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ocê já encontrou o seu próprio estilo? Essa é uma pergunta que pode parecer simples, mas costuma vir acompanhada de incertezas, especialmente no período da adolescência e da juventude, quando personalidade, gostos e referências estão em constante transformação.
Foi para aprofundar essa discussão que conversamos com quatro integrantes do nosso grupo de leitores-colaboradores, a Galera CAPRICHO, que participaram de um ensaio de moda e beleza para esta reportagem. Entre trocas de roupa, acessórios e maquiagem, eles mostram que encontrar seu próprio estilo não significa necessariamente chegar a uma versão final, mas aprender a se conhecer um pouco mais a cada escolha.
A moda muda, e a gente também
Júlia Passos, de 17 anos, revela que, embora tenha certa consciência dos seus gostos, ainda não encontrou o seu estilo. “Eu acho que nunca vou encontrar definitivamente, porque o corpo muda, a cabeça muda. E eu estou em uma fase em que a personalidade muda muito, assim como a moda.” Esse processo também passa pelas possibilidades que a indústria da moda oferece, ou melhor, deixa de oferecer. Para Júlia, que se sente representada pelo conceito de ‘midsize’, utilizado para descrever pessoas que não se encaixam em um padrão de corpo magro tradicional, mas também não se consideram ‘plus size’, a busca por roupas muitas vezes esbarra na falta de opções. “Uma vez, vi uma camiseta que tinha gostado e, quando fui procurar o meu tamanho, não tinha naquela estampa”, lembra.
Isso não é um caso isolado; trata-se de uma realidade para quem não veste tamanho P, e, aí, essa busca esbarra em limitações antes mesmo de entrar no provador. Já para Pablo Zanoto, de 17 anos, a descoberta do seu estilo veio quando percebeu que não precisava de um armário completamente novo para se sentir representado, apenas mudar seu olhar para o que já tinha. “Eu sempre achei que precisava de mais roupas. Depois, fui mudando esse pensamento. Na verdade, eu tinha as peças, era só saber combinar e usar o que eu gosto”, conta.
Hoje, ele enxerga a moda como uma forma de comunicar quem é. “É um jeito de conseguir ser mais quem eu sou. Encontrar o meu estilo foi como descobrir mais uma parte de mim mesmo.” Apesar das trajetórias diferentes, os dois chegam a um ponto em comum: a construção de um estilo não acontece de uma vez só e não precisa depender de tendências. É uma descoberta íntima de experimentação, em que a roupa não funciona só para vestir o corpo e passa a traduzir quem você é, de modo que você se reconheça nas suas escolhas.




