Deracre recupera acesso de produtores em 67 quilômetros de ramais em Epitaciolândia

Os serviços de melhoramento executados pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) abrangem 52 quilômetros da Estrada Velha e mais 15 quilômetros do Ramal do Km 7, em Epitaciolândia. As intervenções contam com recursos destinados quando a governadora Mailza Assis exercia o mandato de senadora e atendem moradores e produtores que utilizam os caminhos para circulação e transporte da produção.

Há 12 anos, o engenheiro agrônomo Francismarques dos Santos Araújo acompanha produtores que utilizam a Estrada Velha. Gerente de campo de produção da empresa Dom Porquito, ele trabalha diretamente com uma cadeia que reúne criação de suínos e aves, produção de milho, soja, gado e agricultura familiar.

“Eu já estou nessa rota há 12 anos, trabalhando com os produtores, e a melhora é drástica. É fato que a gente consegue ver uma mudança muito grande. Nos últimos invernos, principalmente, os produtores tiveram muita dificuldade aqui. Agora, com a melhoria dessa estrada, a gente consegue ver uma ação benéfica do Estado junto à cadeia produtiva e aos produtores rurais. Houve uma grande evolução.”

As condições anteriores da estrada também já provocaram problemas no transporte de insumos. Francismarques lembra de um caminhão carregado de ração que tombou durante o trajeto, causando perda da carga e prejuízo ao produtor.

“Já tivemos casos de caminhão tombar. O caminhão carregado de ração vinha para atender o produtor e, por conta da dificuldade do ramal, acabou tombando. Houve uma perda, um prejuízo, e o produtor não foi atendido em tempo hábil. Tivemos perdas, e isso mostra a dificuldade que a gente vinha enfrentando.”

Para quem trabalha com a produção rural, a condição do caminho interfere diretamente no tempo de deslocamento e na retirada da produção, principalmente durante o período de chuvas. O produtor Roberto da Silva Nascimento, 57 anos, trabalha com café, frango, soja e milho e lembra que os caminhões chegavam a levar quase uma hora para percorrer os cerca de 10 quilômetros até o asfalto.

“Caminhão, para sair daqui carregado e lá na cidade voltar, a gente esperava uma eternidade, porque não tinha condições de rodar. Eles gastavam uma hora daqui até a beira. Olha que são 10 quilômetros: o cara estava gastando quase uma hora daqui para sair no asfalto. Então, isso trazia muita angústia para a gente, porque a gente trabalha com aves. Se você pega um caminhão de frango, ele precisa ir para o abatedouro, depois descarregar, voltar e carregar de novo. Agora não. Agora eles estão com agilidade, agilizou, porque o caminhão vai e volta mais rápido, porque a estrada melhorou.”

Morador da região desde criança, Leandro Matos da Silva, 41 anos, também conhece a Estrada Velha de uma época em que o acesso era feito principalmente por carroça. Para ele, a mudança na estrada também aparece na valorização dos terrenos próximos ao caminho.

“Para a gente que vive aqui há muitos anos, antes era só acesso de carroça, porque carro mesmo ninguém nem sonhava. Você compra um terreno por R$ 30 mil, já está valorizado em R$ 50 mil. É muita valorização. Valorizou muito a terra. Para nós aqui, para nós mesmo, que já conhece há muitos anos, para nós é um sonho isso aí. Por causa disso, que a gente ficou isolado. Ela só tinha acesso aqui, só até o 15. Do 15 para lá, tu não andava.”

No Ramal do Km 7, onde foram executados 15 quilômetros de serviços de melhoramento, a percepção dos moradores também está ligada às condições de acesso. Aos 71 anos, Badilia Santiago Barbosa de Araújo mora na região há mais de 40 anos e acompanhou outras intervenções realizadas no local.

“Eu dou os parabéns aos trabalhadores do Deracre, porque aqui ficou muito bom. Nunca tinha ficado assim. Na outra vez que eles vieram, há uns dois anos, eu acho, fizeram um pedaço aqui e outro ali, mas não ficou desse jeito que está agora. Foi sempre um lugar para onde eu vim em busca de paz. Desde que a gente entra lá, eu só fui até determinado ponto, e está tudo do mesmo jeito, bem feito.”

Francismarques destaca que, durante a execução dos serviços, a chuva chegou a dificultar a retirada de alguns produtos, mas as demandas apresentadas à equipe do Deracre foram atendidas. Para ele, a manutenção é importante para preservar o resultado alcançado.

“Agora, o recado que deixo ao Deracre e a toda a equipe do órgão é que esse trabalho não fique somente neste momento. Que continue a manutenção, porque foi feito um trabalho lindo, maravilhoso, e nós não podemos perder o que foi feito. É importante que haja sempre a manutenção, a visita do órgão e o cuidado para preservar esse serviço. Foi aplicado um recurso, foi feito um trabalho muito bom, e a gente precisa tentar manter isso pelo máximo de tempo possível. Porque não é só fazer; agora é manter esse trabalho.”

Da redação ac24horas

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