Mais de 200 empresas já aderiram ao selo Feito no Acre

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Durante entrevista ao programa ac24agro, na sexta noite da Expoacre, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac), João Paulo de Assis Pereira, destacou nesta quinta-feira, 06, a articulação entre indústria, comércio e agronegócio em torno de uma agenda comum para o desenvolvimento econômico do estado. O dirigente também detalhou as próximas etapas da campanha Feito no Acre, que já reúne mais de 200 empresas e deve ganhar espaço nas principais redes de supermercados e nas escolas.

Ao comentar o encontro realizado no último dia 30 de julho entre representantes do setor produtivo e os candidatos ao governo do Acre, João Paulo afirmou que o principal objetivo foi demonstrar unidade e apresentar propostas construídas por cada segmento.

“Aquilo lá teve um significado muito importante pra nós. Mostrar que o setor produtivo está unido em prol do desenvolvimento do nosso Estado, em prol da gente tentar descobrir as nossas vocações e os caminhos que a gente pode levar o nosso Estado ao desenvolvimento. Naquele momento, a gente chamou todos os governadoráveis pra gente apresentar as propostas individuais de cada setor. A indústria apresentou a sua proposta, a sua agenda da indústria, a Fecomércio apresentou a agenda do comércio e a Faeac apresentou a agenda do agro, para os governadoráveis entenderem que não é possível mais desenvolver o Acre sem conversar com o setor produtivo. Então, naquele momento foi importantíssimo, emblematicamente”, afirmou.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Segundo ele, essa integração entre as entidades não começou agora e vem sendo construída ao longo dos últimos anos.

“O setor produtivo chegou num momento onde começou a conversar entre si e procurar caminhos de desenvolvimento, sempre colocando os governos dentro dessa rota. Nós estamos num estado pequeno, onde, logisticamente falando, tudo é difícil. Temos oportunidades, estamos com o agro despontando, temos aqui os nossos vizinhos, a Bolívia e o Peru, um porto que leva a outros continentes, e isso tudo a gente vê como oportunidade. Ao mesmo tempo, nós temos desafios. Temos problemas na fronteira, problemas fiscais, problemas de aduana, uma série de problemas pra gente realmente começar a ter um comércio exterior forte, robusto, onde possa fortalecer a nossa economia no Estado. Mas tudo é oportunidade. Agora, sem essa unidade, fica muito difícil a gente conseguir andar”, disse.

Questionado sobre o fato de um dos candidatos ao governo ter apresentado à Justiça Eleitoral um plano de governo com apenas nove páginas, João Paulo evitou fazer críticas diretas ao documento.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

“Eu confesso a você que eu não abri o plano de governo. Provavelmente está bem condensado, apenas os principais. Eu acredito que talvez seja só o esqueleto daquilo que realmente tem que se fazer. Eu acho que a gente tem que levar o Estado com muita seriedade. São pessoas que vivem aqui, mas temos um IDH baixíssimo. Então nós todos que somos responsáveis pela sociedade, formadores de opinião e principalmente os governos, precisam olhar com mais carinho o desenvolvimento do nosso Estado e a melhoria das condições daqui da nossa região”, declarou.

Durante a entrevista, o presidente da Fieac também falou sobre a expansão do movimento Feito no Acre, criado inicialmente para estimular as compras governamentais de produtos locais e que hoje busca incentivar o consumo da produção regional.

“A gente teve a ideia de valorização do produto regional. O nome já diz: Feito no Acre. Esse programa é um programa que nós temos muita fé, onde a gente está levando a conscientização da população de que é muito bom consumir aquilo que é produzido aqui, primeiro pela qualidade. É um produto fresquinho e as nossas indústrias têm toda condição para oferecer produtos de excelente qualidade”, afirmou.

João Paulo revelou que o movimento alcançou uma nova marca durante a Expoacre. “Hoje nós já temos mais de 200 empresas que aderiram ao selo Feito no Acre”, destacou.

Segundo ele, a próxima fase da campanha será ampliar a visibilidade desses produtos nos supermercados do estado. “Após a Expoacre, nós vamos para uma nova etapa da campanha, que é levar aos supermercados. Mercale e Arasuper, que são as grandes redes de supermercado aqui, onde vai estar em destaque os produtos Feito no Acre”, anunciou.

“Nós também vamos iniciar uma campanha nas escolas, levando a educação da importância do produto Feito no Acre, da valorização desse produto, de que esse produto, o dinheiro vai ficar na nossa região, vai gerar emprego aqui e vai potencializar as empresas para investir mais. Eu acho que é uma campanha que já deu certo e que, com certeza, vai trazer orgulho para a nossa população em consumir produtos Feito no Acre”, acrescentou.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Ao defender o consumo da produção local, João Paulo reconheceu que parte dos consumidores acredita que produtos fabricados no Acre custam mais caro, mas afirmou que essa percepção nem sempre corresponde à realidade.

“Existe, às vezes, essa teoria de que o produto feito aqui é mais caro, mas essa água aqui, por exemplo, custa metade do preço da água que vem de fora. Então, o produto feito no Acre é mais barato e é mais saudável. Alguns produtos, lógico, agregam valor porque a logística é longe e a matéria-prima vem de fora. Pode ser que empate ou fique um pouquinho mais caro, mas qual é o objetivo? O objetivo é que esse produto, se ele consumir, vai gerar emprego e renda, inclusive para a vida dessas pessoas”, concluiu.

Lucas Vitor

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