Por que tudo o que é feminino parece ser menos valorizado?

 Ada Yokota/Getty Images


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ocê já percebeu como algumas coisas são automaticamente consideradas “fúteis” só porque são associadas às mulheres? Seja gostar de maquiagem, acompanhar artistas pop ou usar a cor rosa, interesses tradicionalmente femininos costumam ser tratados com menos seriedade do que aqueles ligados ao universo masculino. Mas por que isso acontece?

A desvalorização do feminino não é um fenômeno recente. Durante séculos, as mulheres foram excluídas de espaços de poder e tiveram seus trabalhos e interesses vistos como menos importantes. Essa lógica ainda aparece em situações do cotidiano e, como consequência, meninas na adolescência tentam ao máximo fugir do que é considerado feminino, como usar rosa, gostar de bonecas ou até ter amizade com outras meninas. Outro exemplo é a forma como fãs são retratados. Enquanto homens apaixonados por futebol costumam ser vistos como torcedores dedicados, meninas fãs de artistas, séries ou grupos musicais frequentemente recebem rótulos como “histéricas”, “obcecadas” ou “superficiais”.

O mesmo acontece no mercado de trabalho. Diversos estudos apontam que profissões com predominância feminina tendem a receber menos reconhecimento e remuneração. Áreas como educação infantil, enfermagem e secretariado são essenciais para a sociedade, mas historicamente foram menos valorizadas justamente por serem associadas às mulheres.

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Outro aspecto curioso é que determinadas atividades parecem ganhar mais prestígio quando homens passam a ocupar posições de destaque nelas. Cozinhar em casa, por exemplo, foi durante muito tempo considerado uma obrigação feminina. No entanto, chefs homens frequentemente recebem maior reconhecimento público e profissional, transformando uma atividade doméstica em símbolo de status e sofisticação.

A própria linguagem também revela essa desigualdade. Expressões como “joga igual menina”, “mulherzinha” ou “isso é coisa de mulher” são usadas como ofensa, associando características femininas a algo inferior. Já o masculino raramente é empregado da mesma forma.

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Essa visão, porém, ignora a enorme relevância cultural e econômica do que é considerado feminino. Fenômenos como o sucesso de Taylor Swift, o impacto global do filme Barbie e a influência das comunidades de moda, beleza e literatura movimentam bilhões de dólares e moldam tendências em todo o mundo. Se esses interesses são tão poderosos, por que continuam sendo vistos como menos importantes?

Talvez a resposta esteja menos no que as mulheres gostam e mais na forma como a sociedade aprendeu a enxergar o feminino. Questionar essa lógica é também questionar quais interesses consideramos legítimos, inteligentes ou dignos de reconhecimento. Afinal, o problema nunca foi a falta de valor dessas atividades, mas a dificuldade histórica de reconhecer esse valor.

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