O lobinho voltou para emocionar! Após um período longe dos holofotes, Jão retornou com um dos projetos mais pessoais de sua carreira. Em entrevista a Bruno Rocha, o nosso Hugo Gloss, o cantor abriu o coração sobre o hiato, revelou detalhes inéditos da criação de “Memórias Póstumas” e falou sobre temas delicados como luto, saúde mental e os desafios de lidar com a fama. Além disso, ele adiantou o que os fãs podem esperar do megashow que fará em setembro, em São Paulo. Vem conferir!
O artista admitiu que vive um misto de sentimentos com o lançamento do novo álbum. “Estou entendendo um pouco as coisas. Estou indo no meu tempo. Acho que estou muito mais nervoso do que eu sempre estive para lançar um disco, mas, ao mesmo tempo, muito apaixonado pelo disco que a gente fez. Estou inseguro, mas muito confiante”, disse ele.
Há pouco mais de um ano, Jão publicou uma carta aberta com o anúncio de uma pausa por tempo indeterminado. A decisão veio após um ciclo intenso de quatro álbuns e uma grande turnê. No entanto, esse período longe dos holofotes não foi bem como ele planejou. “Achei que eu ia para a Itália. Achei que eu ia para a Tanzânia, para o Japão. Achei que eu ia curtir minha vida, ficar do lado da minha família. Fiquei, mas de uma maneira diferente”, contou.
Em junho de 2025, o cantor recebeu uma triste, difícil e delicada notícia: a morte do seu pai. Na conversa, ele revelou que, por causa disso, viveu a pausa de uma maneira mais simples, cercado pela família e pelos animais de estimação. Mesmo assim, ainda conseguiu realizar alguns desejos, como ir aos shows de Lady Gaga e Lorde.
Apesar disso, o artista admitiu que evitou acompanhar o universo das redes sociais. “Nunca foi muito natural para mim. Hoje eu entendo por causa do meu trabalho o que isso significa, o que preciso fazer, mas realmente não é algo natural”, declarou ele.
A criação do álbum
Embora “Memórias Póstumas” tenha sido profundamente influenciado pelas perda que viveu recentemente, Jão revelou que o conceito do disco surgiu antes da morte do pai. “Essa música nasceu em 2024. Eu já imaginava que seria o nome do disco antes de perder meu pai e por toda a história da minha avó”, afirmou.
Segundo ele, a ideia do projeto nasceu a partir da morte da avó e acabou ganhando novos significados após a perda do pai. O cantor explicou que o álbum conversa com a obra de Machado de Assis, mas principalmente com sua necessidade de encontrar sentido para o que estava vivendo. “É um álbum muito sobre as palavras, sobre como ressignificar as coisas quando nada tem significado. A literatura e a arte me ajudaram a reescrever o que estava acontecendo na minha vida”, disse ele.
Ele acrescentou que cada música apresenta pontos de vistas de pessoas que marcaram sua trajetória e ocupam diferentes espaços em sua vida. “Eu canto na perspectiva da minha avó, do meu pai, do meu namorado. Quando eu estava muito sem perspectiva, escrevi sobre novas perspectivas”, declarou.
Apesar do tema central envolver morte e luto, Jão acredita que o projeto também fala sobre futuro: “É um álbum que fala muito sobre perda e finitude, mas também fala sobre planos, futuro e família”.
Mas o cantor admitiu que, durante o processo, também teve momentos em que ficou receoso de compartilhar histórias tão pessoais com o público. “Eu me questionei bastante se queria ir tão profundamente assim”, afirmou. Segundo ele, quando começou a escrever, sequer pensava na carreira: “Tudo me parecia muito idiota. Investir numa carreira, pensar em viagem… naquele momento parecia muito supérfluo”.
A virada aconteceu durante uma corrida de madrugada: “Eu estava ouvindo o álbum da Lorde e comecei a chorar muito. Fiquei muito aliviado de ver meu corpo respondendo àquilo e lembrar o que a música faz comigo”. Ainda assim, algumas faixas continuam difíceis de ouvir: “’Amor’ e ‘Literatura’ são músicas que eu não consigo ainda muito ouvir”.
