Em coletiva de imprensa realizada na noite desta terça-feira, 05, após o ataque ocorrido no Instituto São José, em Rio Branco, que deixou duas pessoas mortas, o secretário de Segurança Pública do Acre, José Américo de Souza Gaia, afirmou que o caso foi uma “fatalidade”, destacou a adoção imediata de protocolos de segurança e falou sobre a suspensão das aulas por três dias em toda a rede de ensino do estado.
Logo no início de sua fala, o secretário classificou o episódio como inédito no Acre e defendeu cautela na análise das informações que circulam. “Olha só, esse tipo de ocorrência no Acre é a primeira vez que acontece. E é óbvio que ao acontecer isso, nós levamos em consideração qualquer tipo de informação, ou da rede social ou não, mas nós já, de pronto, estabelecemos o protocolo”, afirmou.
Gaia explicou que o governo estadual passou a adotar um protocolo específico para situações de violência extrema em escolas, baseado em um modelo de diretrizes federais. Segundo ele, o objetivo é estruturar uma resposta mais organizada diante de situações como a registrada em Rio Branco, com atuação integrada entre forças de segurança e comunidade escolar.
“Esse protocolo tem como manual de elaboração das escolas em caso de ataques de violência externa. Esse é um protocolo do governo federal que nós queremos adotar aqui”, disse.
Entre as primeiras medidas anunciadas, o secretário confirmou a suspensão das aulas por três dias em todas as redes de ensino, estaduais, municipais e privadas. “A implicação já tem o próprio protocolo estabelecido. E uma das ações que já estão sendo feitas de imediato é a suspensão das aulas por três dias, para que nesses três dias a gente possa, de fato, nos organizarmos melhor para exatamente fazer todos os levantamentos”, explicou.
Ele afirmou ainda que a medida visa permitir a reorganização das instituições e avaliação das condições de segurança nas escolas. “Isso de forma concomitante com o que está sendo feito pela investigação da Polícia Civil, mas também atuando de forma preventiva junto com as ações da Polícia Militar, que é exatamente o start desse protocolo”, completou.
Segundo ele, todas as redes de ensino aderiram à decisão. “Todas as redes estaduais, municipais e, inclusive, as particulares aderiram a essa suspensão por três dias”, afirmou.
Durante a coletiva, Gaia foi enfático ao afirmar que o armamento utilizado no ataque entrou dentro da unidade escolar. “O fato é que aconteceu dentro, no interior da escola, é óbvio. Ele entrou com uma arma dentro da escola. Isso aí é fato, se não, não teria acontecido o que aconteceu”, declarou.
Durante a coletiva, o secretário de Segurança Pública afirmou que, no período de suspensão das aulas, será colocado em prática um plano emergencial de policiamento escolar. Segundo ele, a ação será coordenada inicialmente pela Companhia Escolar, com apoio da Polícia Civil, e estendida a todas as unidades de ensino de forma itinerante.
“Olha, nesse primeiro momento, nesses três dias de suspensão das aulas, nós estaremos com um plano de policiamento feito inicialmente pela Companhia Escolar, e também com a participação e a presença da Polícia Civil, e estendendo isso para todas as escolas de forma itinerante”, disse.
O secretário explicou que não será possível cobrir todas as escolas simultaneamente, mas garantiu presença constante das forças de segurança no ambiente escolar durante o período.
“Não vamos conseguir cobrir todas as escolas ao mesmo tempo, mas estaremos presentes sim durante todo o período do dia escolar, com a presença das polícias nas escolas, conversando, fazendo a prevenção, apoiando as diretoras, os professores”, afirmou.
Ele destacou ainda que a estratégia envolve intensificação de ações já existentes na área da educação e da segurança pública, como palestras e atividades preventivas, que serão ampliadas nos próximos dias. “Vamos intensificar essas atividades, mas com uma presença maior, com o policiamento ostensivo nas imediações de cada escola”, completou.
Ao ser questionado sobre o prazo para respostas à sociedade, o secretário voltou a classificar o caso como uma fatalidade e pediu colaboração da população e da imprensa. “O que aconteceu no Acre foi uma fatalidade. Foi uma fatalidade, porque o enquadramento que a gente faz pra esse episódio é uma fatalidade, envolvendo um menor”, afirmou.
“O que nós precisamos nesse momento, para dar essa resposta que você está citando aí, é a colaboração de todos, principalmente da imprensa. Nós temos um problema que nunca aconteceu isso no Acre, então precisamos da colaboração da sociedade, da imprensa, dos educadores e das instituições”, acrescentou.
Gaia afirmou que o governo atuará para reforçar a presença da segurança pública nas escolas, mas reconheceu limitações estruturais. “Nós vamos trabalhar, sim, para que a gente dê uma resposta de imediato, com a ação presencial da segurança pública de todas as escolas”, disse.
“Nós temos um Estado inteiro para fazer segurança pública. Não vou dizer para você que nós vamos conseguir ter o policial em cada escola, isso é humanamente impossível. Mas nós estaremos presentes e atentos a tudo e a qualquer movimento que possa acontecer nas escolas”, completou.
O secretário reforçou que as investigações estão sob responsabilidade da Polícia Civil e que o governo evitará divulgar informações prematuras para não comprometer o andamento dos trabalhos.
“As investigações estão sendo encaminhadas pela Polícia Civil, e se tiver alguma sequência, alguma continuidade disso, nós iremos com certeza evitar qualquer divulgação disso, ou eu diria, proliferação disso, que novamente isso ocorra nas nossas escolas”, afirmou.
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Lucas Vitor




