Nesta segunda-feira (27), a autora Manuela Dias, responsável pelo remake de “Vale Tudo“, abriu o jogo sobre uma das decisões mais polêmicas da trama. Em participação no programa Jornal da Bahia no Ar, da Rádio Metrópole, ela respondeu a uma ouvinte que questionou a escolha de não matar a grande vilã, Odete Roitman, como acontece na versão original.
Na adaptação, a megera é interpretada por Débora Bloch. Diferentemente do folhetim exibido nos anos 1980, em que Odete (Beatriz Segall) foi assassinada por Leila (Cássia Kis), a vilã segue mais viva do que nunca. Na versão de Manuela, Marco Aurélio (Alexandre Nero) entra no quarto de Odete após a passagem de Heleninha (Paolla Oliveira), que havia atirado na parede e não na mãe. Ao encontrar a arma sobre a mesa, o empresário se aproveita da situação e dispara contra a rival. Nos momentos finais, porém, vem a grande reviravolta: Odete acorda na ambulância e, com a ajuda de Freitas (Luis Lobianco), engana a todos ao forjar a própria morte e conquistar um final feliz, longe do Brasil.
Segundo a autora, a decisão foi guiada pela intenção de integrar um simbolismo social à narrativa, em diálogo com a essência da obra original. “Por que não matei a Odete? Porque a elite não morre. Às vezes, infelizmente. A elite e o poder instituído mudam para continuar igual. É como o capitalismo. Então, para mim, fez todo sentido que a Odete ficasse viva”, explicou.
Ao relembrar o processo criativo, Manuela também comentou outra mudança marcante: Leonardo Roitman (Guilherme Magon), filho da vilã, que nesta versão permanece vivo e escondido da família. Ela revelou que a ideia surgiu durante a madrugada e acredita que a reviravolta impulsionou a audiência. “Isso foi a grande decolada da novela em termos de Ibope”, pontuou.
A autora ainda destacou que a reação do público influenciou diretamente o processo de adaptação, especialmente com base nos dados reunidos pela TV Globo. Por meio de pesquisas de audiência e grupos de discussão, a emissora identificou que as mudanças despertavam maior interesse dos telespectadores. “Ficou evidente que, apesar daquela resistência natural e bem-vinda, quando aumentava o Ibope? Quando eu mudava”, ressaltou.


Apesar das críticas nas redes sociais, sobretudo pelas diferenças em relação à versão original, Manuela avalia as reações de forma positiva. Para ela, o projeto representou uma oportunidade de aprendizado. “Sempre vi ‘Vale Tudo’ como uma grande oportunidade, como se eu estivesse fazendo um PhD. Assisti à versão original quando tinha 11 anos”, disse.
Por fim, ela reforçou que as reclamações também evidenciam o engajamento do público com a história. “Reclamar quer dizer se importar. A novela foi propondo esse jogo. Não faria sentido fazer uma novela toda igual”, concluiu. Assista:
Manuela Dias deu uma entrevista pro Jornal da Bahia e entre outras coisas disse:
– Que as pesquisas mostraram que a audiência da novela #ValeTudo crescia quando ela mudava a versão original. (ou seja, ela fez uma novela melhor).
– Que “reclamar não é o mesmo que não gostar”.… pic.twitter.com/d4MySKQZE2— Henrique Haddefinir (@Haddefinir) July 27, 2026
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