O impasse envolvendo o pagamento à GoiásMed Serviços Médicos, responsável pelas cirurgias eletivas de ortopedia e traumatologia na rede estadual, ganhou um novo capítulo na manhã desta sexta-feira, 10, no Jornal da Manhã da Integração FM. Em entrevista aos apresentadores Chico Dias e Rogério Venceslau, o ex-secretário de Estado de Saúde Pedro Pascoal afirmou que a dívida anunciada como quitada pelo governo não foi paga por completo.
A empresa havia notificado oficialmente a Sesacre, em 8 de julho, sobre o risco de paralisação parcial dos atendimentos e cirurgias eletivas de ortopedia, caso os pagamentos referentes a fevereiro, março e abril não fossem regularizados. No dia seguinte, 9 de julho, o secretário adjunto de Administração e Finanças da Sesacre, Patrício Albuquerque, declarou ao portal ac24horas que o pagamento havia sido regularizado antes do prazo, sem prejuízo a pacientes.
Pedro Pascoal, que esteve à frente da pasta por quase três anos, contestou essa versão. “Essa informação que o governo divulga de que a dívida foi paga não é informação completa, ainda tem pendência”, afirmou. Para explicar o que falta, recorreu a uma comparação: “o pedreiro ele não consegue construir uma casa se não tiver material, se não tiver o tijolo, o cimento, a areia. O que foi pago foi o serviço do pedreiro. Tá faltando ser pago os materiais, os OPMEs, que a gente chama, são as próteses e os materiais especiais. Os parafusos, as placas, todos os fios de fixação, etc.”
Na entrevista, o ex-secretário também contextualizou o cenário financeiro da saúde no estado. “Quando não se tem essa atenção pros serviços essenciais, essa conta ela vai se acumulando, é uma bola de neve”, disse, citando que a dívida herdada em janeiro de 2023 era de 168 milhões de reais, e que o repasse do Fundo Nacional de Saúde ao Acre cresceu de 240 milhões para mais de 500 milhões por ano ao longo da gestão, dado que classificou como público.
Ao ser questionado sobre sua saída da pasta, Pascoal afirmou que o afastamento ocorreu por discordância com decisões tomadas em conselhos deliberativos e de gestão durante a transição de governo, com anuência do então governador. “A saúde ela precisa ser uma pasta que seja blindada de qualquer tipo de favor político. Direito não é favor, e acesso não pode ser privilégio”, declarou, ao criticar o que descreveu como maior interferência política na condução técnica da secretaria após sua saída.
Ao encerrar sua fala, o ex-secretário reforçou que a razão de seguir acompanhando de perto os rumos da saúde acreana é a mesma que sempre guiou sua atuação: cuidar da vida das pessoas que dependem do sistema público.
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Da redação ac24horas



