Acre registra baixo controle de desmatamento em frigoríficos

Um levantamento do projeto Radar Verde, do Imazon, mostra que os frigoríficos habilitados a exportar carne bovina da Amazônia Legal, área que engloba o Acre, apresentam baixo nível de controle sobre o risco de desmatamento em suas cadeias de fornecimento. O estudo analisou quatro dos principais mercados compradores da carne brasileira, União Europeia, China, Estados Unidos e países do Oriente Médio e Norte da África, e identificou que as zonas de potencial compra de gado desses frigoríficos avançam sobre parte do território acreano.

Segundo o levantamento, 80% dos frigoríficos habilitados a exportar para a União Europeia demonstram algum controle sobre o risco de desmatamento entre fornecedores diretos, mas nenhum apresentou evidências de controle sobre fornecedores indiretos, fazendas pelas quais o gado passa antes de chegar ao frigorífico. Do total avaliado, 87% ficaram na categoria de baixo controle do desmatamento e 13% na de controle muito baixo. Em 2025, a União Europeia importou 128,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, aumento de 132,8% em relação ao ano anterior.

No mercado chinês, responsável por cerca de metade das exportações brasileiras de carne bovina, 31 frigoríficos da Amazônia Legal estão habilitados a exportar. As regiões de compra de gado desses frigoríficos apresentam exposição a riscos de desmatamento que variam de 31 mil a 3,8 milhões de hectares. Iniciativas da indústria chinesa, como a China Meat Association, já estabelecem expectativas de rastreabilidade e controle do desmatamento na cadeia da pecuária.

Já as exportações para os Estados Unidos somam recorde de 271,8 mil toneladas em 2025, oito vezes mais do que uma década antes. Quinze frigoríficos de sete empresas estão habilitados a exportar para o mercado americano, com capacidade média de abate de 11.270 bovinos por dia e exposição a riscos de desmatamento que variam de 144 mil a 2,8 milhões de hectares. Nos Estados Unidos, projetos como o Forest Act propõem regras para impedir a entrada de produtos associados ao desmatamento ilegal.

Para os países do Oriente Médio e Norte da África, 72 frigoríficos de 32 empresas estão habilitados a exportar carne da Amazônia Legal. Embora 54% demonstrem alto controle sobre fornecedores diretos, nenhum apresentou controle comprovado sobre fornecedores indiretos. A região recebeu 10% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil em 2025, com exportações que somaram US$ 1,79 bilhão.

O Radar Verde aponta que os quatro mercados analisados têm um ponto em comum, a exigência crescente por transparência, rastreabilidade e controle sobre toda a cadeia de fornecimento, incluindo os fornecedores indiretos. Segundo o estudo, monitorar apenas os fornecedores diretos não é suficiente, sendo necessário avançar no controle da cadeia indireta e usar informações científicas para diferenciar e priorizar empresas com melhores práticas.



Rebeca Martins

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