Esposa de Lito Sousa se pronuncia sobre especulações de privilégio para acesso a remédio experimental

Mila Seidl ao lado de Lito Sousa. (Foto: Reprodução/ Instagram)

Neste sábado (5), Mila Seidl, esposa de Lito Sousa, voltou a falar sobre a autorização para importar o ALN-6457, medicamento experimental que será utilizado no tratamento da doença de Creutzfeldt-Jakob. Diante de questionamentos sobre um suposto privilégio para que o marido tivesse acesso à substância, a empresária negou qualquer favorecimento e afirmou que o caminho percorrido pela família está previsto nas regras para uso compassivo de medicamentos.

Mila explicou que a própria família, junto aos médicos responsáveis pelo acompanhamento de Lito, conduziu os contatos necessários com a farmacêutica. Para ela, o procedimento pode servir de orientação a outras pessoas que enfrentam doenças raras e não encontram alternativas de tratamento. “Isso não é uma regalia nossa. É um direito de qualquer pessoa que está numa situação semelhante. A dificuldade é que essas informações não são claras”, declarou.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou na sexta-feira (4) a importação do ALN-6457, substância experimental desenvolvida pela farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals. A decisão ocorreu de maneira excepcional porque o produto ainda não possui registro comercial ou representante legal no Brasil.

Mila Seidl ao lado de Lito Sousa. (Foto: Reprodução/ Instagram)

Além disso, o ALN-6457 permanece em fase pré-clínica para o tratamento de doenças priônicas. Ou seja, os estudos formais em seres humanos ainda não foram iniciados. A autorização, portanto, não representa a criação de uma regra específica para Lito, mas a aplicação do mecanismo de uso compassivo, destinado a pacientes com doenças graves que não possuem alternativas terapêuticas disponíveis.

Para fundamentar a solicitação, Mila contou que reuniu, em parceria com a equipe médica que acompanha o influenciador, exames, documentos científicos e materiais disponibilizados pela própria farmacêutica: “A gente apresentou bastante documentação, estava bem robusto. Eu me preparei bastante. A gente estava bem munido com os documentos que a farmacêutica passou, com os exames, com tudo científico mesmo”. 

O processo de importação foi apresentado formalmente pelo Einstein Hospital Israelita, onde Lito vinha sendo acompanhado. Antes de recorrer ao uso compassivo, no entanto, a família tentou uma incluir o influenciador em um estudo experimental. A tentativa não avançou porque, segundo Mila, não havia mais vagas.

A empresária ressaltou que a negativa não ocorreu por Lito não atender aos critérios necessários para participar da pesquisa. “A gente participou dos estudos e foi negado. Não porque ele não preenchia os requisitos, mas porque estava tudo fechado. Então, a gente seguiu para outro caminho, que é o uso compassivo do medicamento”, afirmou.

O influenciador e piloto foi diagnosticado com a doença que é rara e sem cura. (Foto: Reprodução/YouTube)

Foi então que a família passou a procurar outra maneira de obter acesso à substância: “Conseguimos por meios próprios o contato de outra farmacêutica, fizemos uma reunião com eles e, porque o caso do Lito é muito interessante, eles liberaram o uso compassivo. Aí eu fui atrás de todo o processo”.

Depois da autorização da farmacêutica, ainda foi necessário cumprir uma série de etapas regulatórias. O processo envolveu a empresa responsável pelo medicamento, o hospital que acompanha Lito, a Anvisa, o Ministério da Saúde e a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos. As autorizações necessárias foram buscadas tanto em território norte-americano quanto no Brasil.

A esposa do influenciador também reagiu às informações de que autoridades ou empresários teriam participado da obtenção do medicamento. Segundo ela, não houve interferência de ministros, da Anvisa ou de empresários para viabilizar o acesso à substância: “Tem gente falando que teve dedo de ministro para conseguir a medicação, que empresário rico financiou, que a Anvisa conseguiu. É a última vez que eu vou explicar: quem conseguiu a medicação fomos eu e o Lito”.

Segundo a empresária, o processo não contou com dinheiro público ou financiamento de outras pessoas. “Não tem um centavo de dinheiro público, não tem um centavo de outra pessoa nisso. Vocês não me viram abrindo vaquinha nem nada”, garantiu.

Piloto e influenciador Lito Sousa. (Foto: Reprodução/ YouTube)

A intenção da esposa de Lito agora é compartilhar o caminho percorrido pela família para que outras pessoas em situações semelhantes tenham mais informações sobre a possibilidade de solicitar tratamentos experimentais: “Eu tive que correr muito atrás para conseguir isso […] Talvez isso traga luz para, a partir de agora, rever esses processos e criar fluxos um pouco mais rápidos para outras famílias”.

A urgência do quadro de Lito também foi considerada pelos órgãos envolvidos na análise. “Mesmo esse fluxo mais rápido levou cerca de uma semana. E, em uma semana, a gente perdeu algumas coisas. Mas eu entendo que eles também têm que estar respaldados de que estão fazendo a coisa certa. Não podem simplesmente canetar, precisam analisar”, disse.

Apesar da autorização, ainda não há comprovação de que o ALN-6457 seja seguro ou eficaz contra a doença de Creutzfeldt-Jakob. O remédio continua na fase pré-clínica e ainda não existem resultados de estudos realizados em seres humanos que demonstrem sua capacidade de interromper ou curar a doença.

Creutzfeldt-Jakob

A mobilização para os tratamentos experimentais ganhou força após Lito aparecer pela primeira vez nas redes sociais desde a divulgação do diagnóstico. O piloto foi diagnosticado com Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma doença rara, sem cura e de rápida progressão.

A doença, conforme o Ministério da Saúde, pode provocar sintomas como demência, perda de memória, tremores e outros comprometimentos neurológicos. Apesar da deterioração física, Mila ressaltou que o marido permanece lúcido. “A cabeça dele está íntegra. Íntegra. Isso, por si só, já é um milagre. É só o corpo físico que está ficando cada dia mais debilitado”, explicou ela, quando tornou pública a condição.

Segundo Mila, um médico orientou Lito a aproveitar essa “janela” de lucidez para conversar, fazer planos e passar tempo com a família. “É uma doença muito rara, que não tem tratamento. Ela normalmente começa com um quadro de demência e depois vai evoluindo para as perdas motoras. E o quadro dele não foi assim. Além de ser uma doença rara, o caso dele ainda não é típico. Ele começou de outra forma. Então, a gente ficou esperando por esse resultado, que demora semanas”, concluiu a esposa do influenciador.



Siga o Hugo Gloss no Google Discover e acompanhe nossas notícias

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Threads
Telegram
Print
LinkedIn

Siga nossas Redes Sociais

Leia também