Um estudo divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) colocou o Acre entre os estados da Amazônia Legal com maior exposição ao risco de desmatamento na cadeia produtiva da carne bovina destinada aos mercados do Oriente Médio e do Norte da África (MENA). A análise aponta que frigoríficos com zonas potenciais de compra no estado figuram entre aqueles mais vulneráveis ao risco de adquirir animais provenientes de áreas desmatadas.
O levantamento, realizado por meio da plataforma Radar Verde, analisou 72 plantas frigoríficas habilitadas a exportar carne bovina para países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Argélia, Irã, Iraque, Líbano e Marrocos. Juntas, essas unidades representam cerca de 58% da capacidade total de abate da Amazônia Legal.
Segundo o estudo, nenhuma das plantas avaliadas apresentou evidências públicas de controle sobre os fornecedores indiretos, fazendas que comercializam animais para propriedades fornecedoras dos frigoríficos. A ausência desse monitoramento é apontada como um dos principais desafios para impedir que gado associado ao desmatamento ingresse na cadeia de produção da carne.
A análise destaca que o risco é maior em estados como Pará, Mato Grosso, Rondônia e Acre, onde as zonas potenciais de compra de gado são mais amplas e, em muitos casos, estão associadas a frigoríficos com baixo nível de controle socioambiental. Conforme o levantamento, a exposição ao desmatamento varia entre 31,3 mil hectares e 4,79 milhões de hectares, dependendo da área de atuação de cada planta frigorífica.
O Imazon ressalta, contudo, que a exposição ao risco não significa que os frigoríficos estejam comprando gado de áreas desmatadas ilegalmente. O estudo avalia o potencial de risco existente nas regiões de aquisição de animais e o grau de transparência e controle adotado pelas empresas sobre sua cadeia de fornecedores.
A pesquisa também mostra que 43 das 72 plantas analisadas apresentam baixo nível de controle da cadeia de fornecimento, enquanto outras 29 foram classificadas com controle muito baixo. Embora 39 unidades demonstrem elevado controle sobre fornecedores diretos, ainda não há comprovação de monitoramento das propriedades fornecedoras indiretas.
O levantamento ganha relevância diante do crescimento das exportações brasileiras de carne bovina para os países do Oriente Médio e Norte da África. Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,79 bilhão para esses mercados, o equivalente a cerca de 10% das vendas externas do produto. Em 2026, a região passou a ser considerada estratégica para parte da carne brasileira após mudanças nas importações da China.
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Lucas Vitor




