Acre registra maior número de internações por síndrome respiratória

O Acre registrou o maior número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) dos últimos três anos. Dados do Boletim Epidemiológico nº 21, publicado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) na última quarta-feira (24), mostram que o estado acumulou 1.625 notificações entre as semanas epidemiológicas 1 e 23 de 2026, consolidando o maior volume de casos do triênio analisado e intensificando a pressão sobre a rede hospitalar.

Segundo o boletim, o total de notificações passou de 1.321 casos no mesmo período de 2024 para 1.196 em 2025, alcançando 1.625 em 2026. A Sesacre classifica o cenário como de forte aceleração das internações por SRAG, impulsionada pela circulação simultânea de vírus respiratórios, especialmente o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o Rinovírus e a Influenza A.

Rio Branco concentra a maior carga da doença no estado, com 669 notificações, o equivalente a 41,17% do total. Cruzeiro do Sul aparece em seguida, com 243 casos (14,95%). Na sequência estão Marechal Thaumaturgo, com 137 notificações, Feijó, com 125, e Mâncio Lima, com 81 casos.

O Hospital Infantil Iolanda Costa e Silva, em Rio Branco, permanece como a unidade mais pressionada pela crise respiratória. O boletim registra 430 notificações de SRAG na unidade em 2026, o maior número entre todos os hospitais do estado. Em seguida aparecem o Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul, com 358 notificações; o Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco (HUERB), com 169; a Unidade Mista de Marechal Thaumaturgo, com 104; a Fundhacre, com 100; e a Pronto Clínica, com 89 registros.

A maior pressão sobre os hospitais acompanha o perfil das internações por faixa etária. As crianças de 2 a 4 anos lideram os casos graves, com 343 internações, seguidas pelas de 5 a 9 anos, com 304. Entre os idosos com 60 anos ou mais foram registradas 305 internações, enquanto os menores de dois anos somaram 248 casos. Segundo a Sesacre, os extremos de idade continuam sendo os grupos biologicamente mais vulneráveis à evolução para formas graves da doença.

O boletim destaca ainda que a atual pressão sobre a rede hospitalar está diretamente relacionada ao crescimento da circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), hoje o principal agente identificado entre os pacientes internados com SRAG, cenário que deslocou a demanda para os serviços de pediatria e aumentou a procura por atendimento especializado para crianças com bronquiolite, bronquite e pneumonia.

Diante do cenário, a Sesacre recomenda reforçar o monitoramento dos leitos de enfermaria e de UTI pediátrica, ampliar a vigilância epidemiológica e intensificar a vacinação dos grupos prioritários. O boletim também orienta o fortalecimento da assistência nas unidades do interior para reduzir a necessidade de transferências e aliviar a sobrecarga sobre o Hospital Infantil Iolanda Costa e Silva e o Hospital Regional do Juruá, principais referências no atendimento aos casos graves de SRAG no Acre.

Whidy Melo

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