Gloria Steinem, ícone da luta feminista, morre aos 92 anos

A feminista e ativista americana Gloria Steinem discursa em um ato em frente à sede das Nações Unidas, em Nova York, em 1978. Bettye Lane/Photo Researchers History/Getty Images


G

loria Steinem, uma das figuras mais importantes da história do feminismo, morreu nesta quarta-feira (2), aos 92 anos, em sua casa, em Nova York. A informação foi confirmada por sua fundação nas redes sociais, mas a causa da morte não foi divulgada.

Se o nome dela não é tão familiar para você, vale conhecer sua história. Jornalista, escritora e ativista, Gloria se tornou uma das principais vozes da chamada segunda onda do feminismo, movimento que ganhou força principalmente nas décadas de 1960 e 1970 e ampliou a luta das mulheres para questões como igualdade no mercado de trabalho, direitos reprodutivos, violência, sexualidade e participação política.

E boa parte dessa luta aconteceu por meio do jornalismo. Em 1963, por exemplo, Gloria trabalhou disfarçada como uma “coelhinha” da Playboy para revelar as condições de trabalho enfrentadas pelas funcionárias de um clube da marca em Nova York. Anos depois, em 1972, ajudou a lançar a Ms., revista feminista que colocou assuntos até então tratados como privados ou simplesmente ignorados pela imprensa no centro das páginas.

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Uma de suas principais bandeiras durante toda a vida foi a autonomia das mulheres sobre o próprio corpo, especialmente o direito ao aborto. A questão também atravessava sua história pessoal: Gloria contou publicamente que havia realizado um aborto ilegal quando tinha 22 anos, antes de o procedimento ser reconhecido como um direito constitucional nos Estados Unidos em 1973. Décadas depois, ela continuou defendendo os direitos reprodutivos, inclusive após a Suprema Corte americana derrubar a proteção federal ao aborto em 2022.

Mas sua atuação não ficou restrita a essa pauta. Gloria também defendeu igualdade salarial, maior participação das mulheres na política, direitos LGBTQIA+, combate ao racismo e às diferentes formas de violência e discriminação. Em 2013, recebeu do então presidente Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, uma das maiores honrarias civis dos Estados Unidos.

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Gloria Steinem também deixou sua história nos livros

Além de décadas de artigos e reportagens, Gloria publicou diversos livros. Entre os mais conhecidos estão Atos Ultrajantes e Rebeliões Cotidianas, de 1983, uma coletânea de seus ensaios; Revolution from Within, de 1992; Moving Beyond Words, de 1994; e Minha Vida na Estrada, de 2015, em que relembra sua trajetória viajando, ouvindo pessoas e participando de movimentos sociais.

Ela também escreveu The Truth Will Set You Free, But First It Will Piss You Off! (A verdade vai te libertar, mas também vai te deixar com raiva, em tradução livre) lançado em 2019, reunindo reflexões sobre feminismo, política, ativismo e transformação social.

Entender quem foi Gloria Steinem também ajuda a entender por que discussões que parecem tão presentes nas redes hoje, sobre liberdade, igualdade, padrões impostos às mulheres e o direito de decidir sobre a própria vida, têm uma história muito mais longa.

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Antes de muitas dessas conversas chegarem ao nosso feed, Gloria já estava ajudando a colocá-las no papel, nas ruas e no debate público.

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