Da base do governo, Antônia Sales chama Bestene de “pra frente” e o acusa de tentar silenciar críticas

A deputada estadual Antônia Sales (MDB), integrante da base do governo na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), fez duras críticas ao secretário estadual de Saúde, José Bestene, durante discurso em plenário nesta terça-feira (19), e afirmou que o gestor não gosta de ser cobrado publicamente por deputados estaduais.

Ao reclamar da falta de medicamentos para pacientes com fibromialgia, Antônia declarou que continuará denunciando problemas da Saúde mesmo diante de possíveis reações do secretário e de assessores da pasta. “Ele não gosta não que eu fique falando aqui isso não. Mas eu estou do lado do povo. Eu sou a voz do povo. É eles que me elegem, não é secretário, não é governo, não é presidente da República”, afirmou.

A parlamentar ainda subiu o tom ao dizer que não se importa se integrantes do governo ficarem incomodados com suas falas na tribuna. “Então eu não quero saber se secretário fica com raiva de mim, se assessor de secretário fica com raiva de mim”, disparou.

Na sequência, Antônia relembrou um episódio ocorrido em Feijó e insinuou ter sido repreendida após cobrar ajuda para uma criança que precisava de tratamento no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO). “Eu recebi uma chamada, foi tão ‘pra frente’ em Feijó, deputado, lembra? ‘Ah, você reclamou de mim porque eu não fui dar auxílio para uma criança lá no INTO’”, relatou.

Segundo a deputada, a criança estaria convulsionando e a família teria recorrido até a agiotas para custear despesas relacionadas ao tratamento. “Uma criança que está convulsionando, que pagou agiota quase 15 mil reais”, afirmou.

Antônia ainda criticou o que classificou como excesso de dependência da população em relação à autorização de gestores e assessores da Saúde. “O que é isso, gente? Como é que pode? A mulher tem que estar 24 horas pendente do secretário, do assessor do secretário?”, questionou.

As críticas ocorreram enquanto a parlamentar denunciava a falta do medicamento duloxetina 30 mg para pacientes com fibromialgia. Durante o discurso, ela leu a mensagem de uma mulher que afirma estar há três meses sem conseguir receber a medicação após o fechamento da Policlínica do Tucumã.

“Essa senhora aqui está pedindo socorro, porque os remédios são caros e hoje não estão se dando esses remédios e já está há três meses”, disse.

Na mensagem reproduzida pela deputada, a paciente relata dificuldades para descobrir onde retirar o medicamento após a desativação da unidade de saúde. “Antes era disponibilizado na Policlínica do Tucumã, desativaram a unidade e nós, pacientes, ficamos sem a medicação”, leu Antônia.

A parlamentar também questionou a falta de informações sobre a nova unidade responsável pela entrega dos remédios. “Se fechou, se colocou em outro lugar, por que não colocam o letreiro onde é?”, cobrou.

O ac24horas procurou a assessoria da Secretaria de Saúde do Acre sobre a mudança da farmácia da Policlínica do Tucumã e aguarda resposta.

Whidy Melo

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