Caso Raphinha: especialistas alertam sobre responsabilidade digital após boatos de dívidas

O jogador da Seleção foi acusado de estar com problemas financeiros pelo ex-jogador Vampeta

Raphinha viu seu nome ser envolvido em rumores de uma suposta crise financeira e familiar após o ex-jogador Vampeta, campeão mundial em 2002, afirmar em um podcast que o atleta da Seleção Brasileira estaria enfrentando dificuldades fora dos campos. Ele fez questão de desmentir o assunto, que rapidamente tomou conta da web, e garantiu que a história era falsa. Diante da repercussão, o portal LeoDias entrevistou especialistas que alertaram sobre a importância da responsabilidade virtual na propagação de fake news – o que não é brincadeira e pode ser considerado crime.

A psicóloga clínica Andréia Batista avaliou os danos mentais causados pelo ato de divulgar intencionalmente informações falsas. “O impacto não está apenas na informação divulgada, mas também na necessidade constante de lidar com narrativas construídas por terceiros. Quando uma pessoa se vê obrigada a desmentir boatos ou proteger publicamente sua reputação, existe um desgaste emocional importante. A sensação de perder o controle sobre a própria história pode gerar estresse, ansiedade, frustração e sentimento de impotência”, explicou.

Veja as fotos

Raphinha durante treino com a Seleção BrasileiraCrédito: Instagram/@raphinha

Crédito: Reprodução Instagram @taia_belloli

Natalia Belioli, Raphinha e filhoCrédito: Reprodução Instagram @taia_belloli

Crédito: Reprodução Cordon Press

Raphinha, jogador do Barcelona e da Seleção BrasileiraCrédito: Reprodução Cordon Press

Crédito: Reprodução Instagram

Raphinha, jogador do Barcelona e da Seleção BrasileiraCrédito: Reprodução Instagram


“Na prática clínica, existe uma diferença importante entre receber críticas relacionadas ao desempenho profissional e ser alvo de ataques direcionados à vida pessoal. Toda atividade profissional está sujeita a avaliações, opiniões e até discordâncias. No esporte, isso faz parte da realidade dos atletas de alto rendimento. No entanto, quando a crítica deixa de estar relacionada ao trabalho realizado e passa a atingir aspectos íntimos, familiares ou relacionamentos pessoais, ela deixa de contribuir para qualquer processo de desenvolvimento ou aprendizado. Nesses casos, o foco já não está mais na performance. O que ocorre é uma exposição que pode gerar sofrimento psicológico, desgaste emocional e sensação de vulnerabilidade”, acrescentou.

A psicóloga ainda destacou que a mentira repetida pode induzir as pessoas ao erro: “A psicologia social demonstra que a repetição de uma informação aumenta a sensação de familiaridade e pode fazer com que ela seja percebida como verdadeira, mesmo na ausência de evidências. Por isso, rumores e especulações podem continuar produzindo consequências emocionais e sociais mesmo após serem esclarecidos ou desmentidos”.

Já o advogado Daniel Blanck pontuou que quem compartilha conteúdos falsos pode ser enquadrado em infrações previstas no Código Penal. “A Constituição Federal garante a liberdade de expressão, mas ela não é absoluta. O artigo 5º, incisos V e X, assegura igualmente o direito à indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de ofensas à honra, à imagem e à intimidade”, pontuou.

“Administradores de perfis e páginas respondem pelos conteúdos que publicam. Eventual alegação de que se trata de mero compartilhamento de relatos de terceiros não afasta a responsabilidade, pois quem escolhe veicular determinado conteúdo acaba por endossar sua publicação”, esclareceu.

O jurista ainda afirmou que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que a negligência na verificação de informações antes da publicação é suficiente para configurar o dano moral. “Diante de situações como essa, as medidas judiciais cabíveis incluem ação de obrigação de fazer remoção imediata do conteúdo, cumulada com pedido de indenização por danos morais e, a depender do caso, por danos materiais, além de eventual notificação extrajudicial prévia para documentar a recusa ou a inércia do responsável”, afirmou.

“Uma resposta pública do jogador, alertando sobre os riscos de reproduzir boatos sem apuração, é não apenas legítima, mas também juridicamente estratégica, contribuindo para demonstrar a falsidade do conteúdo e a extensão do dano à sua imagem. Nas redes sociais, engajamento não é sinônimo de verdade. É certo que o alcance de uma publicação falsa multiplica o prejuízo sofrido pelas vítimas”, concluiu Blanck.

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