Figurino de A Casa do Dragão traduz histórias de poder na 3ª temporada

Rhaenyra Targaryen (Emma D’arcy) na terceira temporada de A Casa do Dragão Foto: HBO/Divulgação

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m A Casa do Dragão, os detalhes do figurino, das cores às texturas, dos bordados aos tecidos, ajudam a contar as transformações de poder dos personagens, especialmente de mulheres que disputam espaço dentro de uma estrutura dominada por homens.

Na terceira temporada da série da HBO, Rhaenyra Targaryen, ainda vivenciando o luto da morte de dois filhos, toma o trono e passa por uma mudança visual que tem como objetivo elevar sua figura de monarca, a fim de as pessoas, inclusive seus aliados, a respeitem. Os looks de Alicent Hightower, por outro lado, refletem sua perda de poder, enquanto Mysaria vê sua influência crescer e incorpora essa característica às roupas cada vez mais elaboradas.

Quem explica essas escolhas criativas é Caroline McCall, figurinista de A Casa do Dragão, que já ganhou o BAFTA de Melhor Figurino por seu trabalho na série Downtown Abbey, em 2014. Em entrevista à CAPRICHO, a profissional revela os desafios por trás dos looks da terceira temporada e como conta suas histórias através da moda.

CAPRICHO entrevista Caroline McCall, figurinista de A Casa do Dragão, sobre a terceira temporada da série

CH: Como funciona o seu processo criativo após receber o roteiro da temporada?

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Caroline: A primeira coisa é traçar um arco do personagem e entender onde ele começa e onde termina. Alguns personagens, como o Aegon nessa temporada, não têm tantas mudanças, mas quando olhamos para a Rhaenyra, precisamos planejar sua imagem no começo e no final e, a partir disso, fica mais fácil de criar sua trajetória.

CH: E como foi traduzir a jornada da Rhaneyra no figurino?

Caroline: Foi muito interessante, porque é alguém que tomou o trono, mas ainda está de luto. No primeiro episódio, quando ela destrói seu vestido vermelho, é como se ela estivesse destruindo a feminilidade que ela tinha antes. E, ao tomar o trono, ela começa a aderir uma silhueta mais masculina. Porque esse é a grande questão: ela ser uma monarca mulher. E as roupas também precisam ser práticas, porque ela está em guerra e a qualquer momento pode montar no seu dragão. Então, é como vestir uma rainha, mas não uma rainha como qualquer outra que já tenha existido.

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Rhaenyra Targaryen (Emma D’arcy) na terceira temporada de A Casa do Dragão Foto: HBO/Divulgação

CH: Quais foram os principais desafios para o departamento de figurino na terceira temporada?

Caroline: Foram muitos. Eu diria que o confronto no mar [Batalha da Goela] foi um grande desafio, porque envolve trabalhar com água e fogo ao mesmo tempo, muitas armaduras, dublês… Tem muito trabalho envolvido quando se trata de queimar pessoas [risos].

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CH: Cada personagem feminina vive sua própria trajetória de poder. De que forma isso aparece nas roupas?

Caroline: Alicent perde seu poder e vira uma prisioneira, e Rhaenyra quer se livrar de todo o ‘verde’ [dos Hightower]. Então, ela usa roupas azuis, que vêm da Casa Florent, de sua mãe. A vestimenta de Mysaria, por sua vez, fica cada vez mais elaborada, conforme ela pensa que seu poder está crescendo. Para ela, conseguimos criar lindos bordados, joias encantadoras e cintos adornados com pedrarias. Trabalhamos com o tema ‘Verme Branco’ [o codinome de Mysaria], então há desenhos de vermes nos cintos e nos bordados.

Mysaria na terceira temporada de A Casa do Dragão Foto: HBO/Divulgação
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CH: De qual figurino da terceira temporada você tem mais orgulho?

Caroline: Provavelmente a armadura do Ormond Hightower. Foi um processo muito longo e era um personagem que precisava chegar causando impacto. Ele também é uma espécie de defensor autoproclamado da Fé dos Sete, então queria refletir isso com as sete figuras que a representa gravadas na armadura.

Ormund Hightower na terceira temporada de A Casa do Dragão Foto: HBO/Divulgação
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CH: O que você aprendeu com esses anos trabalhando como figurinista de A Casa do Dragão?

Caroline: A trabalhar com o talento das pessoas. Tenho uma equipe incrível e, à medida que os conheço, vou descobrindo mais seus talentos e incentivando-os a ir além, tentando extrair o melhor de cada um para fazer com que a equipe se sinta valorizada, porque sua contribuição é enorme. As pessoas que confeccionam o figurino são o coração do departamento, o verdadeiro motor de tudo, e, sem eles, esses figurinos lindos não existiriam.

CH: E o que as pessoas não imaginam sobre esse trabalho? 

Caroline: Talvez as pessoas não saibam que o departamento de figurino tem cerca de 140 integrantes. E imagino que muitos também não saibam que é como se estivéssemos dois filmes ao mesmo tempo. Por exemplo, podemos filmar a batalha naval em um estúdio e, simultaneamente, a Batalha de Tumbleton em locação externa. É preciso conciliar tudo isso e garantir a organização necessária para lidar com essa produção dupla, que é algo gigantesco.

Alicent Hightower, Helaena e Rhaenyra Targaryen na terceira temporada de A Casa do Dragão Foto: HBO/Divulgação

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