Miss Jamaica processa Miss Universo quase um ano após queda no palco e revela sequelas

O relato foi feito nas redes sociais da modelo. (Foto: Reprodução / Instagram)

Quase um ano após sofrer uma grave queda durante o Miss Universo 2025, Gabrielle Henry, representante da Jamaica na competição, entrou com uma ação judicial contra a Miss Universe Organization e duas empresas ligadas à entidade. De acordo com a People, o processo foi protocolado na segunda-feira (21), no Tribunal Superior de Delaware, nos Estados Unidos, e acusa os envolvidos de negligência e de falhas relacionadas à segurança do palco.

A ação apresenta cinco alegações: negligência, responsabilidade pelas condições do local, contratação, retenção e supervisão negligentes e imposição negligente e intencional de sofrimento emocional. Gabrielle também busca indenização por prejuízos médicos, perda de capacidade de trabalho e oportunidades profissionais.

O processo se refere ao acidente ocorrido em 19 de novembro de 2025, durante a etapa preliminar do concurso, na Tailândia. De acordo com a versão apresentada pela jamaicana à Justiça, ela seguia uma coreografia previamente ensaiada quando caiu por uma abertura do palco que estaria “sem sinalização e descoberta”. A estrutura, segundo a ação, também continha equipamentos de iluminação e concreto.

Gabrielle afirma ainda que a iluminação intensa direcionada a ela prejudicava sua visibilidade durante o desfile. O processo sustenta que outras candidatas já haviam demonstrado preocupação com as condições de iluminação e da estrutura antes do acidente.

Relembre o momento:

Queda provocou lesões graves

A queda, de aproximadamente 1,5 metro, fez Gabrielle perder a consciência e provocou um traumatismo craniano, além de hemorragias intracranianas, fratura e lacerações no rosto. Na época, a própria Organização Miss Universo informou que a jamaicana havia sido internada em estado crítico e permanecia sob acompanhamento neurológico especializado.

A organização também afirmou, em comunicado divulgado em dezembro de 2025, que havia assumido as despesas hospitalares, médicas e de reabilitação da modelo na Tailândia, além dos custos relacionados à estadia da mãe e da irmã durante o tratamento. A entidade ainda disse que financiaria a transferência médica de Gabrielle para a Jamaica e os gastos futuros relacionados ao acidente.

Após meses de tratamento, Gabrielle continuou a enfrentar consequências do acidente. Segundo a ação judicial, ela apresenta sintomas neurológicos e cognitivos que exigem acompanhamento médico, reabilitação e cuidados contínuos.

A jamaicana também é médica oftalmologista e, segundo o processo, não conseguiu retomar sua residência médica após o acidente. A ação afirma que as consequências da queda afetaram sua capacidade profissional e suas perspectivas de carreira, motivo pelo qual ela também pede reparação por perdas financeiras e oportunidades de trabalho.

Miss se pronuncia

Em fevereiro deste ano, Gabrielle publicou registros do seu tratamento e falou sobre o as dificuldades que enfrentou após o acidente. “Aprendi que uma queda pode descobrir uma profundidade de força que você não sabia que possuía. Minha maior força tem sido escolher me levantar, mesmo enquanto ainda estou na jornada”, disse.

Em outro trecho, a Miss também agradeceu aos profissionais de saúde que a ajudaram. “Estou profundamente grato aos profissionais de saúde que continuam a guiar-me para frente. De neurocirurgiões e neurologistas a enfermeiros e fisioterapeutas, na Tailândia e na Jamaica, cada um tem desempenhado um papel vital. Seu cuidado, precisão e encorajamento constante me sustentaram em momentos de incerteza. É preciso intenção estar ao lado de alguém no seu ponto mais baixo e ajudá-la a mover-se passo a passo em direção ao seu mais alto”, declarou.

Veja:

O relato foi feito nas redes sociais da modelo. (Foto: Reprodução / Instagram)

Organização contesta responsabilidade

Procurada pela People, a organização do concurso afirmou que não havia sido oficialmente notificada sobre o processo e, por isso, não poderia comentar alegações que ainda não havia recebido. A entidade, no entanto, contestou a atribuição de responsabilidade pela estrutura utilizada no concurso.

Segundo a organização, a produção do Miss Universo 2025 na Tailândia — incluindo o local, o palco e a segurança no evento — estava sob responsabilidade das entidades anfitriãs e de produção, entre elas a Miss Grand International (MGI) e o Miss Universe Thailand, sob direção de Nawat Itsaragrisil.

A organização também afirmou que interveio após o acidente para pagar as despesas hospitalares de Gabrielle e, posteriormente, seu tratamento em um hospital especializado na Jamaica. Além disso, disse ter oferecido à médica uma posição como embaixadora de boa vontade da Miss Universe Organization, mas não teria recebido resposta.

A MGI, por sua vez, já havia apresentado uma versão diferente sobre o acidente. Segundo declaração divulgada também pela People, um representante afirmou que Gabrielle teria perdido a marcação de sua posição durante o desfile e talvez não estivesse olhando para a passarela. A entidade, contudo, negou que alguém tivesse culpado a jamaicana pelo ocorrido.



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