Durante o ato de formalização do pedido de abertura do processo de tombamento e reconhecimento do Sítio Histórico do Alto Santo como Patrimônio Cultural Material do Brasil, realizado nesta sexta-feira, 08, em Rio Branco, o procurador da República no Acre, Luidgi Merlo Paiva dos Santos, destacou a relevância histórica, cultural e espiritual do espaço e afirmou que o Ministério Público Federal atuará como parceiro para auxiliar no avanço do processo junto aos órgãos competentes.
O pedido foi apresentado oficialmente por dona Peregrina Gomes Serra, dignitária do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal – Alto Santo, durante cerimônia que reuniu representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Ministério Público, Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) e membros da comunidade religiosa.
Ao discursar no evento, promovido pelo Centro de Iluminação Cristã Luz Universal – Alto Santo, o procurador afirmou que, mesmo sendo natural do Paraná e residindo no Acre há cerca de dois anos e meio, já conhecia a importância da doutrina fundada por Mestre Irineu e a dimensão nacional de seu legado.
“Eu não sou acreano, venho do Paraná, estou aqui há uns dois anos e meio, mas, mesmo vindo do Paraná, quando se fala dessa questão da repercussão do Daime, do Mestre Irineu e da sua doutrina, mesmo lá eu já tinha ouvido falar de como isso aqui no Acre é uma questão muito importante, profunda e relevante para a comunidade”, declarou.
Luidgi ressaltou que o reconhecimento em âmbito federal é uma etapa necessária para consolidar a importância da doutrina não apenas para o Acre, mas para todo o país.
“Isso demonstra também a necessidade desse reconhecimento em nível federal. Já existe o reconhecimento municipal, já existe o reconhecimento em nível estadual, mas o reconhecimento federal vem justamente para chancelar essa repercussão nacional que a doutrina do Mestre Irineu tem e o que suas práticas representam, não só para o povo acreano, mas também para o povo brasileiro”, afirmou.
Em sua fala, o procurador destacou ainda a importância de preservar o espaço físico do Alto Santo como parte inseparável da memória e da prática religiosa.
“Quando se pensa no legado do Mestre Irineu, se pensa primeiro na doutrina dele, no que ele deixou como aspecto espiritual e material. Mas tem uma importância muito grande preservar também esse aspecto material que está aqui, porque ele está umbilicalmente ligado com tudo isso. A gente vive nos espaços, celebra, faz os nossos rituais nos lugares. Por isso é importante haver essa preservação desse espaço aqui, que, para além de toda essa vinculação histórica importante, é um lugar belíssimo, que merece proteção. Se não fosse nem toda a história que ele representa, já mereceria essa proteção”, pontuou.
Ao encerrar, o procurador reafirmou o compromisso institucional do MPF em acompanhar e contribuir para que o processo avance até o reconhecimento definitivo.
“Da parte do MPF, o nosso papel constitucional é a fiscalização, fazer com que as instituições cumpram de fato seu papel no âmbito das suas competências. Mas eu gosto sempre de colocar o Ministério Público como efetivamente um parceiro. Não digo isso da boca para fora. A gente se esforça muito para tentar fazer as coisas andarem, entender os órgãos, fazer as coisas funcionarem, e não vai ser diferente nesse processo. Tudo o que depender do MPF, a gente vai fazer para auxiliar para que ele vá adiante e chegue ao objetivo final desse pedido, que é, de fato, o tombamento federal do Sítio do Alto Santo”, concluiu.
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Lucas Vitor




