Caso Isabelle Caracristi: Estudante teria descoberto que o namorado ainda era casado durante relacionamento

João durante seu casamento. (Foto: Reprodução/ Redes sociais)

Novos detalhes sobre o relacionamento de Isabelle Caracristi, de 22 anos, vieram à tona em meio às investigações sobre a morte da estudante, em Fortaleza. Segundo o Diário do Nordeste, a jovem teria descoberto, semanas após começar a namorar João Munhoz Neto, que ele ainda era casado. Nesta terça-feira (22), o jornal revelou documentos sobre o casamento e informações prestadas à Polícia Civil por um familiar próximo de Isabelle.

A jovem e João já se conheciam da faculdade, mas teriam se aproximado em julho deste ano, quando a universitária começou a estagiar no escritório de advocacia onde ele trabalhava. De acordo com o jornal, ela passou a trabalhar diretamente com João e, menos de dez dias depois, contou à mãe, Isorlanda Caracristi, que os dois estavam namorando.

Documentos obtidos pelo veículo apontaram que João havia se casado com uma fisioterapeuta em 6 de janeiro de 2025, em Iguatu, no interior do Ceará. O divórcio consensual só foi formalizado em 12 de agosto de 2026, quando ele já mantinha um relacionamento com Isabelle. Até o fim do casamento, a ex-esposa tinha como endereço oficial o Condomínio La Piazza, mesmo edifício para o qual a estudante posteriormente se mudou com o namorado e familiares dele.

Ao g1, a advogada de João, Lígia Peixe, confirmou que ele era casado, mas afirmou que Isabelle sabia da situação. “[Ele] é casado. Ele, em nenhum momento, negou para ela. Talvez por isso, a mãe [da Isabelle] não goste dele”, declarou. Questionada se o namoro poderia ser considerado extraconjugal, a defensora disse que João já estava separado de fato da esposa. “Não digo tanto, porque ele estava separado de fato da esposa. Não nos papéis, mas existe já o procedimento de divórcio amigável”, acrescentou.

João durante seu casamento. (Foto: Reprodução/ Redes sociais)

A informação de que João havia sido casado também teria sido mencionada pela própria Isabelle em um áudio enviado a um familiar, identificado pelo jornal como uma pessoa próxima e confidente da jovem. A gravação, de aproximadamente 13 minutos, foi apresentada à Polícia Civil. Conforme o depoimento desse familiar, Isabelle afirmou ter descoberto havia pouco tempo que o namorado tinha sido casado oficialmente.

No mesmo áudio, a universitária teria feito desabafos sobre o relacionamento. Isabelle teria dito que se sentia explorada e mencionado “jogos emocionais” e ameaças. A jovem também teria deixado um alerta ao familiar. “Se qualquer coisa vier a acontecer comigo, aquele áudio era uma prova. Não acredite nele”, chegou a dizer.

Cerca de uma semana antes da morte, Isabelle já teria procurado esse mesmo familiar para falar sobre o namoro. A testemunha contou à polícia que a estudante afirmou que “não suportava mais” determinadas atitudes de João. Durante a conversa, o parente disse ter ouvido o homem mandar que Isabelle desligasse o telefone. “Estou mandando”, ele teria dito. “Você não manda em mim”, teria respondido a universitária.

As novas informações apareceram enquanto a Polícia Civil investiga a morte de Isabelle, ocorrida no dia 13 de setembro, no Condomínio La Piazza, no bairro Aldeota, em Fortaleza. Nesta terça-feira (22), João foi preso preventivamente em um condomínio no mesmo bairro. Segundo o g1, a ordem de prisão tem como base os artigos 122 e 147 do Código Penal, relacionados, respectivamente, a induzir ou instigar alguém ao suicídio ou à automutilação e a ameaça. O Tribunal de Justiça do Ceará informou que os procedimentos relacionados à investigação tramitam em segredo de Justiça.

Isabelle morreu no dia 13 de setembro. (Foto: Reprodução/ Instagram)

A defesa de João criticou a prisão e afirmou ter sido surpreendida pela medida. Lígia declarou que o cliente havia se apresentado voluntariamente no dia anterior e entregado o celular aos investigadores. “Ontem ele se apresentou voluntariamente, entregou o celular, eu deixei meus telefones, disse que a hora que precisassem ouvi-lo, ele estaria em qualquer lugar para ser ouvido. Demos o endereço e, de repente, a gente é surpreendido com isso”, declarou ao g1. A advogada também disse que João está fragilizado desde a morte de Isabelle e fazendo uso de medicamentos.

No dia anterior à prisão, Isorlanda prestou depoimento por cerca de quatro horas no 2º Distrito Policial de Fortaleza. Na ocasião, áudios de conversas de Isabelle com amigos e familiares foram apresentados aos investigadores. As advogadas da família também informaram que exames periciais descartaram a hipótese de que a estudante estivesse grávida no momento da morte, possibilidade que havia sido levantada anteriormente pelo irmão dela.

Isabelle foi encontrada morta no pátio do condomínio onde vivia. A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) identificou no corpo lesões “compatíveis com o impacto contra o solo”. De acordo com o Diário do Nordeste, a jovem caiu do rooftop do edifício, localizado no 23º andar, e exames toxicológicos não identificaram substâncias de interesse.

Câmeras de segurança mostraram que João deixou o condomínio por volta das 18h32. Às 19h12, Isabelle foi registrada sozinha no elevador, com o celular na mão, seguindo em direção à cobertura. A queda ocorreu por volta das 20h40, e João retornou ao edifício às 22h48. As circunstâncias da morte continuam sob investigação da Polícia Civil.



Siga o Hugo Gloss no Google Discover e acompanhe nossas notícias

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Threads
Telegram
Print
LinkedIn

Siga nossas Redes Sociais

Leia também