SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Laura Pausini encontrou em um clássico que atravessou gerações de brasileiros a ponte perfeita entre a Itália e o Brasil. Ao lado de Sandy, a cantora regravou “Quando Chove”, sucesso de Patrícia Marx que ficou eternizada como trilha sonora de Diná (Christiane Torloni) na novela “A Viagem” (1994).
A parceria nasceu de uma homenagem às raízes italianas da artista. Laura já havia gravado “Quanno Chiove”, de Pino Daniele, para seu álbum mais recente, “Io Canto 2”, dedicado a releituras de canções marcantes de artistas italianos e descendentes. Segundo ela, o disco surgiu da vontade de revisitar músicas que ajudaram a moldar sua trajetória.
Foi justamente durante o processo de gravação que Laura soube da existência da versão em português da canção. “Eu descobri poucos dias antes de gravar a versão em italiano, porque a minha melhor amiga é paulista e ela sempre escuta meus demos”, conta ao F5. “Quando eu enviei a gravação para ela, ela disse: ‘você sabe que essa música existe em português?’. E ela me falou também que a música teve um sucesso importante no Brasil.”
A informação despertou o desejo de registrar a faixa em português e, ao escutar a gravação, a artista contou que imediatamente imaginou a voz de Sandy dividindo a música com ela. Foi então que entrou em contato com a cantora brasileira.
“Ela ficou muito feliz e me disse que essa é uma canção muito importante para ela, que a lembra de sua infância e adolescência. Acredito que as coisas que nascem dessa maneira têm um valor verdadeiro, e não se pode evitar de fazê-las. Acredito que você pode escutar nas nossas vozes juntas que existe uma ligação”, avalia.
Hoje, com mais de três décadas de carreira, Laura mantém uma relação de amor com o público brasileiro. A cantora construiu uma carreira internacional, cantou na final da Copa do Mundo e se tornou uma das artistas italianas mais populares fora de seu país. Ainda assim, admite que já pensou que teria que se despedir dos palcos.
“Acredito que na vida das pessoas todas chegamos a um momento em que nos perguntamos: ‘Estou fazendo a coisa mais correta? Estou fazendo a coisa mais justa para mim?’. Durante a época da Covid, esse pensamento também chegou até o meu trabalho”, admite. “E eu estava com medo de não poder trabalhar. Eu pensava: ‘Tenho que desistir, mas não quero’. Eu vou cantar sempre, eu amo cantar.”
Bem-humorada, Laura comentou que a música faz parte de quem ela é –para desespero, às vezes, da filha Paola, de 13 anos. Durante as últimas férias em família, a adolescente ficou constrangida porque a mãe começava a cantar em qualquer lugar.
“Eu nasci cantando e eu vou morrer cantando. Não é nem certeza que vou morrer, porque desde menina estou esperando que criem uma pílula para a vida eterna.”
Apesar de ter gostos musicais diferentes dos da mãe, Paola acompanha Laura nas turnês e conhece todo o seu repertório. Recentemente, passou por uma fase de ouvir Michael Jackson, algo que deixou a cantora especialmente feliz.
“Ela finalmente coloca a música de Michael Jackson no carro, em casa. É uma coisa maravilhosa. Eu gosto de cantores que cantam, sabe? Não são todos os cantores de hoje que cantam”, alfineta.
Antes que pudesse concluir o raciocínio, a artista foi interrompida pela assessora, que avisou que o tempo da entrevista estava acabando. Laura caiu na risada: “Ela tem medo de que eu cite nomes. Vocês no Brasil não conhecem, então não vou dizer”.
A cantora encerrou a conversa projetando seu próximo encontro com o público brasileiro. Em 27 de fevereiro, ela fará seu primeiro show em um estádio no Brasil, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, com a turnê “Io Canto World Tour”.
Empolgada, disse que já começou a montar o repertório e quer fazer uma apresentação para retribuir o carinho dos fãs. “Vai ser um show de mais de 2 horas. Eu vou cantar tudo com toda minha força e meu coração”, promete.




