Dolly Parton, Tim Curry e mais: A semana foi de despedidas na cultura pop

Dolly Parton no clipe de ‘Please, Please, Please,’ com Sabrina Carpenter YouTube/Reprodução


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fa, que bom que acabou. Essa foi uma semana especialmente dura para quem ama música, cinema e cultura pop. Em um intervalo de poucos dias, o mundo se despediu de nomes que construíram carreiras muito diferentes, mas tinham algo importante em comum: suas obras conseguiram atravessar gerações e formaram artistas que amamos. 

Dolly Parton, Tim Curry, Shelley Fabares, Peter Cullen, Jaye P. Morgan e o ator e dublê James Lew estão entre os artistas cujas mortes foram anunciadas nesta semana. Alguns estavam diante das câmeras e dos microfones; outros ajudaram a criar momentos inesquecíveis nos bastidores. Juntos, eles deixam uma espécie de mapa da cultura pop das últimas décadas.

E talvez seja justamente por isso que tantas despedidas concentradas em tão pouco tempo provoquem uma sensação estranha. Mesmo quando não pertencemos à geração que viu esses artistas surgirem, crescemos cercados pelas coisas que eles criaram – a relação de Dolly Parton e Miley Cyrus é um exemplo disso –, pelos personagens que interpretaram, pelas músicas que continuaram sendo regravadas ou pelas referências que outros artistas carregaram adiante por causa deles.

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Para você conheça um pouco mais de cada um deles, a CAPRICHO destaca abaixo, momentos emblemáticos da carreira deles para você conhecer melhor e entender porque é importante manter o legado de cada um vivo. Vamos juntos nessa:

Dolly Parton fez sua música atravessar gerações

Dolly Parton no clipe de ‘Please, Please, Please,’ com Sabrina CarpenterYouTube/Reprodução

Dolly Parton morreu em 25 de agosto, aos 80 anos, em Nashville, nos Estados Unidos. Com uma carreira de quase seis décadas, a cantora se tornou uma das figuras mais importantes da história da música country e uma artista capaz de ultrapassar as fronteiras do próprio gênero.

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Autora de clássicos como Jolene, Coat of Many Colors e I Will Always Love You, Dolly vendeu mais de 100 milhões de discos e recebeu 11 Grammys ao longo da carreira. Sua influência, porém, talvez fique ainda mais evidente quando observamos o tanto que suas composições continuaram ganhando novas vidas.

I Will Always Love You, escrita por Dolly nos anos 1970, tornou-se um dos maiores sucessos da carreira de Whitney Houston. Jolene foi reinterpretada por artistas tão diferentes quanto Beyoncé e The White Stripes.

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Para uma geração mais jovem, existe ainda outra conexão bastante afetiva: Miley Cyrus. Dolly era madrinha da cantora e apareceu como a Tia Dolly em Hannah Montana, além de dividir diversas apresentações e gravações com ela. Essa relação ajudou a apresentar a artista country a um público que nasceu décadas depois de seus primeiros sucessos.

Sua importância também nunca ficou limitada aos palcos. Dolly criou a Imagination Library, projeto de incentivo à leitura que já distribuiu centenas de milhões de livros gratuitamente para crianças, e destinou recursos a iniciativas de educação, saúde e assistência a comunidades atingidas por desastres. Em 2020, também doou US$ 1 milhão para pesquisas realizadas pela Universidade Vanderbilt que contribuíram para o desenvolvimento da vacina da Moderna contra a Covid-19.

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Manter o legado de Dolly vivo, portanto, significa muito mais do que continuar ouvindo suas músicas. É também entender como ela usou a própria fama para abrir portas para outras pessoas.

Tim Curry transformou personagens estranhos em ícones

Diversas fases da carreira do ator Tim CurryIMDb/Reprodução
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Praticamente ao mesmo tempo em que o mundo ainda assimilava a morte de Dolly, outra notícia chegou a Hollywood: Tim Curry morreu aos 80 anos, em sua casa em Los Angeles. Segundo a Associated Press, o ator morreu em 25 de agosto. A causa não foi divulgada. É possível que alguém conheça Curry sem sequer saber seu nome.

Ele foi o Dr. Frank-N-Furter de The Rocky Horror Picture Show, Pennywise na adaptação televisiva de It, o mordomo Wadsworth em Clue e o concierge do hotel que encontra Kevin em Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York. Também teve uma longa carreira no teatro e como dublador.

Mas é impossível falar sobre seu legado sem voltar a Rocky Horror. Lançado em 1975, o musical inicialmente não foi um grande sucesso comercial, mas acabou se transformando em um dos filmes cult mais duradouros da cultura pop.

Décadas depois, Frank-N-Furter continua aparecendo em fantasias, festas, referências de séries, musicais e performances. O personagem também ocupa um espaço histórico importante para públicos LGBTQIA+, ainda que o filme seja produto de outra época e carregue contradições quando observado com os olhos de hoje.

Curry tinha uma habilidade rara de construir personagens enormes sem fazê-los parecer iguais. Podia provocar medo, fazer rir ou dominar completamente uma cena com poucos minutos de tela. Muitas das obras das quais participou sobreviveram ao lançamento original e foram descobertas novamente por outras gerações.

