A relação entre o Governo do Acre e a Prefeitura de Feijó voltou a se tensionar após o prefeito Railson Ferreira vir a público, nesta terça-feira, 12, afirmar que poderia acampar em frente ao Palácio Rio Branco para ser recebido pela governadora Mailza Assis. Integrantes do governo reagiram à declaração classificando a postura como “chantagem” e “cena midiática”, destacando que o próprio gestor municipal tem se ausentado de agendas institucionais e deixado de cumprir compromissos assumidos em ações integradas entre Estado e Município.
Uma destas, foi a entrega oficial da primeira etapa das obras do Hospital Regional de Feijó, realizada no último dia 30 de abril. De acordo com o secretário de Estado de Obras Públicas, Ítalo Lopes, a prefeitura foi comunicada com mais de 60 dias de antecedência sobre a conclusão da etapa e da presença da governadora no municipio para o ato de entrega.
“Informamos oficialmente a prefeitura sobre a agenda e, mesmo assim, o prefeito não compareceu, o vice-prefeito também se ausentou e a gestão municipal sequer enviou representante para um momento importante para a população”, afirmou o secretário.
A falta de comprometimento do prefeito Railson também foi registrado durante o mutirão de saúde promovido pela Secretaria de Estado de Saúde nos dias 28 e 29 de abril, em Feijó. O secretário de Estado de Saúde, José Bestene, teria articulado previamente a ação junto ao município, mas a prefeitura não teria cumprido os compromissos assumidos.
“O mutirão foi planejado em parceria para ampliar os atendimentos à população, mas a prefeitura não cumpriu sua parte e sequer realizou a limpeza do espaço onde a ação aconteceu”, relatou.
O secretário de Governo, Luiz Calixto, afirmou que o Estado mantém disposição para o diálogo institucional, mas criticou duramente a postura da gestão municipal de Feijó.
“O governo está sempre disposto ao diálogo, mas não vai ceder a chantagens nem aceitar que a prefeitura terceirize suas responsabilidades. Não consegue nem tapar os buracos da cidade. Se não quer ser prefeito, entregue o cargo”, declarou Calixto.
No contexto político, as atitudes do prefeito Railson Ferreira revelam que ele é aliado do senador Alan Rick e que para fazer oposição ao governo estaria, inclusive, entre os incentivadores e promotores do recente movimento de fechamento da BR-364 em Feijó, realizado sob o argumento de pressionar o avanço das obras do hospital regional.
No entanto, paralelamente a isso, em levantamento local, dados do governo demonstram que a crise na saúde municipal agrava a sobrecarga no Hospital Regional de Feijó, uma vez que pelo menos sete unidades básicas de saúde da rede municipal encontram-se fechadas, comprometendo o atendimento primário e aumentando a pressão sobre a rede estadual.
De acordo com os dados do Estado, dos mais de 2 mil atendimentos realizados atualmente no hospital , pelo menos 1,8 mil deveriam estar sendo realizados nas Unidades Básicas de Saúde do município, responsabilidade direta da prefeitura.
“Enquanto o governo amplia investimentos e busca soluções conjuntas, o prefeito prefere criar problemas e situações midiáticas para se promover politicamente, em vez de trabalhar em parceria para resolver os problemas da população”, concluiu o secretário.
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Da redação ac24horas



