Capitão de um cruzeiro de luxo que fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde anunciou a morte de um passageiro a bordo em 12 de abril. O episódio foi registrado em vídeo e ocorreu durante a viagem do navio MV Hondius, da Oceanwide Expeditions.
Nesta quarta-feira (6), um passageiro divulgou um vídeo em que o capitão de um cruzeiro de luxo, que fazia a rota de Ushuaia, na Argentina, para Cabo Verde, anuncia a primeira morte a bordo em 12 de abril, em meio à suspeita de um surto de hantavírus. Na ocasião, ainda sem confirmação da doença, ele afirmou que o passageiro havia morrido de causas naturais, para tranquilizar os demais ocupantes.
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram Jan Dobrogowski, capitão do navio MV Hondius, da Oceanwide Expeditions, anunciando a morte do passageiro. No registro, o comandante explica que a comunicação aos demais hóspedes fazia parte do protocolo, mas reforça que a situação estava sob controle: “É meu triste dever informar que um dos nossos passageiros faleceu repentinamente na noite passada”.
Dobrogowski chegou a afirmar que não se tratava de uma morte por doença infecciosa: “Por mais trágico que seja, acreditamos que foi por causas naturais. E também, quaisquer problemas de saúde que ele estivesse enfrentando, segundo o médico, não eram infecciosos, então o navio está seguro nesse aspecto. Claro, é uma circunstância muito, muito triste, que terá impacto nas nossas operações“.
Na sequência, o capitão explica que o cruzeiro poderia fazer paradas, mas que a embarcação já seguia sua rota normalmente e que isso seria apenas uma medida preventiva: “Fazemos o que podemos para continuar de forma segura e digna. Estamos no meio do Atlântico, com poucos lugares possíveis para ir. Esses locais, por acaso, fazem parte do nosso itinerário. Mas isso é secundário”.
Por fim, Dobrogowski reforça que a embarcação estava segura e que os passageiros não precisavam se preocupar após a morte do primeiro ocupante, um homem holandês cuja identidade não foi divulgada: “De qualquer forma, o navio está seguro. Esse senhor, infelizmente, morreu de causas naturais. E como eu disse, fazemos o que podemos para continuar de forma segura e digna”.
Novas ocorrências
O navio seguiu viagem e o corpo do passageiro foi desembarcado em 24 de abril na ilha de Santa Helena para repatriação, acompanhado pela esposa, que também morreu dois dias depois e testou positivo para o vírus, intensificando a suspeita do surto. Em 2 de maio, outro passageiro, de nacionalidade alemã, morreu a bordo. Dois ocupantes seguem internados: um em estado grave na África do Sul e outro na Suíça.
Após ficar três dias à deriva em Cabo Verde, o cruzeiro retomou a rota nesta quarta-feira (6), rumo à Espanha. Ao todo, 150 pessoas estão a bordo e devem desembarcar em Tenerife, nas Ilhas Canárias, nos próximos dias. Segundo autoridades espanholas, os passageiros passarão por nova quarentena, já que o período de incubação do hantavírus pode chegar a 45 dias. Porém, eles não apresentam sintomas.
Doença é transmitida por roedores
A demora no desembarque dos ocupantes ocorre por conta do risco de agravamento da situação e da necessidade de autorização das autoridades portuárias de cada país, já que qualquer movimentação pode ampliar a possibilidade de disseminação. O hantavírus é transmitido principalmente por roedores infectados e pode causar sintomas respiratórios, comprometimento cardíaco e febre hemorrágica.

Um caso recente da doença também chamou atenção nos Estados Unidos: o ator Gene Hackman e sua esposa, Betsy Arakawa, foram encontrados mortos em fevereiro de 2025 em Santa Fé, no Novo México. Após a perícia, foi confirmado que Betsy havia contraído hantavírus, enquanto Hackman morreu em decorrência de complicações cardíacas, associadas ao Alzheimer avançado.
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Clara Andrade