A voz de Peter Cullen já fazia parte da infância de muita gente

Paramount/Divulgação

Peter Cullen morreu em 26 de agosto, aos 85 anos, em sua casa em Los Angeles. Talvez seu rosto não seja imediatamente reconhecido pelo público, mas sua voz certamente é.

Foi Cullen quem deu voz a Optimus Prime na animação de Transformers lançada em 1984. Décadas depois, ele voltou ao personagem nos blockbusters live-action da franquia, incluindo os filmes dirigidos por Michael Bay e produções posteriores como Bumblebee e Transformers: O Despertar das Feras.

O ator contou que encontrou a inspiração para construir aquela voz em seu irmão mais velho, Larry, veterano da Guerra do Vietnã. A ideia era que Optimus não parecesse apenas poderoso, mas transmitisse segurança e humanidade. Cullen ainda interpretou outro personagem completamente diferente: o melancólico Bisonho, de Winnie the Pooh. Ao longo de décadas de trabalho, sua voz passou por desenhos, filmes, séries e videogames.

É um ótimo exemplo de como um legado cultural nem sempre tem um rosto. Algumas vozes se tornam tão ligadas aos personagens que passam a fazer parte da própria identidade deles.

Shelley Fabares esteve entre a televisão, a música e os filmes de Elvis

Shelley Fabares morreu em Los Angeles em 22 de agosto, aos 82 anos. Atriz desde a infância, ela se tornou conhecida ainda adolescente interpretando Mary Stone na série americana The Donna Reed Show. Enquanto estava no programa, também iniciou uma carreira musical e chegou ao topo das paradas com Johnny Angel, em 1962.

No cinema, Fabares se tornou especialmente conhecida por atuar ao lado de Elvis Presley em três filmes: Girl Happy, Spinout e Clambake. Décadas depois, voltou a conquistar grande destaque na televisão em Coach, trabalho que lhe rendeu indicações ao Emmy.

Sua trajetória ajuda a contar também um pedaço da história do próprio entretenimento americano, de uma época em que televisão, cinema e indústria fonográfica estavam cada vez mais misturados na construção dos primeiros grandes ídolos adolescentes.

Jaye P. Morgan viu a televisão americana aprender a entreter

Outra artista com uma carreira que atravessou diferentes formatos foi Jaye P. Morgan, que morreu em 24 de agosto, aos 94 anos. Ela começou na música, tornou-se cantora solo nos anos 1950 e teve seu próprio programa de variedades na televisão americana. Mais tarde, passou a ser conhecida pelas participações em atrações como The Tonight Show e, principalmente, como jurada de The Gong Show, programa dos anos 1970 que misturava concurso de talentos, humor e performances deliberadamente excêntricas.

Pode parecer uma referência distante para quem cresceu com American Idol, The Voice, realities e competições de talentos espalhadas pelas redes sociais. Mas justamente aí está sua importância: programas daquela geração ajudaram a estabelecer uma linguagem de entretenimento televisivo que seria recriada inúmeras vezes nas décadas seguintes.

James Lew ajudou a construir a ação de Hollywood

Nem todo legado do cinema aparece nos créditos principais. A morte de James Lew, ator, artista marcial, dublê e coordenador de dublês, também foi anunciada nesta semana. Ele tinha 73 anos e trabalhou durante mais de cinco décadas em Hollywood. Entre seus créditos estão filmes como A Origem, Piratas do Caribe: No Fim do Mundo, Star Trek, Mulan e produções da Marvel. Em 2017, ganhou um Emmy por seu trabalho de coordenação de dublês em Luke Cage.

Lew pertence a um grupo de profissionais cujo trabalho frequentemente é sentido antes de ser reconhecido. Uma luta memorável, uma queda impressionante ou uma sequência de ação que permanece na nossa cabeça depende de uma enorme equipe especializada para existir. Lembrar seu nome é também lembrar que a história de Hollywood não foi construída apenas por quem estava no centro do pôster.

O que significa manter um legado vivo, afinal?

Miley Cyrus e Dolly Parton em cena de especial de Hannah Montana.Getty Images/Getty Images

Quando vários artistas importantes morrem em sequência, é fácil transformar a semana em uma contagem de perdas. Mas talvez exista outra maneira de olhar para ela. A cultura pop funciona porque está constantemente conversando com o que veio antes.

Uma adolescente pode conhecer Dolly Parton por Miley Cyrus e depois descobrir Jolene. Pode encontrar Tim Curry pela primeira vez em um vídeo de Rocky Horror feito décadas antes de ela nascer. Pode assistir a um novo filme de Transformers sem saber que a voz de Optimus Prime atravessou diferentes versões da franquia por mais de 40 anos.

Legados não sobrevivem porque permanecem intocados em uma prateleira. Eles sobrevivem quando novas pessoas assistem, escutam, pesquisam, questionam, reinterpretam e passam essas obras adiante.

Cada música colocada novamente para tocar, cada filme redescoberto e cada história contada sobre quem ajudou a construí-los também lembra uma coisa importante: a morte é inevitável, mas aquilo que esses artistas colocam no mundo pode continuar encontrando gente nova por muito, muito tempo. E isso é o que torna tudo ainda mais mágico.

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