Deputado e produtor executivo de “Dark Horse” justificou mudança de posicionamento alegando “diferença de interpretação” sobre a origem do dinheiro privado.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) mudou oficialmente sua versão sobre os bastidores financeiros do longa-metragem “Dark Horse”, cinebiografia que contará a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em nota divulgada na quinta-feira (14), o parlamentar que atua como produtor executivo da obra admitiu que o projeto recebeu aportes financeiros do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A confirmação ocorre logo após uma série de declarações desencontradas e contradições públicas entre a produtora do filme, o próprio deputado e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que expuseram ruídos na comunicação da pré-campanha.
A justificativa do “mal-entendido” jurídico
Anteriormente, Mário Frias havia usado suas redes sociais para negar enfaticamente o recebimento de verbas do banqueiro, afirmando que não havia “um centavo do Master” na produção.
Ao recuar, o deputado justificou que a primeira fala refletia a ausência de um vínculo direto com o banco, e não com o investidor individual.
“O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre [Investimentos], pessoa jurídica distinta. Quando afirmei anteriormente que não há ‘um centavo do Master’ no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora”, defendeu-se Frias, alegando uma “diferença de interpretação”.
Flávio Bolsonaro entregou os bastidores
A mudança de postura de Frias foi precipitada após o senador Flávio Bolsonaro assumir publicamente o acordo. Pressionado por revelações jornalísticas do portal The Intercept Brasil que apontaram uma negociação de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões), Flávio confirmou que buscou o patrocínio privado para a história de seu pai quando Vorcaro ainda não enfrentava suspeitas públicas.
Em vídeo nas redes sociais, o senador detalhou que Vorcaro possuía um contrato formal com a produção de Dark Horse, mas havia interrompido o fluxo de pagamentos, o que acabou gerando atrasos no cronograma de conclusão do filme.
O que é o filme Dark Horse?
É uma cinebiografia em formato de longa-metragem de produção estritamente privada que reconta a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Qual o valor do investimento investigado no filme de Bolsonaro?
Reportagens apontam que as negociações diretas conduzidas pelos envolvidos com o empresário Daniel Vorcaro alcançaram a cifra de US$ 24 milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões de reais.
Existe dinheiro público ou da Lei Rouanet no filme?
De acordo com as notas oficiais emitidas tanto por Mário Frias quanto por Flávio Bolsonaro, a produção é integralmente financiada por recursos privados, com “zero de dinheiro público envolvido”.
Júlia




