nova fase chega ao Centrão e pressiona delação de Vorcaro

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1 de 1 Daniel Vorcaro declarou à Receita Federal possuir R$ 49,7 milhões em obras de arte - Foto: Arte sobre foto de divulgação

A quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga a fraude bilionária envolvendo o Banco Master, mergulhou nos relacionamentos políticos de Daniel Vorcaro com figuras influentes do Centrão. O novo desdobramento colocou mais pressão sobre a delação premiada do banqueiro — que já foi alertado sobre o risco de fazer “colaboração seletiva”.

O principal personagem desta etapa é o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Segundo a PF, o político usava o mandato em benefício de interesses do extinto banco.

Para ter a delação premiada aceita, Vorcaro deve levar à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) elementos inéditos para o caso e sem poupar nomes. Nesta semana, os advogados entregaram os chamados anexos para tentar fechar o acordo com as autoridades.

Caso o acordo seja aceito, o dono do Banco Master poderá ter redução de pena em até dois terços — ou mesmo receber o perdão das autoridades.

No entanto, há o risco de Vorcaro ter a colaboração rejeitada, caso as autoridades entendam que algum nome ficou fora ou alguma prova foi ocultada — como ocorreu nesta semana, com a proposta de delação apresentada pelo empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, alvo da Operação Carbono Oculto. O investigado omitiu o nome de políticos envolvidos nos crimes.


A relação de Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro

  • Ciro apresentou emenda a uma PEC — que ficou conhecida como Emenda Master — visando aumentar o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão.
  • Se aprovada, a emenda aumentaria em quatro vezes o limite do FGC, o que protegeria investidores de bancos como o Master
  • Em conversas, Vorcaro disse que a proposta saiu “exatamente como mandou”.
  • O texto da emenda foi elaborado pela assessoria do Master, encaminhado a Vorcaro pelo ex-diretor do Master André Kruschewsky, impresso e entregue em envelope destinado ao parlamentar.
  • Em conversas com a ex-noiva, Vorcaro se referia a Ciro como um “grande amigo”.

A defesa de Ciro Nogueira disse “repudiar qualquer ilação de ilicitude” sobre condutas do senador. Em nota, os advogados pontuaram que Nogueira está comprometido em contribuir com a Justiça para “esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”.

Além do senador, há outros nomes do Centrão que podem estar na teia de Vorcaro. O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, teria voado em um helicóptero do dono do Master após participar do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, em novembro de 2024.

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Senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro
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Senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro

Reprodução/Metrópoles

Ciro Nogueira é suspeito de atuar no Congresso para favorecer o Banco Master
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Ciro Nogueira é suspeito de atuar no Congresso para favorecer o Banco Master

Arthur Menescal/Especial Metrópoles

PF fez busca em endereço ligado a Ciro Nogueira
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PF fez busca em endereço ligado a Ciro Nogueira

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Carro BMW 440i foi apreendido na residência do presidente do Partido Progressistas (PP)
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Carro BMW 440i foi apreendido na residência do presidente do Partido Progressistas (PP)

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Senador foi alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero
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Senador foi alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero

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Mais tempo

Agora, a PF e a PGR se debruçam sobre o quanto Daniel Vorcaro poderá provar e se o caso ainda depende de diligência. A acusação confronta a oferta com o que já existe nos autos. A análise dos anexos entregues pelos advogados pode demorar meses.

O dono do Master está preso preventivamente desde 4 de março. A prisão ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a venda de carteiras de créditos fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).

A defesa informou à PF e à PGR que Vorcaro estaria disposto a fechar o acordo “sem poupar ninguém”. Em meio a forte pressão do Centrão – que tentava articular uma delação seletiva – os investigadores deixaram claro que não haveria espaço para “salvar algumas figuras”.

Para a PF, a investigação está longe do fim. O inquérito tem vigência até o meio deste mês, e investigadores avaliam que um novo pedido de prorrogação deve ser acolhido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.

A PF avançou nos últimos dias na análise dos oito aparelhos celulares encontrados com o dono do Banco Master. Parte desses telefones contém arquivos digitais, e não aplicativos de mensagens.

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