Risco de novo colapso da Ponte em Sena Madureira faz TCE notificar Defesa Civil

Após vistoria técnica realizada na última segunda-feira (30), o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) encaminhou um ofício à Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil recomendando a adoção imediata de medidas preventivas na Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira. O documento alerta para a necessidade de monitoramento permanente da estrutura remanescente e da ampliação da área de isolamento diante do risco de novos desabamentos.

O ofício é assinado pela presidente do TCE, conselheira Dulcinéa Benício de Araújo Barbosa, e pelo vice-presidente, conselheiro Ronald Polanco Ribeiro. A recomendação foi motivada pelas constatações feitas durante a inspeção técnica, realizada com o apoio de diversas instituições, entre elas a Universidade Federal do Acre (Ufac).

No documento, o Tribunal solicita que a Defesa Civil implante, com urgência, um sistema de monitoramento visual e topográfico da ponte, abrangendo pilares, blocos de fundação, estacas expostas, tabuleiro, aterros de acesso e margens do rio. O objetivo é acompanhar continuamente as condições da estrutura e identificar rapidamente qualquer alteração que possa indicar agravamento do risco.

“Solicita-se, com urgência e em caráter preventivo, a adoção das medidas necessárias para a implantação imediata de monitoramento visual e topográfico do trecho remanescente da Ponte Frei Paolino Baldassari, abrangendo pilares, blocos de fundação, estacas expostas, tabuleiro, aterros de acesso e margens do rio.”

O TCE também recomenda que o isolamento seja ampliado. A orientação é que a interdição deixe de abranger apenas o trecho já colapsado e passe a incluir todo o tabuleiro remanescente, as margens próximas aos apoios, os aterros de acesso, a área sob a estrutura, o leito do rio nas proximidades da ponte e todos os locais com possibilidade de acesso por pedestres, veículos e embarcações.

Segundo o Tribunal, essa delimitação deve considerar a possibilidade de um novo colapso estrutural, além da queda de elementos da ponte, movimentação de solo, processos erosivos nas fundações e instabilidade das margens.

“Recomenda-se, ainda, a ampliação preventiva da área de isolamento, de modo que o perímetro interditado não se limite ao trecho já colapsado.”

Outra recomendação é que toda a área interditada receba sinalização ostensiva, com placas de advertência contendo mensagens como “Perigo – Risco de Colapso”, “Área Interditada”, “Entrada Proibida” e “Risco de Morte”. As placas deverão ser instaladas tanto nos acessos à ponte quanto nas margens do rio, trilhas, caminhos informais, pontos de observação pública e demais locais que permitam a aproximação da população.

O documento ainda determina que o monitoramento visual seja feito diariamente, por meio de registros fotográficos realizados, preferencialmente, sempre dos mesmos pontos de observação. As imagens deverão registrar data, horário, condições do rio e possíveis alterações na estrutura, como trincas, fissuras, abatimentos, deslocamentos, inclinações e erosões.

Além disso, o monitoramento topográfico deverá acompanhar eventuais deslocamentos, recalques, rotações e perda de alinhamento dos pilares, fundações, tabuleiro, aterros e margens, permitindo identificar sinais de comprometimento da estabilidade da ponte.

Na avaliação do Tribunal, qualquer mudança observada na estrutura, mesmo considerada de pequena magnitude, deve ser tratada como um indicativo de agravamento do risco e exigir resposta imediata dos órgãos responsáveis.

“Toda e qualquer alteração verificada, ainda que de pequena magnitude, seja tratada como indicativo de agravamento das condições de risco, devendo ensejar, de imediato, a ampliação da área de isolamento, o reforço da sinalização de advertência e a comunicação urgente à equipe técnica responsável para adoção das providências cabíveis.”

Lucas Vitor

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