Debate sobre ida de Neymar à Copa do Mundo expõe polarização política

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1 de 1 Imagem colorida - Foto: Carla Sena / Arte Metrópoles

Às 17h desta segunda-feira (18/5), os torcedores brasileiros finalmente conhecerão os 26 jogadores convocados para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026. Tradicionalmente cercada de expectativa, a lista deste ano ganhou um elemento extra de tensão: a possível presença ou ausência de Neymar.

O retorno ao Santos reacendeu o debate sobre sua condição física e técnica para disputar mais uma Copa. Mas a discussão deixou de ser apenas esportiva. Assim como ocorre com diversos temas no Brasil atualmente, o debate sobre Neymar acabou atravessando também o campo político, rivalizando direita e esquerda.

Nos últimos anos, o jogador passou a ser associado publicamente a setores da direita brasileira, especialmente após demonstrar apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante as eleições de 2022. A partir daí, Neymar deixou de ser visto apenas como um ídolo do futebol e passou também a ser interpretado politicamente por parte da população.

Polarização

O cientista político Christian Lohbauer avalia que a polarização política no Brasil ultrapassou o ambiente tradicional das disputas eleitorais e passou a atingir espaços historicamente ligados à identidade nacional, como a Seleção Brasileira.

Segundo ele, o posicionamento público de Neymar em apoio a Bolsonaro transformou o atacante em um dos principais símbolos desse processo. Para Lohbauer, o cenário político mudou não apenas pelo aumento da polarização, mas também pela forma como atletas, artistas e celebridades passaram a ser automaticamente associados a campos ideológicos específicos.

“Hoje, qualquer atleta ou artista que manifesta apoio a algum lado passa a carregar junto uma rejeição automática do outro campo político”, afirma.

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Neymar na Copa do Mundo de 2014
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Neymar na Copa do Mundo de 2014

Neymar Jr. com a camisa da Seleção Brasileira.
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Neymar Jr. com a camisa da Seleção Brasileira.

Pedro Vilela/Getty Images

Neymar é camisa 10 do Santos.
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Neymar é camisa 10 do Santos.

Raul Baretta/ Santos FC.

Lionel Messi e Neymar no PSG
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Lionel Messi e Neymar no PSG

Tim Clayton/Corbis via Getty Images

Neymar comemorando gol pelo Santos diante do Recoleta
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Neymar comemorando gol pelo Santos diante do Recoleta

Reprodução/X/Santos FC

Neymar disputou 13 partida em 2026
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Neymar disputou 13 partida em 2026

Raul Baretta/ Santos FC

Na avaliação do cientista político, Neymar acabou inserido nesse contexto justamente por ser uma das personalidades mais populares do país. O apoio declarado ao bolsonarismo fez com que o jogador deixasse de ser visto apenas como um ídolo esportivo e passasse também a representar um posicionamento político dentro da disputa ideológica brasileira.

Para Lohbauer, a imagem do atacante hoje reflete não apenas debates sobre futebol, mas também as divisões políticas e sociais que marcam a sociedade brasileira.


Neymar na Copa?

  • Pesquisa Genial/Quaest mostra que 47% dos brasileiros defendem a convocação de Neymar, enquanto 45% são contrários.
  • Entre os eleitores que dizem ser direita não bolsonarista, 58% defendem a convocação. Já entre os que se dizem de esquerda não lulista, a maioria é contrária à presença do jogador.
  • Entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 45% apoiam a convocação e 50% são contrários. Já entre bolsonaristas, o apoio chega a 57%, maior percentual do grupo analisado.
  • O estudo foi realizado entre os dias 10 e 13 de abril de 2026, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Dentro do contexto de Neymar na Seleção, o deputado federal Hélio Lopes (PL) encaminhou ofício à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) solicitando a convocação de Neymar Jr. para a Copa do Mundo de 2026.

No documento, o parlamentar afirma que Neymar “não é apenas um jogador”, mas “o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira e um símbolo de talento, criatividade, superação e esperança para milhões de torcedores”.

Ame ou odeie

Para o doutor em ciência política Leandro Gabiati, o debate sobre amar ou odiar o Neymar está fortemente contaminado pela polarização política atual. A apropriação de símbolos nacionais pela direita, como a bandeira e a camisa da Seleção Brasileira, estigmatizou esses itens e afastou parte do público de se identificar com o “universo da Seleção”.

Gabiati esclarece que, embora o cenário político tenha influenciado o distanciamento de torcedores durante o ciclo preparatório para a Copa do Mundo, a tendência é que as pessoas voltem a torcer pela “Canarinho” assim que o mundial começar.

“Acaba que a gente observa discussões em grupo, em redes sociais, e você detecta de fato que aqueles que se identificam mais com a direita defendem a convocação do Neymar, enquanto a turma mais da esquerda entende que o atleta não deveria ser convocado”, diz.

Neymar e eleições

Desde a estreia do Neymar como jogador profissional de futebol em 2009, o Brasil já passou por quatro eleições gerais. Com apenas 18 anos, o jovem atleta do Santos não se posicionou na disputa presidencial entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

Em 2014, o atacante foi o camisa 10 do Brasil no seu primeiro mundial. No campo, Neymar se lesionou nas quartas de final contra a Colômbia, ficando fora do fatídico 7×1, em pleno Mineirão. Alguns meses depois, o à época jogador do Barcelona declarou voto aberto em Aécio Neves (PSDB).

“Eu vou apoiar o candidato Aécio Neves porque me identifico muito com a proposta que ele tem para o Brasil. Mas tenho a certeza que seja qual for o resultado de domingo, eu continuarei à disposição do meu país e do presidente eleito pelo povo”, disse o atacante em vídeo nas redes sociais.

No pleito seguinte, Neymar não tomou partido. Em 2022, o atleta se envolveu diretamente no pleito, apoiando abertamente Bolsonaro e até participando de lives durante a campanha do ex-presidente.

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