O deputado estadual Eduardo Ribeiro (Republicanos) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), nesta quinta-feira (10), para criticar o posicionamento adotado por representantes da Construtora Cidade, empresa responsável pela construção da Ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou na última sexta-feira (5), em Sena Madureira.
Durante o pronunciamento, o parlamentar afirmou considerar desrespeitosa a postura de integrantes da empresa em entrevistas concedidas à imprensa após o acidente, especialmente diante da gravidade do episódio, que deixou vítimas feridas e provocou a interrupção de uma importante ligação entre o centro da cidade e o Segundo Distrito. “Isso é uma falta de respeito com o povo do Acre. Gastaram R$ 45 milhões e dizem que não precisam provar nada”, declarou o deputado.
Eduardo Ribeiro também questionou aspectos da estrutura da ponte e afirmou que, embora não seja especialista em engenharia, a população tem o direito de cobrar esclarecimentos sobre a obra. “Nós não somos engenheiros aqui, mas todo mundo tem bom senso. O tamanho das pilastras da ponte é um negócio impressionante. Gastaram R$ 45 milhões e dizem que não precisam provar nada”, afirmou.
O parlamentar ressaltou que a Construtora Cidade ainda terá de prestar esclarecimentos aos órgãos de controle e fiscalização que investigam o colapso da estrutura. “Quero dizer aos diretores da empresa que eles têm muita coisa para provar ao Ministério Público, muita coisa para provar ao Tribunal de Contas”, disse.
Ribeiro também defendeu que a Assembleia Legislativa acompanhe de perto os desdobramentos do caso e os procedimentos já instaurados por diferentes instituições. “Essa Casa não pode se furtar disso. Nós precisamos acompanhar com muita atenção as investigações e os procedimentos que foram instaurados”, afirmou.
O deputado argumentou que a população acreana não pode aceitar a perda de um investimento milionário sem a devida apuração das responsabilidades. “O povo do Acre não pode abrir mão de R$ 45 milhões que foram jogados ali no rio”, declarou.
Estado de saúde das vítimas
O acidente deixou quatro pessoas feridas. Entre elas está o juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos, que gravava uma transmissão ao vivo nas proximidades da ponte quando parte da estrutura desabou. Ele sofreu traumatismo craniano, trauma abdominal e fratura no crânio, sendo transferido para Rio Branco em estado grave.
Na última atualização divulgada pelas autoridades de saúde, Edinaldo permanecia internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), consciente e com quadro clínico estável. Uma nova cirurgia chegou a ser avaliada pela equipe médica, mas foi descartada após a evolução considerada positiva do paciente.
Já o irmão dele, Edinei Muniz, de 51 anos, que também ficou ferido no desabamento, recebeu alta médica nesta semana após apresentar boa recuperação. As outras duas vítimas sofreram ferimentos de menor gravidade e receberam atendimento médico logo após o acidente.
Investigações seguem em andamento
As declarações de Eduardo Ribeiro ocorrem em meio às investigações sobre as causas do colapso da Ponte Frei Paolino Baldassari. O Ministério Público do Acre (MPAC) instaurou procedimento para apurar eventuais responsabilidades, enquanto o governo estadual anunciou medidas para buscar reparação pelos danos causados.
Em nota divulgada nesta semana, a Construtora Cidade afirmou que a ponte foi construída de acordo com as normas técnicas de engenharia e atribuiu o desabamento a um fenômeno geotécnico conhecido como “terras caídas”. A empresa sustenta ainda que recomendou ao Deracre a interdição total da estrutura em 4 de junho, um dia antes do acidente, após identificar sinais de instabilidade no solo da região.
Paralelamente, técnicos do Deracre e da própria construtora realizam estudos geotécnicos, levantamentos de campo e análises estruturais para identificar as causas do desabamento, enquanto seguem as investigações conduzidas pelos órgãos de controle e fiscalização.
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Da redação ac24horas



