A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) entrou novamente na Justiça contra Ratinho por declarações consideradas transfóbicas. Segundo o colunista Gabriel Vaquer, da Folha de São Paulo, a parlamentar apresentou uma representação ao Ministério Público após o apresentador afirmar que ela “não é mulher” durante uma entrevista ao podcast “Papagaio Falante”, publicada nesta quarta-feira (2). Esta é a segunda vez que Erika recorre às autoridades contra o comunicador por ataques relacionados à sua identidade de gênero.
Na representação, Erika pede a abertura de uma investigação por transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero. O documento sustenta que as declarações de Ratinho não são um episódio isolado e que o apresentador voltou a atacá-la mesmo após medidas judiciais anteriores relacionadas ao caso.
Durante a entrevista, Ratinho voltou a questionar a legitimidade de Erika para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Ao justificar sua posição, ele afirmou: “Eu continuo com a mesma opinião. A comissão da mulher tem que ser presidida por uma mulher que tenha útero. Só existem dois gêneros: masculino e feminino. Não queira inventar uma outra história, que não existe. Trans é um ser humano que nasceu com coisas de mulher, mas não é mulher. Fazer o quê?”.
“Eu acho que essas coisas a pessoa tem que entender. Não é porque a pessoa é trans que eu vou tratar mal, que é gay que eu vou tratar mal… nunca desrespeitei ninguém, nunca na minha vida. Mas eles aproveitam da minha popularidade e começam a me xingar. Esse rapaz, Felipe o nome dele, que agora é Erika Hilton, ele começou a me tratar mal. Eu nunca respondi nada, nunca falei dele, nada. Nem no dia falei mal dele, só dei minha opinião”, continuou.
Ratinho volta a polemizar com Erika Hilton, revela o nome de registro da deputada e, na sequência, usa o pronome masculino ao se referir a ela. pic.twitter.com/WJjCbN3sIs
— turmapop (@turmapop) September 2, 2026
Para Erika, a declaração representa uma intensificação dos ataques anteriores, já que o apresentador teria negado expressamente sua identidade de gênero. A deputada argumenta ainda que decisões judiciais anteriores já reconheceram que o uso de seu nome morto e o tratamento incompatível com sua identidade podem configurar transfobia.
A parlamentar também sustenta que a liberdade de expressão não protege manifestações discriminatórias e pede que o Ministério Público apure os possíveis crimes apontados na representação, incluindo transfobia e injúria transfóbica, além das condutas relacionadas à violência política de gênero.
Erika já havia tomado medidas contra Ratinho após outras declarações transfóbicas feitas pelo apresentador. O caso anterior resultou em uma decisão que determinou a concessão de direito de resposta à deputada no “Programa do Ratinho”, exibido pelo SBT. Segundo a parlamentar, a repetição das declarações, mesmo após decisões judiciais relacionadas a ataques anteriores, reforça a necessidade de responsabilização para evitar a normalização da violência contra pessoas trans e travestis no debate público.
O conflito entre Erika Hilton e Ratinho se intensificou no início deste ano, quando o apresentador passou a criticá-la publicamente em seu programa. Em março, a deputada processou o comunicador por transfobia e pediu R$ 10 milhões em indenização. Na mesma época, ela também solicitou ao Ministério das Comunicações a suspensão do”Programa do Ratinho” por 30 dias.
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