Acre articula reativação da Ceplac para fortalecer produção de cacau

A reativação da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) no Acre voltou ao centro das discussões durante o Seminário da Cadeia Produtiva do Cacau, realizado na quinta-feira (6), na Expoacre 2026, em Rio Branco. O coordenador da Ceplac, Thiago Guedes, afirmou que o estado reúne condições para voltar a contar com uma estrutura física da instituição, que atuou no Acre na década de 1980 e foi extinta.

Segundo Guedes, a retomada faz parte de um planejamento estratégico voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva do cacau. “A gente quer aqui estruturar, construir junto com a Secretaria da Agricultura do Estado, com o plano que se tem de mais de 1.500 agricultores, com a pauta do cooperativismo”, afirmou. Para o coordenador, o setor vive um momento favorável. “A Ceplac tem ciência, a Ceplac tem história, o Brasil tem oportunidades e o cacau aqui no Acre tem futuro”, disse.

Guedes defendeu a criação da Câmara Setorial do Cacau do Estado do Acre, ainda não instalada, para reunir todos os elos do setor. “A gente quer consolidar e participar dessa construção efetiva com os órgãos institucionais, montar a Câmara Setorial do Cacau do Estado do Acre, que ainda não está montada, para que todos os elos desse setor possam dialogar e construir”, explicou. A articulação teria como base o plano Inova Cacau, programa federal, e as orientações da própria instituição.

O coordenador afirmou que o cacau, antes restrito a oito estados, hoje está presente em projetos e planos de investimento em 26 unidades federativas do país. “Eu tenho recebido, enquanto Ceplac, diversos pedidos para que a gente consiga ampliar as nossas ações e montarmos os escritórios, equipe técnica nesses estados”, disse. Segundo ele, servidores da região amazônica já atuam em capacitações e formações, e há um acordo de cooperação técnica em curso com o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) e a Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri). “É muito palpável, no alinhamento com o legislativo, com o executivo, com os parceiros que a gente tem aqui do elo do cacau, a gente montar uma estrutura física para desenvolver as ações de cacau aqui no Estado do Acre”, afirmou.

O seminário também abriu espaço para produtores. Eliana Augusto de Sousa, conhecida como Lica, apresentou o projeto Cacau com Elas, de Cruzeiro do Sul. “Nós começamos com três mulheres há oito anos, começamos com uma lenha, de baixo de uma casinha de palha. Hoje, Cacau com Elas é uma marca muito grande, hoje nós somos sete mulheres”, contou. Segundo Lica, o grupo conclui a construção de uma pequena agroindústria e já fabrica chocolate na unidade. “A gente está ainda pequena, acabando de construir, mas já está fazendo chocolate nela”, disse.

A produtora afirmou que o cacau utilizado é de cultivo, plantado em sistema consorciado com açaí. “Hoje lá nós temos o cacau plantado com açaí, estou fazendo consorciação do cacau com outras lavouras”, explicou. Sobre a disponibilidade de matéria-prima, ela disse que a limitação está no maquinário, e não na produção. “Vai faltar maquinário para nós fazermos o chocolate, porque é muito. O cacau que tem lá, as máquinas não suportam”, afirmou.

O Sebrae também participou das discussões sobre a cadeia produtiva do cacau. Boa parte da manhã do evento foi dedicada a debater o fortalecimento do setor no estado.

Veja o vídeo:

Rebeca Martins

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