Jovem piloto da Audi fala sobre a responsabilidade de representar o país na categoria e comenta as constantes comparações com Ayrton Senna
Gabriel Bortoleto ainda está dando os primeiros passos na Fórmula 1, mas já carrega uma missão que vai além dos resultados nas pistas. Aos 21 anos, o brasileiro afirmou que deseja reconectar o país à categoria e criar para uma nova geração as mesmas memórias que marcaram milhões de torcedores durante a era de Ayrton Senna.
Em entrevista ao portal RacingNews365, o piloto da Audi falou sobre o sonho de ver os brasileiros voltarem a acompanhar as corridas com o mesmo entusiasmo que transformou as manhãs de domingo em um ritual nacional durante as décadas de 1980 e 1990.
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Gabriel Bortoleto brilha e garante oitavo lugar em MonzaReprodução/X: @stakef1team_ks

Gabriel Bortoleto sofre acidente durante corrida em InterlagosFoto/Instagram/@gabrielbortoleto_

Ayrton Senna em sua primeira vitória no Brasil. Foto: Reprodução

Vitória de Ayrton Senna no Brasil, em 1993. Foto: Reprodução
“O que eu posso dizer é que vou trabalhar todo dia para ser o melhor piloto que posso ser, criar minha própria história e deixar meu país orgulhoso de mim; é isso que importa. Quero trazer felicidade ao meu país, quero fazê-los acordar no domingo de manhã e assistir a uma corrida com suas famílias, e ter as mesmas memórias que eu tive com meu pai quando era mais novo”, afirmou.
A fala surge em um contexto de grande expectativa em torno do brasileiro. Campeão da Fórmula 3 e da Fórmula 2 logo em suas temporadas de estreia, Bortoleto chegou à principal categoria do automobilismo mundial cercado por projeções ambiciosas. Com isso, também vieram as inevitáveis comparações com Ayrton Senna, maior ídolo da história do esporte no Brasil.
O piloto reconheceu a dimensão do legado deixado pelo tricampeão e classificou como uma honra ter seu nome associado ao do ex-piloto. Ao mesmo tempo, ressaltou que ainda está construindo a própria trajetória.
“O Senna é o maior de todos os tempos, então ter o meu nome na mesma frase dele já é uma grande coisa. Eu sou brasileiro, e ele é meu ídolo. Eu li sobre ele, vi vídeos sobre ele e sou muito grato por isso, mas às vezes é difícil ser comparado a alguém que ganhou tanto quando se está no início de sua carreira”, disse.
Bortoleto também comentou o peso das expectativas que acompanham um piloto brasileiro na Fórmula 1. Segundo ele, o apoio dos torcedores é um dos maiores patrimônios do esporte no país, embora a cobrança faça parte da realidade de quem compete em alto nível.
“Há muitas coisas positivas e negativas sobre isso, e, quando você não vence, as pessoas podem ser muito duras, mas tem muita gente que apoia no Brasil; nós somos o povo que mais apoia. Então espero que, daqui a 10 ou 15 anos, a gente esteja conversando de novo, e que nós possamos dizer se foi válido me comparar com ele”, afirmou.
Enquanto o debate sobre o futuro continua, o presente reserva mais um desafio para o jovem brasileiro. O próximo compromisso de Bortoleto será no tradicional Grande Prêmio de Mônaco, entre os dias 5 e 7 de junho. Em uma temporada de aprendizado e adaptação na Fórmula 1, o piloto segue construindo sua história com um objetivo claro: fazer o Brasil voltar a olhar para as pistas com a mesma paixão de outras gerações.



