AC já teve 1,7 mil casos de SRAG em 2026; Marechal Thaumaturgo lidera incidências

Foto: Pedro Devani/Secom

A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) divulgou nesta sexta-feira, 3, o novo Boletim Epidemiológico nº 22/2026, que apresenta um panorama atualizado das Síndromes Respiratórias no estado entre as semanas epidemiológicas 1 e 25. Embora os casos leves de síndrome gripal tenham apresentado redução em relação aos últimos dois anos, o levantamento aponta crescimento expressivo das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com 1.770 notificações registradas em 2026.

Segundo o boletim, o número representa um aumento de 34,3% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 1.318 casos, e crescimento de 19,7% em relação a 2024, que registrou 1.479 notificações.

Síndrome gripal apresenta redução

Nas quatro unidades sentinelas do estado foram registradas 11.716 consultas por síndrome gripal entre as semanas epidemiológicas 1 e 25 de 2026. O volume é inferior ao observado em 2025, quando houve 14.428 atendimentos, e também abaixo dos 13.489 registrados em 2024. A faixa etária de 20 a 29 anos permaneceu como a que mais procurou atendimento médico, porém todos os casos apresentaram perfil ambulatorial, sem evolução para quadros graves.

Entre os vírus mais identificados nas unidades sentinelas estão Rinovírus, Influenza A e Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

SRAG cresce e preocupa autoridades

Apesar da redução dos casos leves, a Sesacre destaca que o Acre vive um cenário de agravamento das síndromes respiratórias graves, com aumento das internações hospitalares.

O Hospital Infantil Iolanda Costa e Silva, em Rio Branco, concentrou o maior número de internações pediátricas, enquanto o Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul, também apresentou crescimento significativo nos atendimentos.

As crianças de até 9 anos e os idosos acima de 60 anos continuam sendo os grupos mais vulneráveis às formas graves da doença.

Entre os vírus identificados nas amostras coletadas de pacientes hospitalizados estão:

* Vírus Sincicial Respiratório (VSR);
* Rinovírus;
* Influenza A (H1N1);
* Influenza A não subtipada;
* SARS-CoV-2;
* Adenovírus;
* H3 sazonal;
* Metapneumovírus;
* Parainfluenza;
* Bocavírus.

Rio Branco lidera em número de casos

Dos 1.770 casos de SRAG registrados no Acre em 2026, Rio Branco concentra 681 notificações, o equivalente a 41,25% do total estadual. Apesar do maior volume absoluto, a taxa de incidência é de 186,7 casos por 100 mil habitantes, sendo classificada como risco alto.

Na sequência aparece Cruzeiro do Sul, com 244 casos, representando 14,78% das notificações estaduais. O município possui taxa de 265,54 casos por 100 mil habitantes, enquadrada como risco muito alto.

Municípios apresentam cenário crítico

O município com a situação mais preocupante é Marechal Thaumaturgo, que registrou 138 casos e apresentou a maior taxa de incidência do estado: 807,35 casos por 100 mil habitantes, sendo classificado como “Crítico/Surto Extremo”.

Também apresentam classificação crítica: Feijó: 125 casos e incidência de 352,85 por 100 mil habitantes; Mâncio Lima: 82 casos e incidência de 425,12 e Jordão: 34 casos e incidência de 391,3.

Ainda em situação de risco muito alto aparecem Senador Guiomard, com 60 casos e taxa de 269,72 por 100 mil habitantes.

Já Sena Madureira (50 casos), Tarauacá (47), Plácido de Castro (21), Porto Acre (17), Capixaba (13), Manoel Urbano (13) e Santa Rosa do Purus (8) apresentam classificação de risco moderado. Os municípios classificados com risco alto são Xapuri, com 36 casos e incidência de 183,11 por 100 mil habitantes, e Assis Brasil, com 16 casos e taxa de 205,37.

Já os menores índices foram registrados em Brasiléia (20 casos), Rodrigues Alves (14), Bujari (12), Epitaciolândia (9), Acrelândia (6) e Porto Walter (5), todos classificados como baixo risco.

Considerando todo o estado, a taxa de incidência chegou a 203,44 casos por 100 mil habitantes, mantendo o Acre em nível alto de risco epidemiológico.

Crianças lideram internações

O boletim mostra uma mudança importante no perfil das internações. Em 2026, os menores de dois anos lideraram as hospitalizações, com 453 casos, seguidos pelas crianças de 5 a 9 anos (353) e de 2 a 4 anos (246). Entre os idosos com 60 anos ou mais foram registradas 345 internações.

Saimo Martins

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Print

Siga nossas Redes Sociais