Edvaldo vê “ciumeira” de Gonzaga com Jorge Viana e rebate críticas sobre a BR-364

FOTOS: SÉRGIO VALE

O debate sobre a situação da BR-364 ganhou novos capítulos na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) nesta terça-feira (16). Em resposta às críticas feitas pelo deputado Luiz Gonzaga (MDB) ao governo federal e ao ex-governador Jorge Viana (PT), o deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) subiu o tom, acusou o parlamentar de contar uma “historinha” e afirmou que faltou coragem para reconhecer obras e investimentos realizados por governos anteriores.

Entenda: Gonzaga critica governo Lula por situação da BR-364 e classifica agendas como “propaganda”

Ao iniciar sua fala, Edvaldo disse que Gonzaga fez um esforço para narrar sua própria versão dos fatos, mas ignorou a trajetória histórica da principal rodovia federal do Acre.
“O deputado fez aqui um esforço danado para contar a história dele, não a história da BR”, disparou.

Em um dos momentos mais incisivos do pronunciamento, o parlamentar ironizou as críticas direcionadas ao ex-governador Jorge Viana, sugerindo que haveria um incômodo político com a presença do petista nas discussões sobre infraestrutura. “Eu senti uma certa ciumeira, deputado Luiz Gonzaga. Dizem que o pior ciúme é o ciúme de homem. Pode ter diferenças com Jorge Viana quem quiser, mas ele foi o governador que mais avançou na infraestrutura do Acre”, afirmou.

Edvaldo também reagiu à tentativa de atribuir exclusivamente aos governos petistas a responsabilidade pelos problemas históricos da BR-364. Segundo ele, a própria trajetória da rodovia demonstra que diferentes governos participaram de sua construção e reconstrução ao longo das décadas.

Durante o discurso, o deputado relembrou que um dos trechos da estrada precisou ser totalmente refeito durante os governos da Frente Popular do Acre. Segundo ele, a obra havia sido executada pela empresa Colorado, pertencente ao empresário Orleir Cameli, pai do atual governador Gladson Cameli. “O trecho de Cruzeiro do Sul até Liberdade teve que ser reconstruído nos nossos governos. Sabe por quem? Pelo próprio Orleir, com a empresa dele. Teve que refazer tudo porque a obra apresentava problemas. Foi necessário reconstruir o trecho utilizando outro tipo de material. E ficou um serviço que está lá até hoje”, declarou.

O parlamentar aproveitou para listar uma série de pontes construídas ao longo da BR-364 durante os governos federais do PT, rebatendo a afirmação de que nada teria sido feito para melhorar a infraestrutura da rodovia. Ao recordar investimentos realizados durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva, Edvaldo afirmou que Gonzaga ignora fatos históricos por conveniência política. “Na sua historinha, o senhor apaga tudo isso”, afirmou.

O deputado também declarou que Luiz Gonzaga não teve coragem de reconhecer iniciativas executadas por governos de diferentes espectros políticos, incluindo obras viabilizadas durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Nem para reconhecer o que o seu próprio campo político fez Vossa Excelência teve coragem. A integração com o Peru, por exemplo, teve participação importante do governo Fernando Henrique e articulação de Jorge Viana”, disse.

Ao abordar a visita recente do ministro dos Transportes ao Acre, Edvaldo afirmou acreditar que o governo federal finalmente iniciou um processo estruturado de reconstrução da BR-364 e pediu que o debate seja pautado pelos resultados das obras. “O ministro veio dar uma boa notícia. O recurso para a manutenção emergencial está garantido. A primeira etapa da reconstrução com macadame também está garantida. Daqui a três meses a gente faz o encontro de contas”, declarou.

O comunista ainda contestou as cobranças feitas por Gonzaga sobre a ponte de Rodrigues Alves, lembrando que a obra foi promessa de campanha do governador Gladson Cameli e não do presidente Lula. “Você tem que ter honestidade política. Quem prometeu a ponte de Rodrigues Alves não foi o Lula. Quem prometeu foi o Gladson Cameli, ainda na primeira campanha. Não fez no primeiro mandato e não fez no segundo”, afirmou.

Na reta final do discurso, Edvaldo sustentou que o governo federal tem histórico de investimentos em infraestrutura no Acre e assegurou que a ponte de Rodrigues Alves deverá sair do papel após a conclusão dos projetos executivos. “Quem fez 32 pontes na BR-364 vai fazer a trigésima terceira, que é a ponte de Rodrigues Alves”, concluiu.

O embate entre os parlamentares ocorreu um dia após a visita do ministro dos Transportes ao Acre e evidenciou a disputa política em torno da recuperação da BR-364, tema que deve continuar dominando o debate público nos próximos meses, especialmente com a aproximação do calendário eleitoral de 2026.

Whidy Melo

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Print

Siga nossas Redes Sociais