ARMY Help The Planet conta como foi representar o BTS em encontro com Lula

Diversos fandoms de divas pop e k-pop participaram da assinatura do decreto ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. Reprodução/Divulgação


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uem acompanha o universo do k-pop sabe que ser fã vai muito além de ouvir músicas, acompanhar lançamentos e esperar ansiosamente pelo próximo comeback do seu grupo favorito. Os fandoms também podem se transformar em importantes espaços de mobilização social – e o ARMY brasileiro é um ótimo exemplo disso. Em agosto de 2026, essa força coletiva chegou até o Palácio do Planalto, em Brasília.

Mariana Faciroli, advogada, mestra em Direito e Desenvolvimento pela USP e codiretora do ARMY Help The Planet (AHTP), o maior projeto brasileiro de ações socioambientais realizado pelo ARMY brasileiro em homenagem ao BTS, foi uma das representantes de fandoms convidadas para participar da cerimônia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decretos voltados à proteção dos consumidores na compra de ingressos para shows.

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As medidas incluem mecanismos para impedir a compra em massa de ingressos por robôs, além da individualização dos bilhetes e da garantia de autenticidade e rastreabilidade nas transferências. Os decretos também estabelecem a oferta gratuita de água em eventos.

O convite foi resultado de um processo de diálogo iniciado pela Secretaria Nacional de Juventude em maio, que reuniu representantes de diferentes fanbases para ouvir problemas enfrentados pelos fãs na compra de ingressos e suas reivindicações por mais transparência e segurança. “Os representantes das fanbases que participaram desse diálogo foram convidados para estar presente nesse momento importante”, explica Mariana à CAPRICHO.

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Para a advogada, estar no Palácio do Planalto representando o Army Help The Planet foi uma experiência especial, principalmente porque ela também acabou sendo escolhida para falar em nome dos fandoms durante a cerimônia. “Foi uma honra e um grande prazer estar na assinatura dos decretos como representante do Army Help The Planet e uma das integrantes do fandom do BTS que estavam presentes na ocasião”, conta.

“Não é todo dia que uma cidadã comum e membro da sociedade civil tem a oportunidade de estar no Palácio do Planalto, conhecer o Presidente da República, Ministros de Estado, deputados, além de outras autoridades, e ainda ter a chance de ter a palavra em uma cerimônia dessa magnitude.”

O convite para ser a oradora, porém, veio de surpresa e pouco antes do início da agenda institucional. Mesmo com pouco tempo para absorver a responsabilidade, Mariana encarou o desafio como uma oportunidade de representar não apenas os ARMYs, mas todos os fandoms que participaram das discussões. “Apesar do curto tempo para assimilar e o peso da responsabilidade, espero ter feito um bom trabalho representando não só o ARMY, mas todos os fandoms que lutaram para ter suas vozes ouvidas e colaboraram para a construção dos decretos.”

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Diversos fandoms de divas pop e k-pop participaram da assinatura do decreto ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.Reprodução/Divulgação

Fandom também é mobilização

Segundo Mariana, a importância da iniciativa está justamente em mostrar que os fandoms podem ocupar espaços de participação social e política. “Os fandoms representam uma nova força coletiva no cenário contemporâneo. Com sua capacidade de organização horizontal, mobilização rápida e engajamento emocional profundo, eles conseguem traduzir suas paixões individuais em ação coletiva de forma que as instituições tradicionais têm lutado para fazer”, explica.

“Sozinhos, enquanto indivíduos, nossa voz muitas vezes não tem força, mas em coletividade, ela ganha poder e alcance. No AHTP trazemos um lema que o BTS usa desde sempre que é “teamwork makes the dream work” e essa iniciativa é prova disso, de como a mobilização coletiva em prol de um objetivo em comum pode ter bons resultados. Isso é exercer seu papel de cidadão na democracia.”

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O que muda para quem quer comprar ingresso?

Entre as novas regras, uma das principais preocupações é impedir que robôs e outros sistemas automatizados comprem grandes quantidades de ingressos antes dos fãs que estão tentando realizar a compra manualmente. Na prática, a medida busca dificultar o chamado cambismo digital, quando ingressos são adquiridos em grande quantidade e depois revendidos por valores muito acima do preço original.

“É extremamente injusto desleal com fãs que estão tentando efetuar a compra, inserindo seus dados manualmente, disputar ingressos com máquinas que fazem a compra em segundos. A segunda medida é a da rastreabilidade dos ingressos nas transferências, que deve conferir maior segurança contra golpes na aquisição de ingressos de intermediários. Acredito que essas medidas ajudarão no combate ao cambismo digital, melhorando a experiência de compra para que os fãs de fato consigam os ingressos para ver seu artista favorito e não os cambistas. Mas é claro, precisamos continuar atentos e lutando, agora, pela efetividade das medidas propostas”, pontua.

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A participação de Mariana na cerimônia rapidamente repercutiu entre os fãs do BTS nas redes sociais. Segundo ela, a recepção dos ARMYs brasileiros foi enorme, especialmente depois das dificuldades enfrentadas durante a venda dos ingressos para os shows do grupo.

E a repercussão ultrapassou as fronteiras brasileiras. “Foi particularmente surpreendente que o assunto também está sendo comentado pelos ARMYs estrangeiros, que ficaram surpreendidos de ver um membro do fandom dialogando com o presidente da República”, conta. O momento também representa uma evolução da atuação do próprio Army Help The Planet, projeto que Mariana acompanha há sete anos.

Criado a partir da inspiração provocada pelas músicas e ações do BTS, o Army Help The Planet reúne ARMYs brasileiros em iniciativas voltadas para causas socioambientais. Ao longo dos anos, o projeto também passou a acompanhar ações relacionadas à defesa da democracia. Para a codiretora, um dos maiores aprendizados dessa trajetória foi perceber o potencial de transformação que existe quando fãs se organizam em torno de uma causa. “Meu maior aprendizado certamente é sobre o poder que a mobilização coletiva possui e o enorme poder que a arte possui de um catalisador de mobilização para causas tão importantes.”

Ela também destaca que esse movimento não acontece apenas no Brasil. ARMYs de diferentes partes do mundo têm desenvolvido iniciativas inspiradas pelo BTS. “Mesmo com sete anos no AHTP, isso nunca deixa de me maravilhar e me deixa extremamente feliz e grata de fazer parte de um fandom tão incrível quanto o ARMY”, completa.

Mariana Faciroli durante seu discurso no Palácio do Planalto representando o ARMY.Reprodução/Divulgação

Após essa mobilização, existe ainda outro momento muito aguardado pelos ARMYs brasileiros: a volta do BTS ao Brasil em outubro. Para Mariana, a expectativa é ainda mais especial porque sua última oportunidade de assistir ao grupo ao vivo aconteceu em 2019. “Espero ansiosamente por esse momento desde que os vi pela última vez, em 2019. Com muita luta, consegui meu ingresso para vê-los em um dos shows”, relembra.

Agora, ela espera finalmente viver novamente a experiência ao lado de milhares de fãs brasileiros. “Tenho certeza que será uma experiência maravilhosa, um sonho realizado, com todo o B-ARMY em comunhão aproveitando esse momento tão esperado”, diz.

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