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streamer GH Rell RJ rebateu, neste sábado (5), a acusação de que teria sido homofóbico com o ator de Quem Ama Cuida, João Victor Gonçalves, na entrada no Rock in Rio, na noite de sexta-feira (4). No vídeo, publicado em suas redes sociais, o streamer afirma não ter preconceito contra o ator e repete não ter gostado da roupa dele.
“A minha opinião, mano, vai continuar sendo a mesma, eu não gostei da sua calça. Onde eu moro, irmão, é dentro de uma comunidade, é muito difícil a gente ver um estilo desse. Então, quando eu vi, eu fiquei eu fiquei perplexo, eu fiquei abismado e eu ri mesmo. E essa vai continuar sendo a minha opinião”, diz.
O streamer ressaltou que as risadas teriam sido direcionadas somente à roupa de João Victor. “Em nenhum momento eu fui homofóbico com você, eu não me referi à sua orientação sexual”. GH ainda apontou que o ator “também tem que se retratar” porque ele teria sido racista.
“Como que eu vou te roubar, irmão, num evento onde tinha muito segurança? Por que você estava com medo de ser roubado? Por causa da minha cor? É porque eu sou preto?”, afirmou GH em referência a fala de João Victor onde ele diz ter se sentido acuado e apreensivo pela sua segurança.
“Eu não vou mudar minha opinião, irmão, não gostei da tua calça e ainda continuo rindo, achei muito engraçado. Pegou a visão? Essa é a minha opinião. E é isso, mano. Se você se ofendeu, eu errei de ter te gravado, mas a minha opinião sobre a calça é a mesma”, reafirmou o streamer.
Ao final do vídeo, ele ainda relaciona a investigação sobre o caso, solicitada por Erika Hillton ao Ministério Público, ao Partido dos Trabalhadores (PT), declarando apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Por isso eu amo o Bolsonaro mesmo. Para você ver como o PT é sujo, Bolsonaro está preso injustamente! Me diz um crime aí que o Bolsonaro cometeu”.
Horas depois, o streamer excluiu o vídeo de suas redes sociais e compartilhou uma série de stories, onde assegura, novamente, que não teve “intenção de ser homofóbico” e pede desculpas ao ator. “Eu decidi apagar o meu pronunciamento porque já reconheci o meu erro e pedi desculpas pelo que aconteceu. Não quero continuar me envolvendo nessa polêmica nem alimentar ainda mais essa situação”, diz, relatando estar recebendo críticas de cunho racial.
Em resposta, João Victor, por meio de um comunicado emitido pela sua assessoria e compartilhado no Instagram, reitera ter sido vítima de “hostilização motivada por suas vestimentas, em clara relação à discriminação por sua orientação sexual”. “O deboche público motivado pela não conformidade da vestimenta com padrões normativos de gênero, exposto e amplificado por meio de transmissão ao vivo, constitui ato discriminatório grave, independentemente do uso de termos pejorativos diretos”, afirma a nota.
Sobre a acusação de racismo, o comunicado afirma que a fala do ator sobre ter pensado em sua segurança é uma “reação legítima de autoproteção, plenamente justificável diante do contexto fático: ausência de segurança no local, superioridade numérica dos agressores (quatro contra um) e a natureza intimidatória da abordagem”. “Não há nexo entre o receio manifestado e qualquer elemento de cunho racial”, ressalta.
Relembre o caso
Na noite desta sexta-feira (04), João Victor estava a caminho do Rock in Rio quando passou por três homens, entre eles o streamer GH Rell RJ, que transmitiu a interação em live no aplicativo Kirk. Os rapazes, ao avistarem o ator, começaram a apontar para suas roupas, rir, debochar e hostilizá-lo, seguindo-o na rua durante alguns passos. “Tá horroroso”, “ih olhá lá”, são algumas das frases ditas por eles em meio a risadas.
O vídeo repercutiu nas redes sociais e, ainda na madrugada de sábado, João Victor, já em lágrimas, comentou brevemente sobre o caso nos stories do Instagram. “Tô vendo tá viralizando o vídeo do ataque que sofri no Rock in Rio. Eu estou bem. Não foi uma situação nem um pouco confortável, mas, na hora, só pensava em não ser roubado por aqueles pivetes e na falta de segurança no entorno do festival”, afirmou.
Em seguida, o streamer GH Rell RJ afirmou que sua live estava muito parada e que a interação teria sido “apenas entretenimento, pois estava com zero conteúdo”. Ele também ressaltou que não foi ou é homofóbico.
No vídeo compartilhado neste sábado, João Victor afirma que se sentiu acuado e, no momento, estava “pensando muito na minha segurança, tava acelerando o passo pra sair daquela situação, não sabia o que podia acontecer, qual era o próximo passo que aqueles garotos poderiam dar comigo”. Ele conta que chegou no festival depois das 22h porque passou o dia gravando a novela e precisava ir até o Rock in Rio para gravar conteúdo com uma marca.
O nervosismo para cumprir o trabalho, segundo ele, fez com que ele só tenha pensado sobre o que aconteceu quando chegou em casa. “Fui sentir e entender que tinha se tratado de uma agressão e de um ataque homofóbico”. O ator aproveita a situação para alertar o festival sobre a segurança na entrada, já que não parecia haver ninguém da organização e segurança do evento naquele espaço.
Ele, então, responde ao pronunciamento do streamer: “Esse garoto tem mais de 100 mil seguidores no Instagram, são 100 mil pessoas acompanhando esse tipo de entretenimento. Que viola, que machuca, que fere, que abusa”.
“Eu tenho visibilidade e passei por isso. E eu fico pensando, quantas pessoas que não tem essa visibilidade, quantas mulheres, homens, gays, pessoas trans, passam por isso e ninguém fala sobre e é tudo em prol do entretenimento”, desabafa. O ator agradece o carinho dos seus seguidores e de sua rede de apoio, e ressalta que o caso “não vai ficar para trás, não vai passar em branco”.
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Em uma intersecção entre a arte e a vida real, ele lembra que o seu personagem em Quem Ama Cuida, Mau Mau, luta pelo direito das pessoas de serem quem elas são sem sofrerem preconceito, onde quer que elas estejam. “E é isso que a gente quer, a gente quer poder simplesmente andar na rua, era exatamente o que eu tava fazendo”.
“É muito dolorido pra mim saber que eu sofri uma agressão como essa e me ver vulnerável pro pais inteiro. A gente merece respeito e a gente merece poder viver, pode andar até um festival sem ser agredido”, finaliza.
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