Por que é importante acompanhar seu ciclo menstrual desde cedo

O ciclo menstrual dura, em média, 28 dias Freepik/Reprodução


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ara muitas garotas, acompanhar o ciclo menstrual está atrelado a evitar ou planejar uma gravidez. Mas os benefícios desse hábito vão muito além disso. Na verdade, conhecer o ciclo traz vantagens para a saúde da mulher. E, sim, isso também vale para adolescentes que não iniciaram a vida sexual também, viu?

Rosana Maria Dos Reis, presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia na Infância e Adolescência da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia destaca à CAPRICHO que se trata de conhecer o corpo. Ou seja, por meio do acompanhamento do ciclo menstrual, jovens conseguem entender oscilações de humor, alterações na pele, como aparecimento de espinhas, relacionadas às variações dos hormonais.

Vale lembrar que a menstruação, que é o período de sangramento, costuma durar de 3 a 5 dias dentro de um ciclo de 28 a 30 dias. No entanto, essa média de tempo pode variar de mulher para mulher. O ciclo inteiro é dividido em quatro fases: fase menstrual, fase folicular, fase ovulatória e fase lútea (saiba mais sobre cada uma delas neste outro texto aqui).

O primeiro dia do seu ciclo é quando você menstrua. O sistema reprodutor da mulher repete um padrão comum desses eventos controlados por hormônios, que se repetem todo mês. E é aí que está: cada fase do ciclo menstrual apresenta variações hormonais que influenciam o corpo e as emoções de maneiras distintas, por isso é interessante conhecer seu corpo.

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A ginecologista acrescenta outro motivo: “o ciclo menstrual costuma ser alvo de distúrbios hormonais, alimentares e psicossociais, e pode ser um dos primeiros a dar o alerta, com manifestação de irregularidade no padrão de sangramento e intervalo entre os ciclos”. Além disso, também existe a questão da previsibilidade. Conhecendo o ciclo, é possível saber quando a menstruação vai ocorrer para se preparar para ter absorventes “à mão”, por exemplo.

O que você precisa prestar atenção no seu ciclo menstrual

Segundo Rosana, conhecer o ciclo menstrual significa observar quatro informações básicas mês a mês:

1. Calendário do sangramento: o dia exato em que a menstruação começou (Dia 1 do ciclo) e quantos dias ela durou;

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2. Intensidade do fluxo: se o sangramento foi leve, moderado ou muito intenso (por exemplo, se precisou trocar o absorvente muitas vezes ou se teve cólicas fortes);

3. Sintomas físicos e emocionais: surgimento de espinhas, dor nas mamas, dor de cabeça, irritabilidade, desânimo ou picos de energia;

4. Secreção vaginal (muco): observar se ao longo do mês há dias em que a calcinha fica mais úmida ou se surge uma secreção transparente e elástica (parecida com clara de ovo), que indica a proximidade da ovulação.

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Mas como posso acompanhar meu ciclo menstrual, CH?

Sophia teve sua menarca (primeira menstruação) aos 10 anos. Seus pais, Rômulo Gomes e Verônica Tarsitano, queriam ajudá-la a passar pela adaptação da melhor forma, com acolhimento e informação. Mas, no meio do caminho, a família se deparou com um vazio na busca por conteúdos para a filha: havia informações sobre saúde feminina, mas poucas explicavam a chegada da menstruação de forma acessível para crianças.

Verônica conta à CAPRICHO que sempre teve o hábito de fazer anotações sobre seu período menstrual, já que sempre sofreu com muitas dores, então era necessário acompanhar os sintomas. “Queria entender o quanto antes eu ia ter dor para eu me preparar, porque realmente as minhas dores sempre foram muito incapacitantes”, diz. Quando a filha menstruou pela primeira vez, ela sabia que o ciclo não seria regular: poderia vir em um mês e no outro não, por exemplo. A mãe foi explicando isso aos poucos para a garota.

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Até que Sophia chegou com uma demanda: “Mãe, eu quero entender quando minha menstruação vem”. Ela já fazia apresentações de balé e queria estar “preparada” para que o sangramento não fosse um problema. Foi ao buscar ferramentas para ajudar a filha a acompanhar o ciclo que Verônica percebeu um segundo problema: os aplicativos tradicionais com esse intuito traziam conteúdos inadequados para a idade da menina, além de estarem atrelados à questão da fertilidade.

Foi assim que surgiu a ideia de Rômulo e Verônica criarem um aplicativo que incentive a auto-observação das jovens sobre esse novo momento da vida, com um nome em homenagem à filha: Sosô: Ciclo sem Drama. A tecnologia desenvolvida no aplicativo permite que os primeiros períodos menstruais fiquem registrados para consulta. Além de incentivar uma rotina de auto-observação na criança, as informações contribuem para uma análise médica sobre o ciclo biológico e também para o entendimento das famílias diante de cada caso.

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Para entender melhor as flutuações hormonais no corpo, a ferramenta ajuda a mapear as variações de humor, como irritabilidade, tristeza e alegria, promovendo a compreensão das diferentes fases desse período. Toda essa experiência é pensada para a criança e protegida por uma política de segurança digital alinhada ao setor infantojuvenil.

Rosana aponta que aplicativos são ótimos diários digitais para registrar datas, mas vale entender os limites dessas ferramentas. “Eles baseiam as previsões (como o dia exato da próxima menstruação ou do período fértil) em algoritmos que assumem que o corpo feminino funciona como um reloginho”, explica a ginecologista.

“Como o sistema hormonal da adolescente ainda está amadurecendo, o ciclo varia de mês para mês por fatores comuns como noites mal dormidas, estresse de provas escolares, resfriados ou mudanças na alimentação”, completa, dizendo que o aplicativo deve ser usado para registro histórico.

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