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uando somos crianças, tudo que assistimos, lemos e ouvimos acaba se tornando espelho para nós. Isso não era diferente comigo: eu costumava assistir apenas programas de TV americanos que não conversavam realmente com a minha vivência como criança brasileira. Por mais que eu tentasse me encaixar naquilo que eu assistia nas telas, eu não me enxergava ali. Sentia que eu não pertencia a nada daquilo.
Até 14 de março de 2016. Naquele dia, assisti, pela primeira vez, uma garota mexicana chamada Luna colocar seus patins e rodar pelas lindas ruas de Cancún. Eu jamais iria imaginar que aquela série mudaria, para sempre, a minha percepção sobre mim mesma e sobre o que é ser uma garota latina.
Soy Luna ensinava não só sobre amizade, amor e a relação desses sentimentos com o esporte, mas também ensinava sobre pertencimento. A série mostra as vivências de personagens latinos cada um com suas próprias características, mas com uma coisa em comum: as experiências vividas em relação às nossas raízes – algo que é muito valioso e verdadeiro para crianças que cresceram sem se identificar com o que assistiam, mas que agora podem se encontrar em cada um dos personagens.
Para mim, o que é mais interessante é poder assistir a Luna, uma garota tão complexa e tão valente, chegar tão longe e mostrar a todos que sua paixão pelos patins atravessa qualquer fronteira. E, além disso, poder assistir o crescimento da atriz Karol Sevilla (que dá vida a Luna). Ao chegar em Buenos Aires para atuar, ela jamais imaginaria que sua vida mudaria para sempre, e, mais que isso, que ela mudaria a vida de milhares de crianças latinas que puderam se enxergar através do seu trabalho.
Acredito que Soy Luna pode mudar o cenário da televisão norte americana, já que colocou em pauta que a cultura latina pode e deve ser mostrada para o mundo e não só a cultura estadunidense.
Muito obrigada, Soy Luna, por trazer o sentimento de pertencer a nós e por encorajar cada uma das crianças latinas que assistiram a série a dizer “agora é a nossa vez!”.




