Os instrutores presos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, afirmaram à polícia que sofreram um “apagão” e não sabem explicar a falha que levou ao salto sem a corda de segurança. A declaração foi revelada pela delegada responsável pelo registro do caso.
Os três homens presos após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, afirmaram à Polícia Civil que sofreram um “apagão” e não conseguem explicar como a jovem foi lançada sem a corda de segurança durante um salto de rope jump. A informação foi revelada pela delegada plantonista Andréa Dantas Levy, responsável pelo registro da ocorrência.
Neste domingo (14), a Justiça converteu em preventiva a prisão em flagrante de Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Vitor de Freitas Gonçalves, de 27, e Maicon Fernandes Cintra, de 42. Os três aparecem no vídeo carregando Maria Eduarda até a plataforma momentos antes do acidente, ocorrido na região da Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.
Segundo Andréa, dois dos investigados disseram ser responsáveis pela instalação do sistema de segurança, mas alegaram não se lembrar em que momento ocorreu a falha. “Eles disseram que não conseguem se recordar onde e quando ocorreu a falha, quem teria de ter colocado e não colocou”, afirmou a delegada ao jornal O Globo. Já o terceiro suspeito declarou que apenas auxiliou no arremesso da vítima e que não participava da conferência dos equipamentos.
A versão apresentada pelos envolvidos, porém, não convenceu a investigadora. “A corda é grossa. Eram duas cordas que deveriam ter sido colocadas, e não foi colocada nenhuma. Em um esporte de risco desse, era para terem checado três vezes”, destacou. Andréa acrescentou que os homens afirmaram estar abalados e relataram nunca ter enfrentado uma situação semelhante durante os anos em que atuam na atividade. “Eles estão até desnorteados com a situação porque praticam isso há muito tempo e nunca tinha acontecido nada do tipo”, completou.
A tragédia aconteceu na manhã de sábado (13), durante um salto na modalidade conhecida como “aviãozinho”, em que a pessoa é sustentada horizontalmente pelos instrutores antes de ser lançada. Maria Eduarda caiu de uma altura aproximada de 40 metros e teve a morte constatada ainda no local.
Imagens que circulam nas redes sociais registraram o momento do acidente. Segundos depois do lançamento da vítima, testemunhas percebem que algo está errado e começam a gritar em desespero: “Gente, a corda!”.
Veja o vídeo [Atenção! Imagens fortes]:
😨 💥 CONTEÚDO SENSÍVEL: Mulher de 21 anos morre após cair de altura de 40 metros durante salto de rope jump em Limeira (SP); funcionários da empresa responsável ESQUECERAM de prender a corda antes do salto. pic.twitter.com/mHk56roBOg
— République 🇧🇷 (@republiqueBRA) June 13, 2026
Uma pessoa que aguardava para saltar após Maria Eduarda relatou à polícia que os responsáveis deixaram de realizar a checagem de segurança naquele momento. Para a delegada, a ausência dessa conferência foi determinante para o desfecho fatal, razão pela qual os suspeitos foram autuados por homicídio com dolo eventual.
Os três homens são representados pelo advogado Rafael Gomes dos Santos. Em declaração à imprensa, ele classificou o caso como uma “triste fatalidade” e afirmou que seus clientes são praticantes experientes do esporte. Segundo o defensor, eles atuam há anos na atividade e nunca haviam se envolvido em acidentes semelhantes. O advogado também alegou que o rope jump não possui regulamentação específica no Brasil, embora não seja uma prática proibida.
Além dos três presos, outras pessoas foram levadas à delegacia para prestar esclarecimentos. De acordo com a investigação, elas atuavam em uma área de apoio responsável pela distribuição de pulseiras e pela colocação de cintos e cadeirinhas nos participantes. No entanto, os suspeitos acabaram liberados por falta de elementos que justificassem a manutenção das prisões.
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Cora Andrade



