Sabia que Lorde influenciou o retorno de Jão para a música? O cantor, que é um fã declarado da neozelandesa, disse que começou a trabalhar em Memórias Póstumas, seu novo álbum, depois de ouvir o disco Virgin, lançado pela artista em 2025, após quatro anos sem novos projetos.
Em entrevista para a Folha de São Paulo, a voz de Catedral explicou mais sobre o momento de desconexão com sua carreira e a música depois da era Super, pontuando que uma corrida por Américo Brasiliense, sua cidade natal, acompanhada do repertório de canções como What Was That e Man of The Year marcou o início de algo novo.
“Depois desse dia, começou um grande vômito de coisas que eu precisava dizer”, contou Jão. “Eu estava me sentindo um pouco infeliz de estar ouvindo música, fiquei um pouco sem perspectiva da minha carreira, de como eu queria seguir, se eu queria seguir.”
Pode até parecer clichê, mas essa falta de perspectiva pode ser um sentimento comum ao fechar ciclos importantes. Nesse caso, o cantor precisou buscar novas motivações para dar continuidade ao trabalho após fechar o ciclo pensado logo no início de sua carreira, em que cada álbum representa um elemento da natureza — Lobos (Terra), Anti-Herói (Ar), Pirata (Água) e Super (Fogo).
“Se você pegar uma linha do tempo da minha vida, eu sou pessoas muito diferentes em todas elas, e eu acho que eu enxergo isso em mim, mas acho que todo mundo é um pouco assim”, afirmou Jão sobre suas eras. “Eu sempre acreditei em artistas que documentam quem eles são. Gosto de ver como a pessoa cresce, muda de perspectiva, fracassa, volta. Isso é muito humano.”
Entre incertezas antes do lançamento, Jão compartilhou que seu público entendeu que ele precisava de tempo para produzir algo novo. “Senti muita falta deles. Me senti culpado, como se tivesse abandonado a confiança que eles depositaram em mim. Eu entendia que precisava daquele tempo, e acho que eles entenderam também, mas era quase uma sensação paternal”, relatou o cantor.
No último domingo (26), Jão recebeu mais de 15 mil fãs no Vale do Anhangabaú para mostrar seu novo “disco das palavras”. Nele, temáticas como o luto após a perda do pai, as idas e vindas do amor, lições aprendidas com a vida e a morte, além da necessidade de se manter interessado pela vida ganham espaço no universo sonoro.
Relembre o lançamento de Virgin
Em Virgin, Lorde explora sua relação com o corpo após deixar de usar anticoncepcional, mas também aborda novas percepções sobre crescer, temática que é marca registrada em sua discografia. Algumas canções exploram suas visões sobre feminilidade e masculinidade, além de suas descobertas como parte da comunidade não-binária.
“A cor do álbum é clara. Como água do banho, janelas, gelo, cuspe. Transparência total. A linguagem é simples e não sentimental. Os sons são os mesmos sempre que possível. Eu estava tentando me enxergar, até o fundo. Eu estava tentando criar um documento que refletisse minha feminilidade: Crua, primitiva, inocente, elegante, de coração aberto, espiritual, masculina”, escreveu Lorde, em seu site no lançamento. Por aqui, a CH também discutiu como a capa da gravação reflete esse momento de Ella.
As 14 faixas de Memórias Póstumas já está disponível nas plataformas digitais.
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