Uma biomédica que participou de um salto com o mesmo grupo investigado pela morte de Maria Eduarda relatou orientações para evitar distrações dos operadores e descreveu falhas na organização da atividade. Os relatos coincidem com depoimentos prestados pelos suspeitos à polícia.
A biomédica Josiane Francischini Pereira, que saltou com o mesmo grupo investigado pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, afirmou que os participantes eram orientados a não conversar com os responsáveis pelas cordas para evitar distrações. Em entrevista à EPTV, afiliada da Globo, ela também detalhou a desorganização dos bastidores da atividade de rope jump realizada em Limeira (SP).
Segundo Josiane, a recomendação foi feita na véspera do salto, realizado no mês passado. “Um dia antes, eles pediram para não conversarmos com os operadores de corda para eles não perderem a atenção em momento algum”, contou.
De acordo com ela, não havia uma pessoa fixa responsável por equipar os participantes antes da atividade. “Quando a gente chegou lá, ficava a moça principal para receber, colocar as pulseirinhas e te dava uma senha. Aí ficava uma fila mais ou menos, mal organizada, não tinha uma pessoa fixa para colocar o equipamento certinho. Cada hora ia um, eles iam se revezando”, relembrou.
Josiane também relatou que alguns integrantes da equipe se afastavam temporariamente das funções ao longo dos saltos. “Alguns iam comer, deitavam lá para dar uma descansada e voltavam. Então assim, a gente reparou que era uma desordem ali. Mas como éramos os últimos, a gente achou que eles estavam ali desde manhã, então tudo tranquilo”, acrescentou.
A biomédica afirmou ainda que os três homens presos pela morte de Maria Eduarda foram os mesmos responsáveis por seu salto e pelo de seu marido. “Os três do vídeo que jogaram a menina foram os três que me jogaram, jogaram meu marido. A gente conseguiu ver porque, como tínhamos saltado recentemente, recebemos muitos encaminhamentos desse vídeo. Todo mundo lembrou da gente na hora”, disse.
Assista:
Neste domingo (14), a Justiça converteu em preventiva, a prisão de Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Vitor de Freitas Gonçalves, de 27, e Maicon Fernandes Cintra, de 42. Eles são investigados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco, mesmo sem ter a intenção de matar.
O relato de Josiane coincidiu com as informações prestadas pelos próprios investigados à Polícia Civil. Em depoimento, Luis Felipe afirmou que a equipe não seguia uma divisão fixa de tarefas e que a conferência dos equipamentos era realizada de forma compartilhada entre os operadores.
“Às vezes, a gente não coloca, outro confere, outro confere, outro coloca. Às vezes, um faz, o outro vem, vê se está certo. Era mais ou menos isso”, declarou. Segundo a delegada Andréa Dantas Levy, os investigados não possuíam uma empresa formalmente estruturada nem autorização para realizar a atividade no local. “Acredito que realmente foi um amadorismo, a falta de experiência. Não é uma empresa. Não há uma regulamentação. Eles não tinham autorização para estar lá”, afirmou.

Questionado pelos agentes se era ele o responsável por instalar o equipamento de segurança ou realizar a fiscalização final antes do salto de Maria Eduarda, Luis disse não se recordar. Já Maicon afirmou que participava do processo de checagem dos equipamentos, mas também alegou não se lembrar se realizou a conferência final na vítima.
Segundo o advogado dos investigados, Rafael Gomes dos Santos, os três permanecem sem conseguir explicar como ocorreu a falha que resultou na ausência da corda de segurança. “Eles estão em estado de choque, não conseguem explicar o ocorrido, porque já estão há anos fazendo isso. Nunca teve nenhum evento semelhante”, declarou.
A tragédia aconteceu na manhã de sábado (13), durante uma atividade de rope jump na modalidade conhecida como “aviãozinho”, em que o participante é sustentado horizontalmente antes de ser lançado da plataforma. Segundo a investigação, Maria Eduarda foi impulsionada sem estar conectada às cordas de segurança e caiu de uma altura aproximada de 40 metros.
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Cora Andrade




