“Parte do nosso time sentou a bunda na cadeira”, diz Boulos ao criticar militância no Acre

Foto: Whidy Melo/ac24horas

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, fez um duro alerta a militantes e lideranças da esquerda durante sua última agenda em Rio Branco, nesta quarta-feira (29), ao cobrar mais presença nos territórios e maior capacidade de comunicação com a população. Em tom de “puxão de orelha”, no auditório da Associação de Docentes da Universidade Federal do Acre, ele afirmou que parte do campo progressista tem se acomodado e perdido espaço no contato direto com o eleitorado, especialmente em estados como o Acre.

Ao defender uma postura mais combativa no debate público, Boulos afirmou que cabe à própria militância levar determinadas pautas à população. “Se a gente não falar isso, não esperem que os nossos adversários vão falar. É nós que temos que falar isso pro povo”, disse, ao tratar de críticas ao senador Flávio Bolsonaro.

O ministro argumentou que temas considerados conhecidos dentro da bolha política nem sempre chegam ao eleitorado em geral. “Pra nós pode parecer que todo mundo já sabe, que é fato requentado, mas não é assim. É com repetição, é falando, falando e falando de novo”, afirmou, defendendo a insistência na comunicação direta com a população.

Na sequência, Boulos fez uma autocrítica ao campo político ao qual pertence e apontou dificuldades na atuação de base. “Nós temos duas dificuldades. Uma delas é que uma parte do nosso time senta a bunda na cadeira”, disse, em tom de cobrança. Segundo ele, houve perda de presença junto à população, especialmente em locais menores.

O ministro destacou que, no contexto do Acre, essa ausência se torna ainda mais sensível. “Aqui, que é um estado com menos municípios, a presença, o pé de ouvido, a conversa direta, é mais importante do que em qualquer outro lugar”, afirmou.

Como resposta a esse diagnóstico, Boulos anunciou uma estratégia de reorganização da militância. “A partir do mês de maio, vamos começar a construir comitês nos territórios, nos bairros, nos municípios”, disse. Ele detalhou que a proposta inclui também universidades, institutos federais e categorias profissionais.

Segundo o ministro, esses espaços não terão caráter eleitoral imediato, mas de mobilização social. “Não vão ser comitês de campanha, até porque ainda não estamos no período eleitoral. Vão ser comitês de organização do povo”, explicou.

Boulos indicou ainda que a pauta central desse processo será a agenda trabalhista. “Nesse momento, com foco na luta pelo fim da escala 6×1, que vai ser o tema”, afirmou.

O trecho do discurso evidencia uma tentativa de reposicionar a atuação da esquerda no estado, com ênfase na retomada da militância de base, ampliação do diálogo direto com a população e maior protagonismo na disputa de narrativa política.

Estavam presentes no evento o pré-candidato ao senado Jorge Viana (PT); o pré-candidato ao governo do Acre, Dr. Thor Dantas (PT); o deputado estadual e pré-candidato à reeleição, Edvaldo Magalhães (PCdoB); a pré-candidata à deputada federal, Perpétua Almeida (PCdoB); o pré-candidato a deputado estadual, Cesário Campelo (PT); o pré-candidato a deputado federal, Virgílio Viana (PV); dentre outros.

Whidy Melo

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