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ara Marina Sena, Taiobeiras está em todo lugar. A cidade do Norte de Minas Gerais onde ela nasceu aparece nas histórias que conta, nas referências que leva para a carreira e, agora, também no título de uma música. TAIOBEIRAS (folha grande), criada para a parceria da cantora com a Bershka, chega nesta quarta-feira, 26 de agosto.
Nos bastidores da gravação do videoclipe, Marina contou à CAPRICHO que a faixa surgiu de forma bastante natural e em um momento em que tem olhado cada vez mais para a própria história.
“Eu sinto que cada vez mais a busca é para dentro, sabe? Principalmente para quem faz psicanálise. Você vai vendo que, quanto mais íntima de você você vai ficando, mais você vai lá nas coisas todas”, explicou. E, nessa busca, Taiobeiras inevitavelmente aparece.
Taiobeiras significa muito para mim. Eu olho o mundo como uma grande Taiobeiras.
Marina Sena à CAPRICHO
Por isso, quando surgiu o convite para criar uma música para o projeto BERSHKA MUSIC, a resposta sobre qual Brasil gostaria de mostrar veio rápido. “Eles querem o Brasil, né? E que Brasil eles querem? É o meu Brasil. Que Brasil eu tenho? É o Brasil de Taiobeiras.”
Para ela, isso significa apresentar um Brasil que nem sempre está no centro das grandes produções. “É esse Brasil profundo do interior, do Norte de Minas, que tem um som específico, um cheiro, uma vista, nuances específicas de Brasil.”
De cidade vizinha de Salinas à “cidade da Marina Sena”
Quem acompanha Marina nas redes sociais já conhece um pouco de Taiobeiras. Quando volta para casa, principalmente em datas como o Natal, a cantora costuma compartilhar vídeos com a família e registros da cidade de cerca de 33 mil habitantes.
Segundo ela, os moradores também gostam de ver Taiobeiras ganhando cada vez mais atenção. Marina lembra que antes era comum precisar usar Salinas, cidade vizinha mais conhecida, como referência para explicar onde ficava dentro do estado. Hoje, segundo ela, isso mudou.
Antes, Taiobeiras era conhecida como a cidade vizinha de Salinas. A referência era Salinas. Hoje você não precisa falar de Salinas, pode falar: ‘Taiobeiras, a cidade da Marina Sena’. Todo mundo vai saber onde é.
Marina Sena à CAPRICHO
Até quem passa pela região costuma avisá-la. Marina recebe fotos de placas na estrada acompanhadas de mensagens de fãs dizendo que estão perto de sua cidade. Para a cantora, existe uma realização pessoal em ver isso acontecer. “Era o meu sonho ter alguém falando de Taiobeiras pelo mundo inteiro. E eu me tornei essa pessoa que fala de Taiobeiras por onde vai.”
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Ser da roça demais é o novo CUNT
A ligação de Marina com a cidade natal também faz com que muita gente que cresceu longe das capitais se reconheça no que ela conta. Questionada sobre o que diria para alguém de uma cidade pequena que sonha em sair para conhecer o mundo, Marina falou sobre uma insegurança que pode aparecer nesse processo.
“Às vezes, a gente é do interior e fica se achando menos. A gente chega na capital e fica pensando: ‘Ai, não sei, eu sou menor’. E não é. Não é.”
Para explicar, ela recorre a uma comparação. “Se você olha para um grão de areia com intenção, aquele grão de areia é um universo inteiro. Então, o interior também é um universo inteiro se você olha para aquele interior com carinho, olhando para todas as arestas dele, sabe? Você consegue apresentar para o mundo muita coisa a partir daquele cosmo, daquele microcosmo.”
Não tem o que temer, não tem que se achar menos. Não tem que se achar da roça demais para estar nos lugares. Ser da roça demais é o novo CUNT.
Marina Sena à CAPRICHO
E o mar apareceu de novo
Se você acompanha Marina Sena desde o começo, provavelmente já ouviu a cantora falando sobre o mar algumas vezes. Ele aparecia em seu primeiro grande hit, Por Supuesto, quando Marina cantava sobre o sonho de chegar e cair no mar, e também em Voltei Pra Mim, na imagem da onda do mar. Anos depois, ele continuou surgindo em músicas como Saí para ver o mar, parceria com a sereia Rachel Reis ou Numa Ilha e Desmitificar.
E, sim, mesmo em uma música que leva o nome de uma cidade do interior de Minas Gerais, o mar deu um jeito de aparecer novamente. Em TAIOBEIRAS (folha grande), Marina canta: “Meu coração não pesa no abismo, eu vou sem juízo no rumo do mar.”
Mas essas referências nem sempre estão falando literalmente sobre praia ou oceano. “O mar tem muitas formas de você encaixar, né? O mar não é só sobre o mar em si, não é só sobre aquela água salgada. Sempre que eu coloco o mar nas minhas músicas, tem a ver com coragem ou tem a ver com delícia.”
E a frequência com que o tema aparece já rendeu até brincadeiras entre os fãs sobre uma mineira cantar tanto sobre o mar. Marina entra na piada, mas também aponta outra ligação com essa imagem. “A gente está sempre buscando o mar”, disse. “E outra coisa, gente: eu sou uma mulher de Oxum, eu sou o rio, eu estou sempre em busca do mar. É o rio. O rio faz isso. O rio está sempre correndo em direção ao mar.”
E Marina Sena está sempre correndo também. Do interior para o mundo, mas sem deixar Taiobeiras para trás.
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