

As eleições de 2026 serão as primeiras para milhares de adolescentes brasileiros. Para quem tem 16 ou 17 anos, o voto é facultativo, mas pode representar o início de uma participação mais ativa na vida política do país, viu?
Ainda assim, muita gente chega a esse momento sem entender exatamente o que faz um deputado, um senador ou um governador e como essas escolhas influenciam questões que fazem parte da nossa, como educação, saúde mental, direitos e oportunidades no mercado de trabalho.
Cerca de 5,8 milhões de adolescentes de 16 e 17 anos têm idade para participar das eleições de 2026. Nessa faixa etária, o voto é facultativo, mas quem emitiu o título de eleitor dentro do prazo poderá participar da escolha de presidente, governadores, senadores e deputados. Até o momento, o TSE ainda não divulgou quantos eleitores estarão aptos a votar neste ano, ou seja, que realizaram o alistamento eleitoral pela primeira vez.
Foi pensando nesse público que a Gestão Kairós, uma organização focada em sustentabilidade e diversidade, lançou a nova edição da cartilha Voto Inclusivo, um material gratuito que explica, em linguagem super simples, como funciona o sistema político brasileiro e propõe reflexões sobre representatividade e cidadania.
Para a CAPRICHO, Liliane Rocha, fundadora e CEO da organização, e mestre em Políticas Públicas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), compartilhou orientações para quem está prestes a votar pela primeira vez. E a gente te conta tudo abaixo no CH na Eleição:
1. Comece pelos problemas que realmente importam para você
Antes mesmo de pesquisar candidatos, Liliane sugere fazer um exercício simples: entender quais temas mais afetam sua vida e sua comunidade. “Educação? Emprego? Segurança? Meio ambiente? Saúde mental? Transporte? A partir disso, é importante procurar quem apresenta propostas concretas para essas questões”, explica. Segundo ela, escolher um candidato sem refletir sobre as próprias prioridades pode fazer com que a decisão seja guiada apenas pela popularidade nas redes sociais.
2. Representatividade importa, mas não basta
Nos últimos anos, temas como raça, gênero, diversidade e direitos humanos ganharam espaço entre os jovens, e isso também aparece nas conversas sobre política. Para Liliane, é importante que os espaços de decisão reflitam a pluralidade da sociedade brasileira. Ao mesmo tempo, ela ressalta que votar apenas porque um candidato tem características parecidas com as suas não garante, por si só, uma boa escolha. “O fundamental é assegurar que as propostas digam respeito a todos, afinal, não há país que vá bem quando uma parcela significativa da população vai mal.” A cartilha destaca que diversidade e inclusão ajudam a ampliar diferentes perspectivas dentro dos espaços de decisão e incentivam uma representação mais próxima da realidade brasileira.
3. Desconfie de promessas bonitas e pesquise o histórico
Na opinião da especialista, uma boa forma de diferenciar identificação genuína de marketing político é olhar para o que cada candidato já fez. “É fundamental se atentar mais para o que é feito pela candidata e pelo candidato do que ao que é falado.” A especialista recomenda pesquisar projetos apresentados durante mandatos anteriores, verificar se houve coerência entre promessas e ações e entender se aquela atuação realmente conversa com os temas defendidos durante a campanha.
4. Entenda o que cada cargo faz
Nem toda promessa de campanha pode ser cumprida por qualquer político. Por isso, conhecer as atribuições de cada cargo ajuda a avaliar melhor o que faz sentido ou não durante o período eleitoral. “A pessoa precisa entender qual é a função de cada cargo político. Não adianta um candidato prometer algo que nem faz parte de suas responsabilidades”, afirma Liliane.
Aqui na CAPRICHO, com o CH na Eleição, a gente já te explicou parte deles e o conteúdo ainda está disponível para você assistir a hora que quiser:
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5. Não transforme política em torcida
Para a especialista, a polarização faz com que muitos jovens sintam que precisam escolher um lado o tempo todo, o que pode dificultar debates mais produtivos. “Só há um lado: o do direito dos cidadãos”, pontua. Participar da política não significa apoiar qualquer atitude de um candidato, mas acompanhar seu mandato e cobrar resultados, combinado?
6. Ouça opiniões diferentes
Liliane acredita que a política deveria incentivar mais diálogo do que confronto. “Os jovens falam mais sobre política hoje, mas quase sempre são compelidos a tomar um lado e brigar por um campo de ideias. Quase nunca são incentivados a refletir sobre diferentes perspectivas”, diz. Ou seja, conhecer opiniões diversas e buscar diferentes fontes de informação ajuda a construir um voto mais consciente.
7. Faça três perguntas antes de decidir seu voto
Para quem ainda não sabe por onde começar, Liliane propõe três perguntas simples:
- Esse candidato realmente conhece os problemas que impactam minha vida?
- O histórico dessa pessoa combina com o que ela promete?
- Estou escolhendo baseado em informação ou apenas na emoção, na influência das redes sociais ou na pressão do grupo?
“É importante ouvir diferentes fontes, checar informações e não decidir apenas por viralização, fama ou identificação momentânea”, conclui. E aí? Já se sente preparado (a) para votar em outubro?




