe uma geração inteira tentando construir uma vida em um cenário que já é muito diferente daquele que nossos pais viveram. Então é importante pensar nas condições que vamos ter para estudar, trabalhar, criar e existir com liberdade”, acrescenta.

Para ela, a política está em tudo também. No essencial, claro: ter acesso à saúde, alimentação, moradia, segurança e educação. Mas também em ter o direito de se expressar, de amar, de criar, de escolher quem quer ser e de ocupar espaços sem sentir que precisa abrir mão de alguma parte de si mesma. É com isso em mente que Giulliana, Madu, Júlia, Pablo, Luiza, Lívya e milhões de jovens devem ir às urnas no próximo domingo. 

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