Edvaldo pede comissão da Aleac para acompanhar investigações sobre ponte

Foto: Sérgio Vale

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) defendeu, nesta quinta-feira (10), a criação de uma comissão de representação da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) para acompanhar as investigações sobre o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira. Durante pronunciamento na tribuna, o parlamentar questionou o valor total da construção, que segundo ele, foi 25% superior ao contrato.

Edvaldo Magalhães levantou questionamentos sobre a execução da obra e sugeriu que as investigações devem verificar possíveis diferenças entre o projeto originalmente previsto e a estrutura efetivamente construída. Além disso, comparou a ponte desabada a outra obra executada pela mesma empresa sobre o Rio Iaco, a Ponte da Amizade, localizada na BR-364, e afirmou que, naquele caso, mesmo diante de movimentações do terreno, a estrutura principal permaneceu preservada. “Na outra ponte [do acesso principal à Sena Madureira], o maciço se moveu, mas as colunas não caíram e o tablado não caiu. Nesta, bastou a movimentação do barranco para quebrar tudo e jogar a estrutura dentro do rio”, declarou.

Ao defender uma investigação aprofundada, o deputado afirmou que é necessário esclarecer se houve redução de materiais ou alterações na execução da obra em relação ao projeto original. “O projeto básico apontava determinadas características para as colunas. O que foi executado precisa ser analisado. Isso precisa ser esclarecido pelas investigações”, disse.

Magalhães também chamou atenção para o custo final do empreendimento, que superou R$ 45 milhões após aditivos contratuais, e afirmou que a população acreana espera respostas sobre as causas do desabamento. “Mais de R$ 45 milhões foram pagos por essa obra, 25% superior [ao contratado]. A sociedade tem o direito de saber exatamente o que aconteceu”, concluiu.

Ainda durante o discurso, Edvaldo Magalhães anunciou que apresentará um requerimento para a criação de uma comissão de representação externa da Aleac com o objetivo de acompanhar os desdobramentos do caso. Segundo ele, a proposta é que o grupo seja composto nos moldes previstos pelo Regimento Interno da Casa e tenha a participação de um integrante da Mesa Diretora na presidência dos trabalhos. “Não vou nem propor CPI porque sei que ela vai nascer morta. Mas quero propor um instrumento legislativo razoável que permita a esta Assembleia acompanhar esse processo de apuração dos fatos”, declarou.

De acordo com o deputado, a comissão deverá acompanhar as investigações conduzidas pelo Ministério Público do Acre (MPAC), pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), pelas perícias da Polícia Civil e por eventuais apurações da Polícia Federal.
“O que queremos é acompanhar todo esse trabalho de apuração para que, ao final, possamos compreender exatamente o que aconteceu”, afirmou.

Investigações em andamento

O colapso da Ponte Frei Paolino Baldassari deixou quatro pessoas feridas. Entre elas está o juiz aposentado Edinaldo Muniz, que permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Rio Branco, com quadro estável e consciente, segundo as últimas informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre). Seu irmão, Edinei Muniz, recebeu alta médica nesta semana.

O Ministério Público do Acre instaurou investigação para apurar as causas do acidente. Paralelamente, o governo do Estado anunciou medidas para buscar a responsabilização dos envolvidos, enquanto o Deracre e a Construtora Cidade realizam estudos técnicos e geotécnicos para identificar os fatores que levaram ao colapso da estrutura.

A Construtora Cidade sustenta que a ponte foi construída em conformidade com as normas técnicas de engenharia e atribui o desabamento a um fenômeno geotécnico conhecido como “terras caídas”. A empresa também afirma que recomendou ao Deracre a interdição total da ponte um dia antes do acidente, após identificar sinais de instabilidade no solo da região.

Whidy Melo

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