O deputado estadual Arlenilson Cunha (PL) apresentou, durante o pequeno expediente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) nesta terça-feira (26), um projeto de lei para que a recém-criada Faculdade Estadual do Acre passe a se chamar Faculdade Estadual Doutor Enéas Carneiro – Instituição de Ensino Superior Tecnológico.
A faculdade estadual foi oficializada pelo governo acreano em março deste ano e funciona na Cidade do Povo, em Rio Branco, sob gestão do Instituto Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (Ieptec). O projeto foi anunciado com investimento estimado em R$ 30 milhões e oferta inicial de cursos superiores tecnológicos.
Durante o discurso, Arlenilson destacou que Enéas nasceu em Rio Branco e construiu carreira acadêmica e profissional de destaque nacional e internacional. “Enéas morreu há 19 anos, um acreano, e eu queria aqui deixar um pouco do histórico do Doutor Enéas Carneiro. Primeiro, ele nasceu em Rio Branco, então é acreano, apresentou com excelência academia em sua plenitude, diplomado em medicina, física, matemática, primeiro colocado na escola de saúde do Exército e se tornou uma referência global em cardiologia”, afirmou.
Enéas Ferreira Carneiro nasceu em 5 de novembro de 1938, em Rio Branco, quando o Acre ainda era território federal. Filho de um seringueiro, perdeu o pai ainda na infância e enfrentou dificuldades financeiras ao lado da mãe. Ainda jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua trajetória acadêmica marcada pelo desempenho considerado excepcional.
Formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, também estudou física e matemática, além de ter ingressado na Escola de Saúde do Exército, onde alcançou o primeiro lugar. Na área médica, ganhou notoriedade como cardiologista e professor universitário, tornando-se autor de obras técnicas, entre elas o livro “Electrocardiograma”, referência na área da cardiologia.
O deputado também ressaltou que a trajetória do acreano ultrapassou as fronteiras do Brasil. “É um acreano que a sua biografia, a sua história transcende as fronteiras do arco do Brasil, é uma referência global”, acrescentou.
Conhecido nacionalmente pela frase “Meu nome é Enéas”, repetida nos programas eleitorais de televisão, Enéas ganhou projeção política ao fundar o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (Prona), em 1989. Foi candidato à Presidência da República em três eleições: 1989, 1994 e 1998. O acreano defendendo pautas nacionalistas, fortalecimento do Estado brasileiro, investimentos em ciência e tecnologia e soberania nacional.
Em 2002, foi eleito deputado federal por São Paulo com votação histórica, tornando-se o parlamentar mais votado do país naquele pleito. Apesar da forte identificação popular, também era figura controversa por posições políticas consideradas radicais por adversários.
Segundo Arlenilson, associar o nome de Enéas à instituição de ensino superior tecnológica representa uma valorização da ciência, da educação e do conhecimento. “Associar o seu nome à Unidade de Ensino Superior Técnico-Científico é conferir à instituição um patrono que personifica o rigor intelectual e a busca incessante pelo reconhecimento”, disse.
O deputado também relembrou a atuação política do ex-parlamentar e sua defesa da soberania nacional e do investimento em capital humano. “A vida pública de Enéas foi um ferrenho defensor da soberania nacional e ele deixa muito claro que as adversidades econômicas são fundamentais quando se investe no capital intelectual humano”, declarou.
Enéas Carneiro morreu em 6 de maio de 2007, aos 68 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de leucemia mieloide aguda. À época, estava afastado da vida pública por problemas de saúde. A morte repercutiu nacionalmente e foi lamentada por aliados e adversários políticos.
Ao encerrar o pronunciamento, o parlamentar pediu apoio dos demais deputados estaduais para aprovação da proposta. “Fica aqui o nosso pedido aos colegas deputados para que a Assembleia faça essa homenagem ao doutor Enéas Carneiro e o devido reconhecimento”, concluiu.
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Whidy Melo



