O PT deu início a uma mobilização de apoiadores e aliados para pressionar, pelas redes sociais e nas ruas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a destravar a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1.
A ofensiva virtual será feita por meio da plataforma Porta-Vozes do Lula, um projeto de engajamento digital lançado neste mês pelo PT e que já reúne mais de 50 mil militantes. A estrutura também será utilizada na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Classificando a ação como “urgente”, a orientação do partido é que os integrantes usem a hashtag #AprovaSenado e produzam conteúdos para alertar que a proposta está travada na Casa.
Além da estratégia digital, o PT também deve convocar atos em todo o país, no próximo dia 30 de junho, para pressionar pelo avanço da PEC no Senado.
A articulação foi anunciada pelos deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e Erika Hilton (PSOL-SP) — autora de uma das propostas sobre o tema que tramitaram em conjunto na Câmara. Em recado à militância, os parlamentares defenderam cobranças ao Senado.
“O Senado sentou em cima da nossa PEC. Sentaram em cima dessa vitória necessária da classe trabalhadora brasileira. O povo brasileiro não quer e não pode ficar refém das disputas eleitorais. Essa pauta é construída e apoiada desde sempre pelo nosso governo, pelo presidente Lula, mas é para todo o Brasil”, disse Lindbergh.
Erika Hilton endossou a convocação: “A nossa missão é a seguinte: gravem vídeos cobrando o Senado Federal para que paute, vote e aprove o fim da escala 6×1. Gravem vídeos, postem aí nas redes, nos stories, marquem os senadores, marquem o Senado Federal”.


O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na cerimônia de posse de Odair Cunha no TCU
Antônio Leal/TCU

Votação do fim da escala 6×1 na Câmara
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Votação do fim da escala 6×1 na Câmara
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Deputadas do PT pelo fim da escala 6×1
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
A proposta é tratada como prioridade máxima pelo Palácio do Planalto e desponta como uma das principais vitrines eleitorais de Lula na campanha à reeleição. Negociada com a participação direta de Lula, a PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e chegou ao Senado no mesmo mês.
No próximo domingo (28), completará um mês que o texto ingressou oficialmente no sistema da Casa, mas Alcolumbre ainda mantém o projeto engavetado, sem sequer encaminhá-lo para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o primeiro passo.
O amapaense chegou a anunciar uma reunião com lideranças para discutir o tema, mas o encontro nunca foi realizado. O debate estagnou nesta semana com o esvaziamento do Congresso devido às festas de São João.
O que diz a PEC do fim da escala 6×1
- A PEC reduz a jornada semanal de 44 para 42 horas após 60 dias da promulgação.
- Doze meses depois, o limite de trabalho cairá de 42 para 40 horas semanais.
- A proposta proíbe qualquer redução salarial decorrente da mudança.
- Trabalhadores terão direito a dois dias de folga remunerada por semana.
- O texto prevê que um dos dias de descanso deverá ser, preferencialmente, aos domingos.
- Acordos incompatíveis com as novas regras perderão validade na primeira etapa da redução.
A demora em destravar a PEC também ocorre em um momento de distanciamento na relação entre Lula e Alcolumbre, que foi visto pelo entorno do petista como o principal responsável pela derrota do governo na histórica rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Internamente, dirigentes e coordenadores da campanha de Lula avaliam que a pressão pública cumpre um duplo papel estratégico: sinaliza o empenho do presidente em concluir a reforma trabalhista e mantém a base de apoiadores altamente mobilizada.
O tema é apontado como uma das pautas de maior engajamento da pré-campanha petista. Em maio, logo após a votação na Câmara, o próprio presidente reforçou o compromisso ao afirmar que o governo seguiria “trabalhando intensamente” pela aprovação definitiva da proposta.



