O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, usou um encontro nacional da legenda neste sábado (18), na zona sul de São Paulo, para radicalizar o discurso à direita. Perante a cúpula da sigla, o político mineiro criticou a política de cotas raciais, defendeu a privatização da Petrobras e subiu o tom contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), elegendo Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes como alvos centrais.
As manifestações buscam pavimentar a entrada de Zema no espólio de votos do bolsonarismo. “O Brasil não aguenta mais quatro anos de políticas de cotas, que enxergam primeiro a cor da pele e só depois a cor das pessoas. De doutrinação progressista nas escolas. De um governo que reduz a nossa família cristã a uma caricatura do atraso e da ignorância”, discursou o pré-candidato.
Zema estruturou sua plataforma eleitoral em três frentes: a retomada de territórios controlados por facções criminosas, reformas econômicas voltadas ao livre mercado e o combate a privilégios e supostos conflitos de interesse envolvendo o mundo político e o Poder Judiciário.
A ofensiva contra o STF balizou o topo das propostas do mineiro, que defendeu abertamente a cassação de magistrados por meio do Legislativo. “Nessa eleição agora nós vamos construir uma maioria no Senado e vamos aprovar o impeachment de Alexandre de Moraes”, prometeu aos correligionários.
O ex-governador também citou nominalmente o ministro Gilmar Mendes, que move uma ação judicial contra ele devido a postagens críticas nas redes sociais. Zema declarou que não recuará dos embates jurídicos e políticos. “O que me levou à política e o que move todos nós aqui do Partido Novo desde a sua fundação foi o combate à corrupção e ao tráfico de influência. Essa teia que hoje liga figuras sinistras como o Gilmar a organizações obscuras como a CBF”, completou.
Questionado em entrevista coletiva sobre figurar na faixa de 3% das intenções de voto nas pesquisas de opinião, Zema minimizou os dados estatísticos atuais. Ele relembrou sua trajetória na disputa pelo governo de Minas Gerais em 2018 para justificar o potencial de reação. “O meu nome só teve uma arrancada quando os debates começaram e o brasileiro viu que tinha um candidato diferente”, pontuou. O pré-candidato evitou dar detalhes sobre a composição da vaga de vice na chapa presidencial, limitando-se a exigir o critério de “ficha limpa”.
Antes do pronunciamento de Zema, o deputado federal e pré-candidato ao Senado por São Paulo, Ricardo Salles (Novo), subiu ao palco adotando uma postura agressiva e proferiu insultos de baixo calão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segurando um boneco de pano que representava o mandatário petista, Salles referiu-se a Lula como “filho da puta” ao conclamar a militância para o enfrentamento ideológico à esquerda.
O ex-ministro do Meio Ambiente também distribuiu ataques a integrantes do primeiro escalão do governo federal. Ele utilizou termos pejorativos para criticar a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, a quem chamou de “tartaruga fugida do Acre”, e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, classificada por ele como “mãe do desastre econômico”.
Salles não poupou a ala pragmática da própria direita e mirou o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL). O deputado rotulou o parlamentar paulista como um “filhote” e “pupilo” do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto. Segundo Salles, Prado encarna os vícios de comportamento do Centrão, caracterizados pela “ausência de postura ideológica, de princípios e de valores”.
Fhagner Soares, ContilNet




