Quatro são condenados por execução de jovem ligada a dívida com facção

Quatro homens foram condenados pelo Tribunal do Júri de Rio Branco pela execução de Hamilton Aguiar dos Passos, de 26 anos, morto a tiros em janeiro de 2021. Segundo o Ministério Público do Acre (MPAC), o crime teria sido motivado por uma dívida relacionada ao consumo de drogas e à atuação da vítima em uma organização criminosa. A sessão foi realizada na 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar, em Rio Branco.

O julgamento ocorreu nesta terça-feira (19), na 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar, no Fórum Criminal de Rio Branco. Segundos a TV 5, foram julgados Felipe Soares de Albuquerque, Denilson Araújo da Silva, conhecido como “Jabá”, Edson Moreira de Souza, o “Quixadá”, e Alisson Batista Alves, conhecido como “Pinóquio”.

Os quatro foram denunciados por homicídio qualificado, corrupção de menores e participação em organização criminosa.

Vítima foi encontrada com mãos e pés amarrados

O crime aconteceu em 21 de janeiro de 2021, na Rua São Bento, no bairro Santo Inês, região do Segundo Distrito de Rio Branco.

De acordo com as informações apresentadas durante o julgamento, Hamilton foi executado a tiros. O corpo foi encontrado com as mãos e os pés amarrados para trás, e a perícia identificou ainda sinais de tortura.

Durante a sessão, o promotor de Justiça Efraim Mendoza apresentou aos jurados a dinâmica do crime e sustentou que a execução teria ocorrido em razão de uma dívida relacionada a drogas.

Promotor destaca trabalho da Polícia Civil

Durante a sustentação perante os jurados, o representante do Ministério Público ressaltou a importância das provas reunidas pela Polícia Civil durante a investigação, especialmente diante da dificuldade de obter depoimentos de testemunhas em crimes relacionados a organizações criminosas.

Segundo o promotor, pessoas que presenciam execuções ou outros atos praticados por integrantes de facções muitas vezes deixam de colaborar com as investigações por medo de represálias.

“A polícia civil trabalha no esforço, até naquilo que ela alcança. Agora, é sempre bom saber e sempre bom enfatizar que quem está ali dentro julgando não são só sete jurados. Ali está a comunidade de Rio Branco, está a sociedade de Rio Branco”, afirmou.

Efraim também alertou para o risco de a falta de testemunhas contribuir para a impunidade de crimes violentos.

“A partir do momento em que as absolvições ocorrem, muitas decorrentes da falta de testemunhas, estamos, de certa forma, valorizando ou deixando que o crime impere com essa força de calar a população”, argumentou.

Réus negaram participação

Durante os interrogatórios, os quatro acusados negaram envolvimento na morte de Hamilton.

Um dos réus, Denilson Araújo da Silva, também responde a outro processo de grande repercussão. Ele foi recentemente pronunciado para responder a júri popular pela chamada Chacina do Taquari, confronto entre integrantes de facções criminosas rivais que resultou em seis mortes.

Quatro réus são condenados

Ao final do julgamento, o Tribunal do Júri acolheu a tese apresentada pelo Ministério Público, baseada nas provas reunidas durante a investigação da Polícia Civil.

Os quatro réus foram condenados a penas em regime inicialmente fechado:

* Felipe Soares de Albuquerque: 36 anos e 4 meses de prisão;

* Denilson Araújo da Silva: 26 anos e 9 meses;

* Edson Moreira de Souza: 34 anos, 3 meses e 25 dias;

* Alisson Batista Alves: 24 anos, 5 meses e 13 dias.

Saimo Martins

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