O desafio de compor junto com o companheiro de vida
Das 14 faixas de “Memórias Póstumas”, 13 são compostas por Jão ao lado do seu companheiro, Pedro Tófani. O cantor comentou como foi dividir o processo criativo com ele. “A gente começou a escrever os dois na mesma sala. Foi bem difícil”, falou. Segundo o astro, os dois tiveram algumas discussões no caminho, mas desenvolveram uma forma muito própria de se comunicar.
“A gente briga bastante, mas se conversa muito pelas músicas. Foi uma linguagem que desenvolvemos um para o outro”, afirmou. O artista afirmou que não conseguiria escrever esse disco com outra pessoa. “Ele é a única pessoa que eu deixaria escrever junto comigo, porque é um álbum sobre as palavras, sobre a minha vida e sobre o nosso cotidiano”, confessou o cantor.
Desejo de ser pai
Como o álbum também fala sobre futuro, outro assunto abordado no bate-papo foi a possibilidade de ter filhos. Quando questionado sobre o desejo de aumentar a família, o cantor foi direto ao ponto: “Cada vez menos”. Ele explicou que, quando era adolescente, imaginava ser pai muito cedo. “Eu achava que ia ser pai com 21 anos. Não tinha nenhuma perspectiva, não tinha um puto no bolso”, contou ele.
Hoje, porém, sua visão mudou. “Cada vez mais que o tempo passa, eu tenho menos vontade de pôr um filho no mundo da maneira como as coisas estão”, revelou o artista. Mesmo assim, ele acredita que isso ainda pode acontecer. “Eu acho que uma hora ou outra vou ter”, confessou. Inclusive, os nomes já estariam escolhidos. “Francisco e Maria”, revelou ele.
Mudança de visual
Durante o hiato, Jão virou notícia ao ser flagrado com um visual diferente. Na época, ele estava com a barba maior e usava roupas mais casuais. O cantor contou que a aparência mais despojada não foi planejada, mas apenas um reflexo do momento que vivia: “Cara, se eu pudesse andar daquele jeito todos os meus dias, era daquele jeito que eu andaria”.
Apesar de dizer que gosta de moda, ele explicou que, naquele período, a aparência estava longe de ser um dos seus principais focos: “Claramente gosto de me vestir, gosto de moda, gosto de estar bonito, gosto de me sentir bem. Mas era um momento da minha vida em que realmente essa era a minha 12ª prioridade”.
“Eu estava na casa, morando com minha mãe. A gente estava indo na padaria juntos, fazendo comida juntos, convivendo com a minha irmã, com os bichos, indo ao trabalho dela… Então não precisava de nenhuma pompa”, acrescentou.
No entanto, para a nova era, Jão contou que desenvolveu toda a identidade visual do projeto ao lado de Pedro Tófani e do stylist Pedro Sales. “Quis vestir o clássico. A alfaiataria, os anos 90… tudo tem a ver com a época em que cresci ouvindo músicas com meu pai”, afirmou ele.
Preparativos para mega show
No dia 25 de setembro, Jão iniciará a turnê “Memórias Póstumas” com um mega show no Nubank Parque, em São Paulo. Segundo ele, a principal novidade será um palco 360°. “Era uma coisa que eu tinha muita vontade de fazer desde a última turnê”, declarou. O objetivo é diminuir a distância entre artista e público. “Queria chegar o máximo mais perto possível de todo mundo e criar essa conexão da música e física também”, disse ele.
A vida por trás do sucesso
Apesar do enorme sucesso, Jão afirmou que continua preferindo uma rotina completamente distante do universo das celebridades: “Eu acho muito chata essa vida”. Segundo ele, existe uma diferença enorme entre quem é no palco e quem é em casa. “Eu vivo uma vida meio Hannah Montana. Gosto muito de quem eu sou no palco, mas quando saio dali, arranco tudo e vou para casa”, confessou.
“É muito mais gostoso estar com meus gatos, com minha mãe, com minha irmã, com meus amigos”, refletiu. Para ele, o ambiente da indústria da música costuma ser pouco acolhedor: “As pessoas não se falam muito bem. Tudo parece protocolar. Tudo parece meio chato”.
Por isso, diz que não sente dificuldade em abrir mão da fama fora do trabalho: “Então, eu renuncio isso de uma maneira muito fácil. Mas também sei a importância de tudo para o meu trabalho e respeito toda a parte que eu preciso fazer pelo meu trabalho, mas realmente não é algo que eu goste muito de fazer”.
Assista ao papo completo abaixo:
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques




