Uma testemunha do acidente que matou Maria Eduarda Rodrigues de Freitas durante um salto de rope jump em Limeira (SP) afirmou que poderia ter participado da atividade no mesmo horário. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que apura as circunstâncias da tragédia e possíveis responsabilidades dos envolvidos.
Uma das testemunhas da tragédia que matou Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, após um salto de rope jump sem corda de segurança, em Limeira, interior de São Paulo, afirmou que poderia ter sido a vítima do acidente. Em entrevista ao g1, Higor William Diniz Ferreira contou que estava entre os participantes da atividade na manhã deste sábado (13).
Ele revelou que só não saltou antes porque se atrasou para chegar ao local. “Foi livramento. Era pra ser eu, porque era pra eu ter saído de casa hoje, às 6h, pra ir pra lá. Porém, acabei me atrasando e saí 6h40. O salto meu, entre eu e essa mulher, era tipo de cinco a dez pessoas. Era o tempo que eu me atrasei. O tempo que ela passou na minha frente”, relatou.
Maria Eduarda morreu após ser lançada de uma plataforma de aproximadamente 40 metros de altura sem o equipamento de segurança preso ao corpo. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que funcionários carregam a jovem até a estrutura do salto. Logo após ela ser impulsionada, testemunhas começam a gritar em desespero: “A corda” e “Gente, a corda”.
Veja o vídeo [Atenção! Imagens fortes]:
🚨 BREAKING: a 21 year old woman is dead after a rope-jump crew launched her off a 40-meter bridge in Brazil and never clipped her to the safety line
> Saturday morning, Ponte do Esqueleto “Skeleton Bridge” Limeira, Sao Paulo
> operators pushed her off the platform with the cord… pic.twitter.com/u2yLAnHlul— BP (@everyonebpup) June 13, 2026
Segundo a Polícia Militar (PM), uma testemunha afirmou que os funcionários responsáveis pela atividade teriam se esquecido de prender a corda antes da execução do salto. Higor, por sua vez, disse que contratou a atividade após ver anúncios nas redes sociais e afirmou que acompanhou outros saltos antes do acidente.
Ele apontou que os procedimentos de segurança eram realizados normalmente até a vez de Maria Eduarda. “Foi por rede social. Tudo que eu vi, fizeram. O professor fez salto lá, falou que tem 5 anos de experiência, trabalha lá, e nunca tinha acontecido nada”, disse.
O homem também declarou que os equipamentos eram conferidos pelos instrutores em outras ocasiões, mas que isso não teria acontecido com a jovem. “Todos os rapazes verificaram se estava certo, só que o da mulher eles não verificaram. Foram três rapazes e os três ignoraram o fato dela ser lançada daquele jeito”, declarou.
Segundo o relato, Maria Eduarda escolheu a modalidade em que o participante é impulsionado pelos instrutores da plataforma. Após a queda, cenas de desespero tomaram conta do local. Higor contou que um dos funcionários envolvidos deixou a área antes mesmo da chegada das equipes de resgate.
“O rapaz, o segundo que tá atrás, que lança, ele coloca a mão na cabeça, levanta, pega as coisas dele e vai embora […] O cara ainda saiu primeiro que a gente. Antes da polícia, bombeiro, ambulância chegarem”, afirmou.
O Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados, mas a morte da jovem foi constatada ainda no local. O noivo de Maria Eduarda acompanhava a atividade e precisou receber atendimento médico após passar mal.
A investigação
A Polícia Civil informou que três pessoas, de 42, 32 e 27 anos, serão investigadas por homicídio com dolo eventual, quando alguém assume o risco de provocar a morte, mesmo sem intenção direta de matar. Os suspeitos atuavam na realização da atividade, sendo um bombeiro civil e dois auxiliares responsáveis pelos preparativos dos saltos.
Inicialmente, seis pessoas foram detidas após o acidente, mas três acabaram liberadas. Segundo a PM, dois homens fugiram do local e só foram localizados com a ajuda do helicóptero Águia, que precisou realizar buscas na mata. O caso segue sob investigação no 2º Distrito Policial de Limeira.
Prefeitura se manifesta e reclama do Governo Federal
Além da investigação criminal, a Prefeitura de Limeira anunciou que pretende processar o Governo Federal por suposta omissão na fiscalização da área da Ponte do Esqueleto, onde ocorreu a tragédia. Em nota, a administração municipal afirmou que “vinha adotando medidas administrativas e cobrando providências junto aos órgãos federais responsáveis pela área” e que a morte de Maria Eduarda “torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão”.
Segundo a prefeitura, a responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto é exclusivamente do Governo Federal. O município afirmou ainda que, junto à Câmara Municipal, por iniciativa da vereadora Bruna Magalhães, já havia encaminhado ofícios aos órgãos competentes solicitando medidas de segurança para o local. “Nenhuma providência concreta foi adotada”, destacou a administração municipal.
O prefeito Murilo Félix também cobrou a apuração de possíveis responsabilidades relacionadas à falta de controle da área. “Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos e segue sem as medidas de proteção necessárias. A Prefeitura e a Câmara vêm cobrando providências há meses para que o Governo Federal assuma sua responsabilidade. Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira”, afirmou.
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Gabriela Paiva




